

No âmbito dos videojogos licenciados, não são apenas os filmes e as séries televisivas que recebem adaptações sob a forma de jogo mas também as bandas desenhadas, basta fazerem uma simples pesquisa na internet para verem a quantidade inumerável de jogos que personagens da nossa juventude como o Homem-Aranha, o Batman e os X-Men têm (do Super Homem quanto menos se falar melhor). Entre todos estes heróis e muitos outros temos Hellboy, que acabou de ter um novo jogo para as consolas da sétima geração sete anos após a sua estreia no mundo dos videojogos, e apesar de deixar imenso a desejar, certamente será melhor que o seu jogo de estreia.
Eu não sei muito sobre o personagem em si pois ao contrário de muitos miúdos eu não cresci a ler bandas desenhadas de super heróis durante a minha infância e adolescência, mas pelo que soube, Hellboy é um demónio que foi trazido para a Terra por Nazis com o intuito de o usarem para obter vitória na segunda guerra mundial, no entanto, ele é descoberto pelas forças aliadas que acabam por acolhe-lo e com o passar do tempo e enquanto cresce, Hellboy decide ser num investigador paranormal e acaba por se tornar num dos melhores de sempre.

Agora em relação ao jogo em si eu posso começar por dizer algo, Hellboy: The Science of Evil é um beat-em-all, é uma boa ideia e não vejo porque não, se as Tartarugas Ninja, os X-Men, Cadillacs and Dinossaurs e até a série Alien versus Predador tiveram todos excelentes beat-em-alls porque não o Hellboy? A verdade é que por muito boa que fosse a ideia a sua execução foi, digamos ,mal feita.
Para começar, o sistema de combate é derivado de ataques formulados através de combos que são efectuados com as mais diversas combinações de botões possíveis, muito escusado, o jogo é tão fácil (até demasiado) que se acabamuito bem a utilizar apenas o botão de ataque principal, só vale a pena utilizar outros para tarefas elementares como restaurar energia e arremessar inimigos. Todo o jogo e digo todo consiste em derrotar hordas de inimigos e abrir portões e caixões, entre outras coisas, não existe qualquer variedade e tal repetitividade é reciclada vezes sem conta durante seis níveis. Sim, para um jogo que está enfiado num Blu-Ray de 25 gigas, só se têm de completar seis níveis para terminar o jogo mas o pior é que maior parte dos níveis (particularmente o primeiro) são demasiado longos, combinando isto com a repetitividade é o suficiente para dar cabo da paciência de qualquer pessoa.

Hellboy tem ao seu dispor uma pistola que pode ser usada em combate e em muitos casos esta deve ser utilizada para atravessar determinados obstáculos com o uso de diferentes tipos de munição que existem. Esta pistola vem acompanhada de um auto lock-on que é também aproveitada no arremeçar de inimigos, mas este lock-on consegue ser muitas vezes pouco credível por nunca colocar a mira onde pretendemos, o resultado é que se tivermos de destruir um regenerador de inimigos, as hipóteses de acertarmos nele são um bocado baixas quando aparecem cerca de cinco ou seis inimigos no mesmo ecrã e a atacar-vos.
Pelo decorrer do jogo existem objectos que desbloqueiam extras e aumentam a energia de Hellboy, mas eu pessoalmente acho que não vale nada tentar, dado que isso tornaria o jogo ainda mais fácil do que já é e também porque muitos desses objectos são dificílimos de se encontrar. Nem tudo por aqui é mau, o jogo pode ser jogado no modo de história em co-op com três pessoas off e online, as personagens alternativas sendo Abe Sapien e Liz Sherman.

Os gráficos não são muito bonitos, são demasiado escuros e dá a sensação de que as texturas não estão muito elaboradas e tal como a jogabilidade em si os cenários são bastante repetitivos. O jogo sofre também de uma framerate terrível e o jogo abranda quando surgem demasiados inimigos no ecrã, algo que eu nunca pensei que seria possível neste momento numa PS3, especialmente quando se tem em consideração o poderio gráfico e de processamento desta.
Os actores responsáveis pelas vozes dos personagens do filme voltam novamente para dar um belo voice-acting aos personagens do jogo, achei que o voice-acting estava espectacular no primeiro filme e as vozes assentam que nem uma luva nos personagens (principalmente no Hellboy em si) aqui no jogo também, infelizmente, eu receio não poder dizer o mesmo da banda sonora, é demasiado genérica e certamente não fica no ouvido de qualquer um.

Hellboy: The Science of Evil não é assim tão mau como muitos sites de análise profissionais dizem, não é um bom jogo mas também não é nenhum descarrilamento pois já vi bem pior, independentemente, não existe muito gozo a tirar dele a não ser que se jogue em co-op, mas também nós estamos a falar de um jogo que pega num dos géneros mais repetitivos e cansativos da história dos videojogos, e se bem que existem várias formas de evitar tal tradição, isto foi algo que os criadores de Hellboy: The Science of Evil não fizeram.
4/10