

A série 194X da Capcom é uma daquelas que muitos tanto podem gostar como odiar. Pessoalmente sinto um pouco de ambos por ela, gosto da série por simular de uma forma melhor do que ocorrente as batalhas de avião da segunda guerra mundial e a sua simplicidade de jogo, odeio pelos jogos serem demasiado longos para uns simples shooters (38 níveis!) e por serem demasiado difíceis até ao ponto de chegarmos à brilhante conclusão de que estes jogos não foram feitos a pensar em seres humanos, são tão difíceis como a série Star Soldier da Hudson que é considerada por muitos como uma daquelas cujos jogos só podem ser terminados com facilidade por uma pessoa com poderes sobre-humanos.
Esta foi uma daquelas séries das quais eu me fartei devido aos seus condicionalismos ridículos, e no entanto, vi-me em tentação para jogar o remake do primeiro jogo da série chamado 1942: Joint Strike criado pelos grandes fãs da Capcom, a Backbone Entertainment, e tal como Wolf of the Battlefield: Commando 3, este mantém-se fiel à série da Capcom enquanto melhora muito daquilo que afastava muitos jogadores casuais, resultando assim num jogo mais acessível para várias pessoas, sejam casuais ou hardcore.

A mecânica de jogo aqui encontrada é tal igual como a de qualquer outro shooter, embora hajam umas pequenas diferenças. Para começar, de entre os três aviões que podemos seleccionar (um equilibrado, um com maior poder de fogo e outro com melhor resistência) todos eles possuem energia sob a forma de combustível (gasolina) que facilita muito as cruzadas aéreas pelas quais temos que nos orientar, e podemos alternar entre três armas diferentes durante o decorrer dos níveis: uma delas dispara tiros da diagonal e em frente (3-Way), outra dispara quatro metralhadoras em frente e a última só dispara para a frente mas com um bocadinho mais de força. Em adição a estas armas, podemos recolher também duas armas especiais devastadoras que permanecem activas durante uns poucos segundos, estas são granadas e mísseis e são bastante úteis para destruir aviões de maior resistência.
À medida que vamos destruindo inimigos, pontos vão-se acumulando e se não pararmos durante muito tempo esses vão crescendo ainda mais com a acção de multiplicadores de pontos que surgem com a destruição continua de inimigos, e para além destes referidos pontos, uma barra chamada clash vai aumentando com a destruição que causamos e pode ser depois utilizada na pior das situações para disparar vários mísseis teleguiados; e quando jogamos em co-op é executado um clash especial chamado Joint Strike. Temos também bombas ao nosso dispor para eliminar tudo o que esteja no ecrã (inimigos e balas) como já é habitual também neste tipo de jogos. Ao contrário do ridículo número de níveis que se encontra nos anteriores jogos da série, 1942: Joint Strike contém apenas cerca de cinco senão seis níveis; assim, há garantia de que ninguém ficará saturado de jogar o jogo, e os aviões já não são tão rápidos e imprevisíveis como nos títulos anteriores da série.

Fiquei muito surpreendido com os gráficos, certamente são melhores que os de Commando 3 apesar de haver coisas que podiam ter levando um bocadinho mais de detalhe, como as montanhas e alguma vegetação que parecem texturas simples vindas de um jogo Dreamcast. Os bosses são monstruosos, muitos deles chegando a encher quase todo o ecrã.
A banda sonora do jogo está mesmo épica, eu pensei por momentos que estava a jogar uma versão RPG táctica de 1942 quando a ouvi, é que não é uma cambada de arrangements feitos a torto e a direito, é mesmo uma banda sonora completamente nova e cheia de energia, relembrando-me de jogos como Turrican. Os efeitos sonoros são bastante realistas, principalmente os dos aviões a fazerem loopings e a voarem.

1942: Joint Strike é para mim talvez o melhor jogo de toda a série 194X, tal como os outros, não é perfeito, mas consegue ser equilibrado e não esgota uma pessoa com uma overdose de níveis e de button-mashing que tornou a série tão conhecida e massacrante; mais uma vez eu dou os meus parabéns à Backbone Entertainment por tornarem um clássico muito melhor do que aquilo que era, e espero muito deles em relação ao remake do Bionic Commando da NES.
8/10 -- Recomendado