

Deu-se recentemente na Europa a estreia do filme As Crónicas de Narnia: Príncipe Caspian, e como já era de esperar, um jogo com o mesmo nome foi criado para aproveitar a popularidade do filme e fazer alguns lucros, como já é comum em vários jogos licenciados. O problema é que são motivos como este que acabam por fazer com que o mercado dos videojogos fique saturado de jogo licenciados sem jeito nenhum, mas este mostra-se aceitável, apesar de ter potencial para ser algo melhor.

Eu nunca vi o filme nos cinemas, por isso não sei dizer ao certo se a história do jogo é fiel à do filme, mas pelo que percebi, a história decorre 1300 depois do primeiro filme onde o Príncipe Caspian encontra-se em risco de morte após o nascimento do seu primo que supostamente pode herdar o trono que Caspian herdaria. Após se refugiar numa floresta ao ser perseguido por soldados Telmarines, este invoca através de um chifre mágico os irmãos Pevensie do primeiro filme para o ajudarem a salvar Narnia.

O jogo é um Hack and Slash que contém certas porções com elementos de exploração e de puzzles, e não é nada muito fora do normal. É possível trocar entre vários personagens em tempo real para usarmos as suas diferentes habilidades que são necessárias para avançar em certas partes do jogo, mas tirando isso, não existe grande motivo para efectuar trocas dado que todos os personagens possuem as mesmas características físicas tanto em termos de agilidade como de força e todas partilham entre si a mesma barra de energia o que quer dizer que se estiverem perto da morte e quiserem trocar de personagem para escapar dela, continuarão com a barra de energia quase no fim como estava com o outro personagem.
Cada cenário do jogo representa uma vasta área que interliga várias subáreas nas quais têm de se completar missões para se poder aceder às últimas missões do cenário, e quando todas estas estiverem completas, um novo cenário é desbloqueado. É um bocado confuso à primeira mas torna-se simples após nos habituarmos. Os personagens podem também “pilotar” criaturas como gigantes e grifos, que se vão encontrando ao longo do jogo, e muitas das vezes estas criaturas são necessárias para resolver certas missões que não podem ser terminadas através de métodos convencionais. Adicionalmente, alguns inimigos só poderão ser derrotados com o uso astuto do ambiente que nos rodeia.

Existem várias arcas de tesouro que podem ser abertas pelo jogo fora com chaves que vamos encontrando com o decorrer deste, e muitos dos conteúdos são o desbloqueamento de conteúdo bónus como artworks. Os loadings são um bocado lentos e o jogo encrava por vezes neles,mas felizmente, o jogo efectua sempre auto-save antes de cada ecrã de loading.

Os gráficos do jogo estão admiráveis, existe muito efeito blooming espalhado pelo jogo todo para lhe conferir um nível gráfico semelhante ao dos jogos da sétima geração, isto funciona muito bem e de um certo modo aproveita bem as potencialidades gráficas da PS2, mas os fortes níveis de detalhe que o jogo contém conseguem ser tão pesados que acaba por se observar frame-drops abomináveis enquanto se joga, as jaggies têm uma presença ridiculamente forte e os modelos dos personagens encontram-se um bocado datados (sem contar com as suas aparições CG, se bem que os CG’s deste jogo não estão muito bonitos também).

O que me surpreendeu bastante neste jogo foi mesmo a banda sonora, quando eu a ouvi, julguei que isto ia ser mais um filme do Senhor dos Anéis, não é de estranhar pois a banda sonora tem aquele tom épico que se encontra nos filmes das excelentes obras de Tolkien, o voice-acting está igualmente bom embora alguns personagens como os irmãos Pevensie apresentem umas vozes mesmo estranhas fora de diálogo (quase de bárbaros).

È bom ver que a Traveller’s Tales esforçou-se ao criar este jogo, mas sinto que podia ter sido muito melhor no departamento de jogabilidade, ou seja, podia ter oferecido mais como talvez uns elementos RPG ali e acolá, algo que se observa muito hoje em dia com este tipo de jogos, apesar de não ser algo sensacional o jogo é jogável e tem um certo charme que dá gosto em jogá-lo, mas não estou a ver alguém agarrado a ele por muito tempo, visto que consegue ser curto. Mesmo assim, fans ou não do filme, As Crónicas de Narnia: Príncipe Caspian / The Chronicles of Narnia: Prince Caspian é um jogo agradável e que merece uma oportunidade em ser jogado, só não esperem é muito dele.
Recomendado -- 7/10