Os jogos e os Media
“Terceira Mesa Redonda – Os jogos e os Media”
Nesta terceira mesa redonda estiveram presentes vários jornalistas do ramo dos videojogos, que representam um papel de grande importância no meio, uma vez que, na maioria dos casos, são eles que acabam por influenciar as compras do público em geral.
Estiveram assim presentes Ana Santos (BGamer), Nelson Calvinho (MegaScore), Rui Guerreiro D'Ângela (Player), Luis Andrade (G4mers Magazine Online), Mário Leite (GameDev-PT), Rui Parreira (PTGamers) e, como moderador, João Vitória (Tech.pt).


Felizmente, esta discussão decorreu de forma menos linear que a anterior, com destaque para o activo moderador, que transmitiu um grande interesse e dinâmica à discussão.
Como tema inicial, abordaram-se as diferenças entre o jornalismo online e offline . O primeiro assunto discutido foi a pressão em que estão envoltos os dois tipos de jornalismo, tendo a maioria dos presentes concordado que a pressão é maior no meio online , uma vez que os sites têm de ter uma actualização diária, tendo um tratamento permanente das várias notícias, enquanto no meio offline os prazos são, em norma, mensais, pelo que há um maior tempo para se trabalharem as várias notícias. Mas, foi também referida a pressão por parte das editoras nas várias revistas, pois se o sucesso dos sites se contabiliza pelo número de page views , nas revistas é a tiragem que determina o futuro das mesmas. No meio online houve ainda tempo para abordar uma questão ética, o facto de existir a possibilidade de alteração das notícias colocadas, tendo o representante da PTGamers afirmado prontamente que nunca altera uma notícia, tendo apenas ocorrido um caso, no seu site, onde se acrescentou informação a um artigo.
De seguida abordaram-se alguns temas como a qualidade jornalística. O responsável do G4mers afirmou, por exemplo, que ser jornalista de jogos é uma profissão como outra qualquer, pelo que tem na equipa membros que não gostam de jogar mas que, mesmo assim, têm um bom desempenho no seu trabalho. Uma afirmação que suscitou algumas reacções na plateia, e nos próprios participantes da mesa redonda, que consideraram de bastante importância o facto de se gostar de jogos para trabalhar no meio.
Na continuação do debate, foi levantada uma questão dirigida para o jornalismo online , relacionada com a discriminação de que alguns sites sofrem. Alguns membros concordaram que, em norma, o jornalismo de revista é levado mais a sério. Contudo, o representante do G4mers afirmou que não se sente vítima de discriminação por trabalhar num site, excepto em algumas conferências, onde apenas são convidados jornalistas de revistas, mas que, de resto, ambos os meios são tratados de igual forma, pelo menos a nível internacional, onde se diz sentir bastante acarinhado.
Passou-se, de seguida, às análises de jogos, sempre envoltas em grande polémica. Nesta parte da discussão, referiu-se a importância de terminar os jogos antes de os analisar, para que se tenha uma opinião sólida sobre o título em questão e para que se possa realizar uma análise justa, tendo conhecimento dos vários elementos do jogo. Contudo, alguns membros afirmaram que, por falta de tempo, nem sempre é possível acabar todos os títulos que são alvo de análises, mas, na maioria dos casos, joga-se o mais possível do mesmo e, se considerarem necessário, utilizam-se meios para desbloquearem o jogo de modo a completarem o mais possível do mesmo.


Discutiu-se ainda a imparcialidade das várias análises, pois, muitas vezes, os jornalistas são alvo de grande pressão por parte das editoras que fornecem os vários títulos, tendo o responsável da G4mers afirmado, a título de exemplo, que, em determinada análise, tinha atribuído a um jogo uma baixa classificação, tendo, passado um curto espaço de tempo, recebido um telefonema da editora do jogo em questão. O público teve também aqui a sua palavra, tendo um membro da plateia mostrado um exemplar da “Player”, onda a nota mais baixa era um 6, e existindo uma grande quantidade de 8s e mesmo um 10. Confrontado com esta participação, o representante da revista justificou-se pelo facto de haver uma selecção dos jogos que são analisados, dando-se prioridade aos títulos que à partida apresentam melhor qualidade, pois são os que mais interessam, geralmente, ao público.


Já na recta final desta mesa redonda, foi ainda discutida a pouca importância dada a projectos nacionais. Os vários participantes afirmaram então que isto se deve aos poucos projectos inteiramente nacionais que existem, e também devido ao facto de as várias publicações serem tardiamente afirmadas relativamente a determinados eventos ou projectos, ou, em certos casos, não serem mesmo avisadas, sendo assim impossível divulgar o projecto em questão.
Por fim, houve ainda tempo para algumas participações do público, em que foi levantada a questão de a maior parte do conteúdo de algumas revistas ser traduzido. Respondeu a esta questão o responsável da Player, visto ser, das publicações representadas, a única cuja maioria do conteúdo é traduzida. Rui Guerreiro defendeu assim que, embora gostasse de ter uma publicação inteiramente nacional, muitas vezes não existem recursos suficientes, pelo que se tornou preferível traduzir uma revista internacional, uma vez que é necessário um menor investimento assim como uma equipa mais reduzida.

