

Num videojogo, eu sempre mostrei uma grande curiosidade no que tocava à exploração de níveis, fossem vulcões, galáxias ou locais mórbidos e doentios, eu estava sempre lá e pronto para me aventurar no desconhecido. Claro que, nem todos os locais num jogo são pêra doce, detesto explorar fábricas pelo facto de elas serem repetitivas, depois temos enormes cidades que nunca mais acabam (só falar com todos os NPC’s nestas chega a ser uma tortura dolorosa) e por fim temos os cenários pós-apocalipticos, eu detesto estes em particular por serem lugares quase mortos e por serem monótonos, o facto de serem bastante tristes ao meu olhar também não ajuda nada.
Hoje eu trago este assunto em mente por causa de um dos lançamentos mais aguardados de 2008, o lançamento a que me refiro é não outro senão Fallout 3, a sequela dos aclamados Fallout e Fallout 2 para os computadores, estes RPG’s que fascinaram muitos com a introdução de novos temas e mecânicas de jogo no mundo dos RPG’s e por ter sido inspirado no clássico de culto para MS-DOS e Commodore 64 chamado Wasteland. Dado que Fallout 3 foi produzido pela Bethesda (conhecida pela série The Elder Scrolls), muitos tinham algum receio que a transição de um RPG na 3ª pessoa isométrico para um RPG na 1ª pessoa acabasse por dar bronca e com isto em mente, muitos perguntam: esta espera, será que valeu a pena?
A história revolve-se num mundo pós-apocalitico onde muitos seres, nomeadamente humanos e mutantes caminham, uns foram largados à sorte do destino enquanto outros se refugiaram num abrigo anti-nuclear do qual ninguém pode sair nem entrar novamente. O nosso protagonista tanto pode ser tanto do sexo masculino ou feminino e podemos realizar todo o tipo de opções a nível físico nestas (cabelo, cara, olhos, boca, etc.). Quando se começa o jogo, nós presenciamos o nascimento do herói/heroína que controlaremos, não só isso como assistimos ao seu crescimento rápido nas fases, desde de recém-nascido até ao estado adulto.

A jogabilidade de Fallout 3 é algo semelhante à do grande título da Bethesda que fora lançado nesta geração, estou-me a referir claro a The Elder Scrolls: Oblivion, o que eu acho uma excelente decisão. Oblivion era um dos RPG’s com um sistema de combate e de gestão de objectos bastante complexo mas eficaz, aqui em Fallout 3 trata-se da mesma situação, podemos carregar connosco diversos objectos e armas que podem ser usados da forma que desejarmos (até existem objectos ridículos para apanhar como bolas de basebol e bonés do mesmo desporto). Mas onde Fallout 3 brilha é mesmo no seu sistema de combate e interacção com o ambiente, aos quais nós podemos associar diversos pontos de experiência de forma a conseguir criar personagens únicos a nível de aptidões.
Houve certas coisas que me despontaram, embora as infinitas possibilidades de escolher o caminho ético e moral que desejamos (o bem e o mal), eu não posso dizer o mesmo da exploração. Não digo isto por causa do seu ambiente pós apocalíptico mas sim pela liberdade em demasia que o jogo oferece, eu preferia uma experiência de jogo um bocado mais linear e que não desorientasse tanto os jogadores. A última coisa que desapontou-me foi o sistema de hackear, embora não seja complexo (há que notar que a complexidade a nível de jogabilidade tem uma enorme presença), exige demasiadas sessões de tentativa e erro e isto torna-se bastante agravante quando temos cerca de sessenta palavras-chave e apenas quatro tentativas, se estas forem todas falhadas, o jogo força a encontrar a palavra-chave genuína e isso consegue ser demasiado monótono e aborrecido, especialmente tendo em conta os grandes ambientes que nos rodeiam em conjunto com o vasto número de objectos ambientais com os quais se pode interagir.

Fallout 3 é um festim audiovisual dos mais impressionantes até hoje feitos, os ambientes e personagens estão maravilhosamente detalhados e em situações em que se recebe dano apresentam uns efeitos especiais deliciosos como sangue salpicado no ecrã (algo semelhante a Gears of War de quanto se massacra um locust com a serra), efeitos de luz do sol deslumbrantes e ambientes genuinamente assombrosos, é pena é o jogo ser um bocado escuro a nível de brilho e contraste. Felizmente, estas duas configurações visuais podem ser alteradas ao gosto de qualquer um, certificando de que Fallout 3 oferece uma experiência cinemática majestosa (tudo o que é apresentado no jogo se encontra em tempo real e não em FMV).
Os efeitos sonoros deste jogo realçam ainda mais a experiência realista que a Bethesda pretendeu em transmitir, desde do mais notável até aos mínimos detalhes (o som de baratas a moverem-se, balas a caírem e até sons de pisadas diferente para cada calçado). A banda sonora não parece destacar-se muito bem no jogo, pois Fallout 3 é um daqueles jogos em que é difícil dar atenção à musica quando se tem inúmeras actividades para realizar pelo mundo fora, mas apesar disso, mostra-se bem elaborada quando lhe damos a merecida atenção.

Fallout 3 revela-se bastante ambicioso quer a nível da qualidade como na mudança de perspectiva de jogo, é um daqueles jogos que pode ser gozado por bastante tempo (diz-se que jogo contem cerca de mil finais diferentes). Infelizmente, é um jogo que muitos jogadores não irão pegar com facilidade devido à sua complexidade e vasta abertura, mas quem quiser dar uma tentativa à primeira irá saborear um néctar que responde as expectativas positivas de muitos e que ainda deixará outros surpresos de felicidade durante muito tempo.
9/10 -- Recomendado