

Eu adoro quando alguém ressuscita uma série de videojogos pela qual nós tínhamos muita dedicação, mas odeio ver como esses processos geralmente acabam. Muitas das vezes nós ficamos com uma faceta 3D muito mal executada de um jogo que nasceu na era dos jogos 2D (é o caso do nosso querido e adorado ouriço azul dos bons e velhos tempos da Sega), outras permanecem no 2D mas com uma mudança de plano no campo da jogabilidade (foi o que sucedeu com o Mega Man quando se criou a série Battle Network), e por fim temos a reencarnação de um clássico através da fidelidade perante as suas tradições e valores e com uma maquilhagem que lhe permita destacar -se entre o 3D da actualidade. É isso que Bionic Commando Rearmed representa hoje.
Bionic Commando Rearmed é um remake do Bionic Commando (conhecido como Top Secret: Hitler’s Revival no Japão) original para NES desenvolvido pela GRIN (a companhia responsável por jogos como Tom Clancy’s Advanced Warfighter para PC) . Tal como no jogo original, nós controlamos o personagem principal Nathan “Radd” Spencer numa missão para resgatar Super Joe (o protagonista de Bionic Commando das arcadas) das forças Imperialistas.

A jogabilidade básica de Bionic Commando Rearmed decorre num plano 2D no qual o jogador deve explorar as zonas inimigas e derrotar o chefe que se encontra nestas, e embora as primeiras zonas sejam simples para uma pessoa se orientar, muitas delas a partir de metade do jogo tornam-se bastante confusas (e a ausência de um mapa piora bastante a situação), tornando a busca de áreas secretas uma tarefa algo entediante. Não existe qualquer possibilidade de saltar em Bionic Commando Rearmed, em vez disso nós temos de executar vários saltos de corda com o uso do braço biónico de Spencer, um factor que consegue ser um bocado frustrante devido a certas limitações do referido braço, mas após algum treino e hábito este braço consegue-se tornar num acessório muito valioso para o jogador, principalmente para salvar a sua pele.
Existem vários computadores espalhados pelas zonas fora que podem ser haqueados para se poderem ouvir conversações entre soldados das forças imperialistas, estas conversas oferecem-nos geralmente pistas para descobrir o ponto fraco do chefe da respectiva zona. O jogo contém segmentos verticais ao estilo de Ikari Warriors nos quais se deve defender o helicóptero de transporte de Spencer contra veículos anti-aéreos, embora estes segmentos ajudem a criar variabilidade no jogo, sinto que podiam ter sido melhores se desse para utilizar o manipulo direito para díspar automaticamente para qualquer direcção (tal como sucede em muitos shooters multi-direccionais de hoje em dia).

De certa forma, pode-se dizer que o jogo contém alguns elementos provenientes do sub-género metroidvania pelo facto de que determinados níveis apenas poderão ser alcançados através da obtenção de novas armas e equipamentos no final de cada nível e em cada base FSA.
Gráficamente, os gráficos 3D implementados no plano 2D estão muito bem-feitos. Há detalhe nas texturas e nem sempre parece que vemos muitas destas a serem reutilizadas noutras zonas do jogo, os efeitos de brilho e de escuridão são bastante realistas relembrando-me das cenas de fuga e tensão pelas quais atravessava em Alien Breed. A framerate encontra-se estupenda mas existe muito screen-tearing horizontal e isto nota-se sobretudo nas zonas que possuem maior claridade.

Para além da jogabilidade, outro campo que me surpreendeu bastante foi o departamento sonoro, a banda sonora do jogo é provavelmente um dos melhores arrangements de banda sonora original que já ouvi em toda a minha vida, arrangements muito retro que misturam música 8-bit com techno e que me lembra muito o tipo de som e musica que ouvia nos jogos da Mega Drive, Super Nintendo e Amiga. Os efeitos sonoros são genéricos por assim dizer apesar de se encaixarem muito bem com o jogo, e há muita restrição de voz em termos de diálogo.
Bionic Commando Rearmed foi sem dúvida uma grande surpresa para mim, não esperava tanta qualidade de um produto out-sourced e o melhor é que foi um remake que se manteve bastante fiel ao seu jogo original (outro bom exemplo para mim sendo o Mega Man: Maverick Hunter X). É um excelente começo para trazer de volta à vida uma das séries de culto da Capcom e também uma compra imprescindível para qualquer amante de jogos retro ou de acção. Quem saiba, talvez no futuro eu acabe por ver um novo Strider com este mesmo nível de qualidade.
9/10 -- Recomendado