

O novo conteúdo para Fallout 3 apanhou-me numa fase interessante; tinha recomeçado a jogar a versão PC, pelo que, ao contrário de muitos dos fãs, não estava ao nível máximo. Depois de andar às cabeçadas com o interface pouco intuitivo do Games For Windows Live, necessário para comprar e instalar esta mini expansão (será uma boa história para outra altura), continuei o jogo e dirigi-me à localização onde se acede ao novo conteúdo. Neste ponto, será importante dizer que Fallout 3 foi um dos meus jogos favoritos de 2008. Estará Operation: Anchorage à altura?
Sim e não. Depois de uma introdução muito breve que se passa em Washington D.C., e que segue os moldes dos vários combates do jogo nessa zona, o mundo virtual para onde somos transportados, a simulação do ataque do exército chinês ao Alaska, revela-se muito diferente do jogo principal.
A Bethesda mudou substancialmente as regras do seu jogo, aproveitando o subterfúgio da simulação em realidade virtual; o jogo raciona muito mais o nosso equipamento, e o cenário é quase completamente não interactivo, só se podendo pegar em munição, armas, e recarregar a saúde em estações de pronto-socorro. No fundo, Operation: Anchorage é um shooter visto do ponto de vista do mundo de Fallout 3. Mais do que uma vez (e também, em parte, devido à beleza dos cenários) o jogo fez-me sentir que estava a jogar uma versão mecanicamente inapta de Crysis.

Eis o principal problema: Fallout 3, tendo grande mérito como RPG, encontra a sua maior fraqueza nas mecânicas que rouba aos shooters, e embora o ritmo de acção mais linear nesta expansão, e simplificação do sistema de munição/saúde, ajude um pouco, fica sempre a sensação de que a mecânica do jogo não está a conseguir acompanhar a imaginação e intenção dos designers. Os inimigos são pouco inteligentes, e ora estão de costas para nós e facilmente à mercê de um ataque crítico, ora nos vêem a 100 metros de distância; o primeiro encontro supostamente climático com um grupo de ninjas cibernéticos não apresenta tensão nenhuma quando estes atacam um de cada vez, e morrem em segundos quando o jogador simplesmente fica parado em frente deles e descarrega um clip de metralhadora.

Mas não quero parecer demasiado negativo; apesar de tudo isto, estou a divertir-me com Operation: Anchorage. As zonas têm a caracterização genial que permeia todo o jogo, o sistema VATS continua a dar satisfação (embora no meu caso, encrave o jogo quando o uso em algumas zonas de maior portento gráfico – apenas nesta expansão, nunca aconteceu no jogo principal, pelo que suponho que seja caso de má gestão da memória gráfica na expansão, e sou preguiçoso demais para baixar a qualidade gráfica só para isto), e recentemente foi-me atribuído um esquadrão de NPCs para comandar, que até agora ainda não acrescentou profundidade táctica nenhuma ao jogo, mas pode ser que melhore.
Sobretudo, é uma mudança de ritmo muito bem-vinda no meio de um jogo que, mesmo sendo magnífico, tende para a repetição. Contem com uma conclusão para breve.