

1982 foi um ano terrível para a indústria dos videojogos, pois nasceu um jogo que viria trazer a ruína para esta no ano seguinte. O jogo a que me refiro é precisamente o E.T. para Atari 2600, um jogo licenciado do mítico filme de Steven Spielberg que foi tão catastrófico que não só pôs um fim aos videojogos durante dois anos, mas fez também com que após o seu regresso toda a gente visse os jogos licenciados como produtos de péssima qualidade e que poderiam voltar a repetir a dita desgraça no futuro.
Então porque é que eu estou a falar disto? Falo disto porque hoje apresento-vos a análise de Kung-Fu Panda, um jogo licenciado no filme da Dreamworks com o mesmo nome e que estreou recentemente nos cinemas e o que posso dizer em relação a este é que é uma prova de que quando feitos como deve ser, qualquer jogo licenciado pode ser bom ou muito bom.

Por isso sim, existem jogos licenciados neste mundo que podem ser bons e Kung-Fu Panda é bom porque pega em dois géneros que levaram sempre muitos jogos licenciados na quarta geração dos videojogos ao caminho do sucesso, plataformas e beat-em-all’s.
Kung-Fu Panda é um jogo que nos conta a história de Po, um panda que aspira em se tornar num guerreiro de kung-fu, mais simples que isto não podia ser, mas eu gosto, lembra-me muito dos jogos de antigamente que não se encontravam sobrecarregados de histórias complexas e com demasiado diálogo, em que nos divertíamos em jogar os jogos por serem precisamente aquilo que queriam ser, jogos.

O jogo em si é um beat-em-all estilo God of War só que sem aquela carnificina toda e possui muitos segmentos de plataformas com os quais crescemos nos tempos do Super Mario 64 (trepar, pular, não é óbvio?). Existem alturas em que temos Quick Time Events que embora bem aplicados, apresentam-se em pequenas doses. Existe também alguma variedade no jogo pois iremos jogar com cerca de cinco personagens diferentes ao longo do decorrer do mesmo (não as podemos escolher) e uma delas oferece-nos umas sessões de voo para desenjoar da pancadaria e da acrobacia que fazemos na maior parte do tempo. Os movimentos do Six-Axis como sempre não valem nada em determinadas secções por serem lentos ou nunca responsivos como é costume, mas a minha maior queixa é que para um jogo de PS3, este podia ser bem maior. Se formos a ver, uma pessoa consegue acabar o jogo com muita facilidade em apenas quatro ou cinco horas.
Existem diversas coisas para coleccionar em todos os níveis, estatuetas, moedas que desbloqueiam artworks e moedas normais que podem ser usadas no final de cada nível para tornar Po e as suas habilidades mais poderosas.

Os cenários encontram-se muito bem detalhados e os gráficos fazem justiça ao poderio da PlayStation 3, os ecrãs de intermissão são acompanhados por um belo fundo de ecrã animado que usa um estilo de pintura semelhante ao de Okami e o pêlo dos personagens é talvez do mais realista que já vi até hoje num videojogo.
Ora sendo um jogo que decorre na China, o mais natural é ouvirmos umas belas melodias ou musicas ao estilo deste país, certo? E tudo isso nós ouvimos, tudo num bom e velho estilo oriental que captura a essência musical da China, não é uma captura perfeita mas lá que é muito boa isso é. Os efeitos sonoros são muito animados e o vozes estão muito boas, aliás, acho que são também exactamente as mesmas vozes que foram usadas no filme, o que torna as coisas muito boas pois isso só demonstra o quanto fiel o jogo se torna em relação ao filme.

Em suma, Kung-Fu Panda apanhou-me de surpresa, à primeira um pensei que ia ser mais um jogo licenciado mau ou genérico prestes a encontrar o seu destino no caixote do lixo mais próximo, mas no final, fiquei bastante surpreendido pela positiva, se procuram mais um bom jogo para a PlayStation 3 então Kung-Fu Panda é o vosso jogo. Há jogos que não podem ser julgados pela capa ou pelas suas origens e este é um deles.

8/10 -- Recomendado