

Silent Hill: Homecoming é um jogo que dispensa introduções, é um dos jogos mais esperados desta geração e o segundo titulo da série a não ser desenvolvido pela Team Silent mas sim por outra equipa fora do Japão chamada Double Helix Games. Só o facto de este ter sido desenvolvido pela dita companhia não nipónica foi o suficiente para causar muita polémica entre os amantes da série que consideravam que o jogo estava a perder tudo aquilo que deu a Silent Hill um lugar de topo na cadeia dos survival horror. Eu sou um grande admirador da série e desde que o titulo começou a revelar-se aos poucos pela internet que achei que nada de mal se estava a passar com este, aliás, depois da surpresa que foi Silent Hill: Origins eu acreditei que Homecoming tinha o que era necessário para fazer o mesmo.
O enredo decorre em torno de Alex Shepherd, um soldado que volta da guerra para certificar-se que os pesadelos que tem do seu irmão mais novo Joshua não passam de uma simples preocupação, mas quando chega a sua terra natal; Shepherd’s Glen, este apercebe-se que algo de muito errado se passa e quando confirma que o seu irmão está desaparecido, Alex decide fazer tudo o que estiver no seu poder para se reunir com Joshua.

A história é um elemento que se desenvolve muito bem em Homecoming, tem intriga, mistério e surpresas tal como no anteriores jogos da série, o grande problema e talvez a única coisa que não foi muito bem executada aqui é definitivamente a aplicação de um modelo do tipo filme de Hollywood nesta, eu achei que é desnecessário e que confere ao jogo um toque demasiado americano no enredo, algumas cutscenes fizeram-me lembrar filmes como Resident Evil, Hostel e The Texas Chainsaw Massacre. Foi precisamente nestes momentos em que senti que o jogo não era um Silent Hill.
A nível de jogabilidade, Homecoming difere de forma vasta dos restantes no sentido em que agora o jogo é jogado numa perspectiva estilo TPS (Third Person Shooter), ou seja, um manipulo move o personagem e o outro aponta e é precisamente aí que começo a queixar-me, o menu de opções permite inverter o olhar mas na realidade o que é invertido é o apontar com armas porque o olhar para sítios continua não invertido e isto pode ser bastante confuso para quem está habituado a jogar TPS’s e FPS’s. As mecânicas de combate foram bem elaboradas, senti que o combate tinha fluidez tanto a nível corpo-a-corpo como em armas de fogo, o uso destas últimas levam-nos para uma câmara em ombro muito ao estilo de Resident Evil 4 e Gears of War. Eu achei que alguns inimigos e bosses eram demasiado difíceis e movidos para um survival horror e isso leva muitas vezes a que o jogador pense muito bem nas suas estratégias antes de agir se não quiser correr o risco de ficar sem munição ou medicamentos para as piores batalhas que se seguirem, é claramente óbvio que houve um maior foco de atenção no combate do que propriamente na exploração durante a produção do jogo.

Como havia de ser, o grande fruto deste jogo tal como em todos os anteriores é o departamento audiovisual, embora os personagens não pareçam tão bem detalhados como nos jogos anteriores eles parecem suficientemente realistas, mas as verdadeiras estrelas aqui do jogo são mesmo os monstros, esses sim é que estão muito bem feitos e alguns deles são simplesmente maravilhosos e assustadores só de olhar, principalmente os bosses, são grandes e talvez os mais grotescos da série até agora. Os ambientes têm detalhe e capturam a essência do real e isto é fortificado com a presença do nevoeiro, uma das marcas tradicionais da série, os ambientes do submundo continuam negros, macabros e arrepiantes como do costume só que o melhor disto é que nós podemos presenciar muitas vezes a transição do real para o submundo detalhadamente, um aspecto verdadeiramente surpreendente.
A banda sonora continua fenomenal, aliás, podia-se esperar algo mau do grande mestre musical Akira Yamaoka? Nunca, e os efeitos sonoros também merecem especial atenção porque afinal de contas, são este que tornam a experiência que é Silent Hill numa verdadeira caixinha de surpresas, só que com sustos. O voice acting continua a ser bom apesar de achar que haviam personagens que não mostravam muita emoção ao falar em determinadas partes.

Acho que houve uma séria falta de consideração por Silent Hill: Homecoming, apesar de não ser perfeito e de contradizer o típico molde da série em alguns aspectos, eu achei que estava muito bom para aquilo que é e francamente, acho que apesar não ser melhor que Origins, é certamente mais um título digno de pertencer à série e talvez também o caminho evolucionário certo para o futuro desta nesta geração, no entanto, agradecia que fossem os “mestres” a tratar do desenvolvimento do enredo para a próxima vez e essa próxima vez é uma vez que já espero com ansiedade.
8/10 -- Recomendado