

Dão-me calafrios quando um estúdio fala em tornar um RPG menos dependente nas estatísticas e mais dependente no input do jogador. Um RPG é o que é -- um género que tem a sua génese nos antigos jogos de tabuleiro, e, como tal, estatísticas e acaso são parte do seu DNA. A habilidade do jogador deve estar em conhecer e saber manipular esses factores, não em ter boa pontaria ou ser rápido a carregar em botões -- isso são habilidades inerentes aos jogos de acção. Aproximar um RPG de um jogo de acção acaba quase sempre por diluir a experiência. Quase sempre. Space Siege, da Gas Powered Games, malogrado o nome e protagonista genéricos, não é o RPG que eu esperava, mas revelou-se uma surpresa agradável.
O jogo abre imediatamente num combate, um confronto entre os alienigenas invasores e os tripulantes da nave onde decorre a acção. O combate é imediatamente acessível, a nossa personagem está bem posicionada atrás de cobertura, acamera mostra-nos a acção do topo e ligeiramente inclinada, e o jogador só tem que clicar nos inimigos à medida que estes saem do corredor e a resposta do jogo é uma saraivada de balas. Num jogo em que o cerne da interacção é carregar em coisas, é crucial haver um bom feedback para manter o interesse, e Space Siege dá-nos feedback aos molhos.
Os feixes das balas trespassam aliens, derrubam caixas, fazem explodir botijas de gás; os extraterrestres contorcem-se, explodem, desviam-se e tentam sempre avançar mais um pouco. Em segundos notamos que temos uma barra no fundo o ecrã com vários botões - habilidades - e uma rápida passagem com o cursor revela o que cada uma faz. Um clique do rato para mover, um carregar de uma tecla, e a habilidade é executada; logo de inicio, a variedade é apelativa, com ataques corpo a corpo, ataques de longo alcance, e de larga área de efeito.
Os inimigos preferem quantidade sobre qualidade, e o resultado é que há sempre muita acção no ecrã, e, findada esta, temos direito a um campo de batalha carregada de espólio, que convenientemente se pode recolher com o pressionar de um botão. Até agora, o jogo é reminiscente de Diablo II, o clássico da Blizzard, e melhor elogio é difícil de fazer.

Embora a camera se possa aproximar para efeito dramático, a natureza
do jogo torna uma visão elevada e afastada muito mais prática.
Uma vez tendo objectivos, é-nos dado um parceiro controlado pela IA e seguimos pela nave adentro. Os gráficos não são particularmente detalhados, mas o facto de haverem tantos objectos e adereços pelos corredores dão-lhe muita personalidade. Cedo aprendemos a usar granadas para despachar grupos de inimigos, emedipacks para recuperar energia; a morte raramente é frustrante, visto que o respawn numa das muitas salas para o efeito é instantâneo e sem penalidades -- pensem nas vita-chambers de Bioshock. Mas genuinamente divertida é a forma como os inimigos são abundantes e se lançam a nós com ferocidade; pelo final da demo, via o jogo mais como um sucessor espiritual do clássico de Commodore Amiga, Alien Breed, do que como um RPG.
A sair no final de Agosto, Space Siege já tem um lugar reservado na minha playlist. Podem encontrar a demo aqui (via Gamershell).