

Épico é uma daquelas palavras que supostamente possui uma conotação positiva, o que nem sempre é verdade. A meu ver, muitos analistas profissionais consideravam Dragon Quest VIII um jogo épico apenas por uma excelente narrativa que os sugava para dentro do jogo assim como uma história, por que de resto, embora não fosse mau era por e simplesmente genérico, sim, eu sou uma das poucas pessoas que não se encontrou muito satisfeita com Dragon Quest VIII por causa de batalhas e level-ups entediantes assim como espaços demasiado grandes e vazios para explorar, eu por norma, gosto de um RPG moderno, não pela sua simplicidade ou facilidade mas por não nos deixar estupidamente a fazer grindings constantes e em batalhas lentas em que perdemos mais do que uma vez pelo jogo estar tão apaixonado pela sua faceta old-school.
Isto só por dizer que épico é uma palavra que não deve ser levada a letra, é uma palavra que deve vir de parte das emoções do sujeito suscitadas através de uma determinada experiência, no meu caso, pode-se dizer que a experiência mais recente que eu poderia considerar épica (embora, não exageradamente) seria The Rise of the Argonauts.

Com a história de um rei grego que deseja ressuscitar a sua amada que fora assassinada, uma narrativa muito boa, cenários lindíssimos, personagens carismáticas e uma jogabilidade um bocado reminiscente a Jade Empire da BioWare (eu pessoalmente não pude parar de comparar este com Jade Empire, só que num setting grego), poder-se-ia dizer que temos aqui uma excelente receita para um RPG épico não? Certamente que sim, embora não seja terrivelmente épico, é bastante emocionante.
Tecnicamente falando, o sistema de combate do jogo é um puro hack and slash mas com alguma profundidade, para além de se poderem formar combos com armas diferentes, é ainda bem possível trocar de arma em tempo real e continuar esse combo com a arma trocada assim como formar ataques especiais com todas estas. Os God Powers, que podem ser considerados como os feitiços e encantamentos do jogo, dão uma grande ajuda em certos combates, principalmente bosses.

O mundo de Rise of the Argonauts é bastante imersivo e encantador, o grau de interactividade com NPCs não vai muito para além das expectativas, mas vai o suficiente para estimular várias respostas cuja resposta varia com o alinhamento a que pertence (Ares, Apollo, Hermes e Atena), infelizmente, nenhum destes alinhamentos afecta a personalidade de Jason, o personagem principal ou o final do jogo em si, muito ao contrário de outros RPGs com um sistema de alinhamento como Fable II por exemplo. A interactividade com NPCs é também muito importante para obter armas e armaduras novas, assim como pontos de experiências para desbloquear novas habilidades e God Powers. A minha maior queixa é a ausência de um mini mapa no ecrã de jogo principal, pois é fácil qualquer um perder-se nos ambientes do jogo e abrir as opções apenas para ver o mapa consegue demorar um total de cinco segundos.
Tal como tinha mencionado, Rise of the Argonauts possui um mundo bastante imersivo e encantador, um esperaria com um comentário destes que os gráficos fossem deslumbrantes, o que não é necessariamente verdade, mas também não é mentira nenhuma dizer que estão muito bons, algumas personagens poderiam ser melhor trabalhadas em detalhes faciais, mas de resto elas estão bem apresentáveis. Infelizmente, existem montes de inconsistências na frame rate assim como pop-ins de texturas.

A banda sonora do jogo é talvez o um dos seus pontos mais fortes, encontra-se cheia de instrumentalização clássica e greco-latina e de efeitos sonoros ambientais, as vozes dos personagens têm um toque profissional nalguns lugares, contribuindo para o melhor destaque da narrativa de jogo.
A PlayStation 3 tem-se visto muito aflita no que toca em RPGs, especialmente se considerarmos que a sua antecessora era a rainha deste género, felizmente, The Rise of the Argonauts, apesar de ser um jogo multiplataforma, revela-se como uma adição epicamente boa para o catálogo de jogos da PS3, um jogo memorável e com uns valores de produção surpreendentes.
8/10 -- Recomendado