

Apesar de ter sido popularizado por Resident Evil, muitos consideram que o género dos survival horror nasceu e difundiu-se um pouco pelo mundo fora com Alone in the Dark, uma pequena série de jogos de computador em 3D na qual assumíamos s o papel de um investigador paranormal chamado Edward Carnby. Pode-se dizer que os três primeiros jogos da série foram os grandes marcos desta mesma e são ainda hoje considerados como clássicos se bem que não envelheceram nada bem com o tempo (tanto em gráficos como em jogabilidade), o quarto capítulo da série melhorou muito ao adaptar um motor de jogo semelhante ao dos que se encontra nos Resident Evil old school, mas acabava por ser um jogo um bocado aborrecido ao fim de um certo tempo.
Agora em 2008, chega-nos uma nova entrada na série, uma entrada que tem sido aguardada com ansiedade por muitos jogadores devido ás novas decisões de conceitos e inovações que a Atari decidiu trazer para a série com esta entrada.
Infelizmente, tudo o que temos visto de agradável para o novo jogo parece apenas coincidir com as versões Xbox 360 e PC (a versão PS3, embora não seja de raiz, está a ser desenvolvida pela mesma companhia) que se encontram a cargo Eden Games, porque a versões PS2 e Wii dirigidas pela Hydravision Entertainment não fazem qualquer justiça (embora não seja algo abominável) a todo o doce que presenciámos nos trailers e imagens do jogo, não falo em termos de gráficos ou sonoros mas sim na parte onde magoa mais, a jogabilidade.

A história do jogo começa num apartamento onde o nosso herói Edward Carnby se encontra meio inconsciente numa das habitações juntamente com um bando de homens misteriosos, essencialmente isto é tudo o que há a dizer, nós começamos o jogo sem saber uma única ponta do que se passou antes desta cena e não dá para perceber muito bem do que é que os homens estão a falar, gostei de um certo modo desta aproximação pois ajudou-me a ficar intrigado o suficiente para querer saber logo de seguida o que se passava ali mas acho que isto pode acabar por ser muito confuso para alguns.
Para um jogo de PS2, eu achei que os gráficos estão muito bem detalhados e os efeitos especiais e de iluminação estão bastante agradáveis, contudo, existem muitas ocasiões em que o jogo sofre terrivelmente de quedas de frame rate principalmente quando há demasiadas coisas a passarem-se no ecrã, para além disso, eu achei que os modelos dos personagens podiam ser mais trabalhados.

O som e a música são talvez os pontos mais fortes aqui do jogo, admito que houve certas faixas que eram repetitivas e aborrecidas mas maior parte das composições musicais estão surpreendentes e os efeitos sonoros ajudam muito a captar a essência de medo e tensão que o jogo nos quer transmitir, as vozes é que podiam estar um bocadinho melhores, pessoalmente, eu achei que o Carnby parecia um mafioso velho e amador a falar e não um gajo totalmente badass como no Alone in the Dark: A New Nightmare, mas são aceitáveis no geral.
E é aqui que chega a minha grande queixa, a jogabilidade. Antes de começar a falar dos factores desta que prejudicam muito este jogo, eu gostaria de afirmar que realismo não falta, e isso para mim é um grande feito; existem certas ocasiões nas quais nós temos de apagar fogos e tal como na realidade o fogo vai-se alastrando se não for apagado rapidamente ou como deve ser e quando somos magoados por fissuras vivas (sim, fissuras que estão vivas) e humanos possuídos nós podemos ver as feridas que o Carnby sofre no próprio corpo e até com algum detalhe, ele até sangra pelo caminho e pode acabar por morrer se não se tratar das suas hemorragias. Podemos também pegar fogo a várias mobílias para usarmos como tocha e se não tivermos cuidado podemos sair queimados, gostei muito de ver a atenção que a companhia deu a nível do real no jogo.

Mas vai muito bom potencial pelo cano abaixo; é bastante dificíl orientarmo-nos pelos níveis, lembro-me que demorei uma hora no parque de estacionamento do apartamento a tentar descobrir uma maneira de abrir um portão que estava trancado, normalmente o mais óbvio é procurar uma chave (aquilo estava trancado com um cadeado) mas não, o objectivo era marrar com um carro no portão até ele se abrir, acho incrível só podermos abrir portas e portões à força bruta no jogos onde o menos esperamos/queremos.
O carro é outra coisa da qual me queixo muito, eu achei que andar de carro torna-se frustrante muitas vezes pela falta de resposta imediata por parte do comando e isto digo-vos já faz com que as marchas atrás sejam um verdadeiro inferno.

O sistema de combate é simples e divertido, consiste apenas em fixar nos inimigos com o L1 e atacá-los com movimentos imediatos no manipulo analógico direito com o uso de objectos como cadeiras e extintores, mas um problema que se coloca no combate e em todo o jogo é a câmara na terceira pessoa que é bastante incomodativa por não se encontrar na posição que desejamos na altura em que necessitamos. Jogar na primeira pessoa parece resolver este problema mas não dá para ter o olhar invertido que se pode activar no menu de opções no modo de primeira pessoa, pois sem qualquer explicação, só funciona no modo de terceira pessoa. A detecção de colisão é também um elemento que infelizmente é fraco, muitas foram as ocasiões em que o Carnby caiu para a sua morte por ter aterrado na ponta de um precipício ou varanda na qual dificilmente alguém cai, e o pior é que houve situações em que eu o vi preso numa parede depois de se agarrar a um cabo que supostamente seria impossível de se agarrar ao tentar saltar para uma varanda. Só com muita precisão e toneladas de paciência é que consegui evitar estes problemas irritantes.
O pior nestes problemas de colisão é que forçam-nos a recomeçar uma parte do capítulo a uma distância muito longa em relação ao sítio onde morremos, isto porque os autosaves sobre a forma de checkpoints conseguem ser muito escassos e distantes, tão inconveniente foi este problema que eu até me pus a imaginar um menu de save state de um emulador qualquer para PC a receber um postal meu do Alone in the Dark a dizer “I wish you were here”.

Em suma, eu fiquei muito decepcionado com esta versão do jogo por todos os problemas e inconveniências que traz a nível da jogabilidade, factor este que supostamente devia ser incrível e não agonizante ou aborrecido. Eu acredito que as versões Xbox 360, PC e PS3 vão-nos entregar tudo aquilo que este jogo prometeu em primeiro lugar e assim que a ENE3 tiver a oportunidade de jogar uma dessas versão, vocês ficarão logo a saber se são tão boas como esperavam, mas aqueles que querem ter uma excelente experiencia de medo e tensão vão ter de aguentar-se com esta versão se não tiverem acesso a uma das plataformas das versões de raiz. A versão PS2 não é propriamente horrível, mas também não é nada agradável.
Nota final: 6/10 -- Mediano