

Numa época na qual para mim a emulação parecia era algo revolucionário no mundo dos computadores, uma das coisas que eu fazia para além de experimentar todos aqueles jogos de Mega Drive que me tinham passado de lado era jogar Super Nintendo. A tão adorada PlayStation 2 da quarta geração dos videojogos estava cheia de pérolas deliciosas, desde as mais populares até às mais obscuras e foi precisamente a sua vasta e variada biblioteca de jogos que fez-me arrepender de nunca ter uma ao lado da minha querida Mega Drive. Dos melhores jogos que havia para a consola, os que eu perdia várias tardes em frente ao computador e que me enchiam o coração de felicidade eram o Super Metroid e o Kirby Super Star, este último sendo considerado talvez como o melhor Kirby de sempre não só por ser um dos melhores jogos de plataformas da época como também aquele que nos ofereceu mais do que aquilo que esperávamos, oito jogos com qualidade num só cartucho.
E para a surpresa de muitos, a Nintendo anunciou que lançaria uma versão melhorada deste mesmo jogo para a Nintendo DS com ainda mais jogos e gráficos ligeiramente melhorados; o resultado com que ficamos desta ideia é uma obra-prima que todos nós julgámos que não poderia ser mais perfeita do que aquilo que já era.

Kirby Super Star Ultra contém dezasseis jogos diferentes, cada um com a sua própria história e forma de se jogar, na generalidade, maior parte destes jogos focam-se na jogabilidade de plataformas tradicional dos jogos da série juntamente com aqueles pequenos factores que ajudaram a quebrar um bocado o molde deste género, como sugar inimigos para adquirir as suas habilidades, voar com liberdade pelos níveis e tirar vantagem do ambiente que nos rodeia (armadilhas, blocos, água/lava) para escaparmos das situações mais ameaçadoras; algo bastante único nesta colectânea em particular é a possibilidade de bloquearmos ataques inimigos e reduzir danos com o uso dos botões L ou R.
Para além de se poderem usar os diversos poderes existente no jogo, é possível torná-los também num personagem ajudante que pode ser tanto controlado por inteligência artificial como por um segundo jogador, em suma, pode-se jogar muitas das aventuras disponíveis numa forma inteiramente co-op (excepto alguns mini-jogos claro). Quanto aos mini-jogos, o que posso dizer é que para além dos novos e exclusivos a esta versão, os do original ainda conseguem ser talvez dos melhores mini-jogos de sempre mesmo com a idade que têm, os meus preferidos e talvez os melhores deles todos são o Samurai Kirby e o Megaton Punch, e para além destes “joguinhos”, podem-se desbloquear também dois modos extras que consistem em batalhas consecutivas contra todos os chefes que aparecem na colecção.

Os gráficos são bem alegres e variados, não sei sinceramente que melhorias gráficas é que a Nintendo fez em relação ao original mas tirando alguns fundos de ecrã, os menus mais elaborados e as sequências FMV, as sprites permanecem as mesmas (excepto os novos inimigos exclusivos que se encontram em Revenge of the King). São gráficos 2D muito bons sem sombra de dúvida e ainda conseguem ser talvez dos mais bonitos da série Kirby.

Tal como em gráficos, os jogos do Kirby tiveram sempre umas músicas bastante alegres e de ficar no ouvido, o melhor destas é que não sofreram qualquer alteração na transição da Super Nintendo para a Nintendo DS, estão tal iguais como se ouviam na 16-bits da Ninty o que é uma alegria pois o chip de som da Super Nintendo (feito pelo grande Ken Kutaragi) ainda hoje consegue ser talvez um dos melhores em comparação com todos os outros chips sonoros das restantes consolas (se bem que o chip de som Yamaha da Mega Drive era uma coisa bela de se ouvir a trabalhar).

São jogos como Kirby Super Star Ultra que definem nostalgia com perfeição, não só é uma colectânea que consegue capturar a essência dos passados gloriosos da nossa infância como também prova que o 2D nunca irá morrer e que o adorável Kirby estará sempre presente no futuro para trazer mais com que nos divertir, para ser francamente honesto, este jogo é tal como o original no sentido em que me relembrou dos motivos pelos quais adoro videojogos e por me fazer sentir de volta a quarta geração dos videojogos, a geração que eu sempre me lembrarei e valorizarei por muito que esta indústria evolua.
10/10 -- Essencial
Excelente analise. Tambem adoro as 16bits/8 bits. Os anos de ouro dos videojogos!