
È quase incontável o número de jogos que escolheram como palco a Segunda Guerra Mundial, pode mesmo dizer-se que o mercado se encontra um pouco saturado deste ambiente de guerra. Turning Point: Fall of Liberty teria sido apenas mais um, senão fosse pela forma algo diferente como aborda este tema. O título da Spark Unlimited propõe-nos uma realidade bem diferente daquela que todos nós conheçemos, e coloca-nos assim perante a morte do famoso lider inglês Winston Churchill que após ser atropelado por um táxi em 1931 deixa a Inglaterra sem uma firme liderança, o que por consequência levou ao dominio da Europa por parte forças do Eixo, que agora planeiam invadir os Estados Unidos.
Pois bem, enquanto jogadores encaramos o papel de Dan Carson, um comum heroi que é apanhado desprevenido pela entrada das forças alemãs sobre Nova Iorque e se vê assim obrigado a juntar à resistencia de forma a lutar pela sobrevivencia do seu país, uma história que acaba por ser um verdadeiro festim de clichés. Devo dizer que o nivel de abertura se revela provavelmente o mais espetacular de todo o jogo, sendo possível vislumbrar todo um caos, quer sejam; os gigantescos zepplins a largar paraquedistas, trabalhadores a cairem de arranha-céus ou edificios a serem violentamente bombardeados pela Luftwaffe alemã. Todo este clima intenso e cinematográfico veio porém a desvanescer no decorrer desta aventura, aquele que poderia ter sido um excelente ponto de partida acabou por nos levar por meandros repetitivos e extremamente lineares.
Turning Point: Fall of Liberty leva-nos a percorrer os niveis de uma forma muito restricta, são portanto comuns os momentos scriptados que nos obrigam a seguir forçosamente determinado caminho, retirando assim muito á liberdade de jogo. No entanto, tal falha seria colmatada se tais momentos fossem realmente diferentes e inesperados, o que não acontece, tornando assim toda a experiência muito prevísivel e pouco espectacular.
Após alguns minutos com o jogo é fácil perceber que Turning Point tenta copiar o sistema de jogabilidade de séries mais conceituadas dentro do género como Call of Duty ou Medal of Honor, mas sem nunca conseguir captar o primor e a atenção pelos detalhes de tais jogos, fazendo com que se torne aborrecido combater as hordes Nazis, não são portanto encontros nada empolgantes, mostrando-se por vezes algo frustrantes,o que retira grande parte do divertimento ao jogador. A inclusão de um sistema de combate corpo-a-corpo, ainda que mal aplicado, não é de todo uma má ideia, porém poderia ter sido um mecanismo mais aprofundado, pois ao agarrar um inimigo dispomos de apenas duas opções: tirar-lhe a vida, ou no segundo caso usá-lo como escudo humano, útil nas situações mais aguerridas. São igualmente constantes os bugs, uma inteligência artificial completamente incapaz (é normal observar os nossos inimigos a correrem para as granadas lançadas por nós, ou a atirarem-nas contra paredes próximas), uma detecção de colisão revoltante e um sistema de fisica inexistente, caracteristicas que relegam este FPS para a mediocridade.
Mesmo com a utilização do motor gráfico Unreal Engine 3, Turning Point: Fall of Liberty não dá nenhum sinal de alguma beleza ou cuidado no campo gráfico por parte da produtora. As texturas não são dignas da geração actual de videojogos, as animações acabam por ser extremamente pobres, são comuns os problemas com a framerate, mesmo sendo testado num sistema que cumpre os requesitos recomendados, apontando assim para uma má optimização, e aliás o titulo em si não faz sequer jus ás plataformas em que foi lançado.
A vertente multiplayer nem é digna de ser referenciada, não sendo de facto um ponto a favor, dispondo apenas de dois modos de jogo, são eles; Team Deathmatch e Deathmatch, para até 8 jogadores, e ainda assim os servidores estão vazios, algo que acaba por ser muito pouco dentro dos requesitos actuais, não compensa portanto as falhas da campanha a solo.
Turning Point: Fall of Liberty é no fim uma experiência inacabada, com uma qualidade técnica pauperrima, uma história mal aproveitada e recheada de clichés, personagens sem carisma, combates repetitivos. Este é um shooter que não se destaca em nenhum aspecto pela positiva, no fim, acaba por não conseguir competir minimamente com aquilo a que o mercado já nos habituou, sendo portanto incapaz de satisfazer o jogador.
Nota Final: 5/10 - Mediano