

Vamos voltar a 1985, entramos num salão de arcada e o que é que vemos? Gauntlet, Gradius, Ghosts‘n Goblins, Space Harrier e Commando. Apesar de todos terem um grande reconhecimento perante muitas pessoas, o menos reconhecido deles todos é Commando (Senjou no Okami no Japão). Um top-down shooter vertical ao estilo de Ikari Warriors da SNK, este jogo da Capcom foi considerado pelos fans da companhia como um dos seus melhores clássicos e também um dos mais difíceis. Cinco anos depois, Commando teve direito a uma sequela que era superior em todos os aspectos e com um nível de dificuldade mais equilibrado chamada Mercs (Senjou no Okami II no Japão).

Dezoito anos após o seu lançamento, Mercs viu uma sequela produzida pela Backbone Entertainment chamada Wolf of the Battlefield: Commando 3. Muitos podem achar que ter uma empresa do oeste a trabalhar num jogo pertencente a uma série que nasceu no Japão é um mau sinal, mas não é, acontece que muitos dos trabalhadores da Backbone Entertainment são grandes fãs da Capcom e foi graças a eles que tivemos direito a duas excelentes compilações de jogos da Capcom com uma qualidade arcade-perfect, e bom, sendo os fãs da Capcom que são eles não quiseram estragar a oportunidade de reviver um dos clássicos da companhia nipónica, e verdade seja dita, fizeram um trabalho muito bom.

A primeira coisa acertada que há em Commando 3 é a sua história que é simples e pouco desenvolvida, tal como nós sempre queremos nos nossos shooters pois neste tipo de jogos estamo-nos nas tintas para história pois o que queremos é rebentar com coisas à força toda.
Neste jogo podemos optar por três personagens, o gajo balançado (azul), o tanque (vermelho), e a ágil (verde), cada qual oferece uma experiencia de jogo diferente dado que as suas qualidades e defeitos podem por em jogo a forma como nos desempenhamos pelos níveis fora. Para além do tiroteio básico que podemos efectuar, também podemos lançar granadas, executar M.Crushes (este movimento elimina todos os inimigos que estiverem no ecrã) e pilotar veículos como tanques, jipes e turretas. Embora comecemos o jogo com uma arma, podemos recolher quatro outras diferentes (podemos usar apenas uma de cada vez) e melhorar o seu poder de fogo. Com o decorrer do jogo, encontramos jaulas que contem prisioneiros, e sempre que os libertarmos a nossa pontuação aumenta (algo semelhante a Metal Slug só que sem receber armas e comida).

O jogo possui uns pequenos problemas, a meio do segundo nível fiquei preso perto de uma falésia e só consegui sair de lá recomeçando o nível de novo, e algumas partes do jogo causam uma diminuição da frame rate. Além disso, o jogo acaba por se tornar repetitivo ao fim de um certo tempo, mas não é uma repetitividade agoniante como em Rocketmen: Axis of Evil.

Commando 3 usa um estilo gráfico cel-shaded para lhe conferir um aspecto mais cartoonesco, eu acho que isso funcionou muito bem, mas existem certas partes em que o grafismo poderia estar muito melhor, como em fontes de água.

Costuma-se dizer que nos shooters, dificilmente se presta atenção à musica, mas eu por acaso consegui prestar atenção a esta e eu achei-a muito bem-feita por ter uma sensação de jogo old-school e por ter energia, mas os efeitos sonoros são um bocado pobres, tudo o que se ouve é tiros e maior parte das vozes são sempre as mesmas, mesmo em inimigos diferentes.

Wolf of the Battlefield: Commando 3, é um jogo com muita ambição e boa qualidade apesar dos pequenos problemas que oferece. Eu acho que é um bom jogo e um daqueles que merece melhor atenção para quem desejar jogar em modo co-op. Não chega bem aos calcanhares de Commando e Mercs, mas a Backbone Entertainment fez aqui uma sequela que é fiel aos dois anteriores clássicos da Capcom.
7/10 -- Recomendado