

Zombies... Muitos zombies... Parece que a moda de fazer jogos com quantidades ridículas de zombies para matar está para continuar, começou com Dead Rising onde tínhamos de conviver com milhares de zombies num centro comercial e agora Left 4 Dead continua com a ideia, é um jogo simples... quase tão simples que até um zombie o podia jogar. Aliás, é engraçado fazer a analogia entre este jogo e os mortos vivos devido à sua simplicidade, pois, segundo a literatura, os zombies mantêm apenas os pensamentos mais básicos e este jogo é bastante simples.
Left 4 Dead é como um zombie. Mesmo literalmente. É um FPS tiro neles e, pronto, acabou. A ausência de história ou de mecânicas complexas faz realmente com que este Left 4 Dead pareça um dos milhares de zombies que vagueiam pelo jogo. Mas também não posso dizer que isso é mau... é excelente! Também ao dizer isto parece que o jogo é monótono, mas não o é! Aliás monotonia e Left 4 Dead são incompatíveis. Digamos que à primeira vista este jogo é como um zombie, mas... é interessante o suficiente para nos mantermos agarrados durante horas e horas.
Graficamente o jogo é bom, mas também não é nada de especial. O noise na imagem dá-lhe um ar melhor do que ele realmente é. As texturas não são nada de especial, mas o jogo ainda tem uns efeitos de luz surpreendentemente bons. E depois, claro, quando vemos dezenas de zombies a correr desalmadamente para nós e sem ver a consola a engasgar-se, deixa qualquer pessoa impressionada. O pior mesmo são as texturas, mas só mesmo quando tentamos ler o que está escrito nas paredes. Acho um pouco estúpido essas texturas não terem mais um pouco de resolução para conseguirmos ler melhor o que está escrito, de resto cumprem o seu trabalho e também com o noise e a acção frenética não vamos ligar muito a isso.
Em termos de som... bom, não tem nenhuma banda sonora memorável, mas a música aparece sempre no local certo e nas situações certas, o que é excelente e jogado num sistema 5.1 também é outra coisa.

O enredo... qual enredo? Ok, o Dead Rising tinha um enredo, era estúpido, mas tinha... Mas Left 4 Dead? Nope. Sim, talvez tenha havido uma tentativa de nos contar uma história através das escrituras deixadas nas paredes das Safe Houses por outros sobreviventes que tinham passado por lá, algumas bem hilariantes. Mas não fazem sentido nenhum, quiseram contar a história um pouco ao estilo de Portal. Acaba-se apenas por saber que estiveram ali pessoas, mais nada, algumas escreviam coisas desesperantes nas paredes, insanidades até, outros deixavam uma espécie de cartas para a família. Bom, na verdade, enquanto passava o jogo, pensei que alguma coisa fosse fazer sentido lá mais para o final do nível, mas não... Não se sabe o que aconteceu às pessoas, não se sabe como é que os zombies apareceram... Não se sabe a “ponta de um corno”. Apenas sabemos que começamos num sítio e temos de chegar ao ponto de extracção. Não é que este jogo precise de um enredo para ser divertido/interessante, mas algumas pessoas afirmam que existe um enredo digno neste jogo. Eu não o encontrei... e eu li tudo o que estava escrito ao longo dos níveis. Não sei, talvez me tenha escapado alguma coisa, ou então quem afirma que existe um enredo tenha uma imaginação muito fértil para encher os espaços em branco ou seja... inventaram o enredo do jogo.
A jogabilidade é um FPS puro e duro. Existem alguns genes de Counter Strike no modo de disparo das armas. Agachados, temos mais pontaria do que se andarmos a correr e a disparar ao mesmo tempo. Depois existe todo o sistema de entreajuda dos 4 sobreviventes. Curar, ser curado, dar comprimidos, etc. Está muito fixe, pois mesmo jogando com companheiros da I.A., é essencial ajudar os nossos camaradas para nos safarmos na campanha. Talvez pudesse ter mais umas armas à nossa disposição... mas, pronto, pode ser que um DLC traga alguma coisa. Mas o destaque é mesmo do modo director que nos atira todos os elementos de jogo conforme ache melhor, o que resulta sempre em campanhas diferentes, é sempre inesperada a vinda dos Zombies, podem aparecer de qualquer lado, os Power-Ups e os Itens podem estar em qualquer lado. Isso faz com que o jogo continue sempre fresco e fofo! (hehe)
Não me posso esquecer dos inimigos. Um zombie é a coisa mais fácil do mundo de matar, mas 30 zombies? Digamos que a união faz mesmo a força. Para além disso, temos de lidar com zombies especiais, umas espécies de aberrações da natureza que são bastante perigosos e podem mandar-nos desta para melhor se não estivermos atentos. Aqui a cooperação é essencial.

Em termos de longevidade, o jogo passa-se em 5 horas no modo normal, jogando single-player. Não se assustem no entanto, pois este jogo tem replay value acima da média muito por culpa do modo director e muito por culpa de ser o melhor jogo co-op de sempre. Joguem isto com amigos e a coisa ganha logo outra dimensão. É de facto pouco haver 4 campanhas diferentes, mas ainda assim é o suficiente para vos agarrar por várias horas. Existem modos de dificuldade muito complicados que podem manter os mais hardcore bastante ocupados. E quando digo complicados, são mesmo difíceis como o caraças! É talvez dos jogos mais difíceis que joguei (quando jogado nos modos de dificuldade mais elevados) e mesmo com 3 amigos a ajudar em co-op. Talvez até seja demasiado difícil, mas pronto só faz quem quer.
Foram prometidas novas campanhas em breve, por isso podem contar com mais nos próximos meses para que o interesse pelo jogo não se extinga.
A Valve, mais uma vez, entregou um jogo que em termos de qualidade é muito acima da média, aliás como todos os jogos da Valve. Em termos de jogabilidade muito divertido e, para além disso, conseguiu criar o jogo co-op mais fixe de sempre. É muito viciante e muito divertido. Quem não tem Live, pode ainda assim jogar com o ecrã dividido em dois o que não é mau, mas o que é mesmo bom é jogar isto com amigos de preferência através do Live. É um must have da 360 ou do PC.
8/10 -- Recomendado