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Há poucos dias referimos aqui que para Miyamoto a originalidade na criação de conteúdos interactivos reside a ocidente, particularmente pela iniciativa a cargo de estúdios independentes conjugada com o acesso ao hardware e seu desenvolvimento. Na verdade, há muito que o ocidente rivaliza com os conteúdos marcadamente asiáticos e embora, assumindo diversas feições e estilos adequados aos consumidores europeus e americanos, seja mais difícil penetrar nos mercados orientais, estúdios como a Ubisoft Xangai procuram globalizar a indústria, aproveitando as valências de um país emergente como a China, potencial futuro grande mercado.
No entanto, é pelas escolhas dos consumidores que as produtoras sobrevivem e adquirem financiamentos para futuros projectos. Sem viabilidade ou certeza de escoamento no mercado há pequenos estúdios que, desprovidos de uma certa autonomia, amíude vão encerrando as portas, alguns injustamente.
Há pouco mais de um ano, numa entrevista à revista EDGE 173, quem atentou nas palavras de Guy Wilday, ex-director dos estúdios Sega Racing no Reino Unido e criador da famigerada série Colin McRae Rally, sentiu uma sensação refrescante de retoma e potencial sucesso de uma franchise conhecida, e que há muito não era devidamente acompanhada: Sega Rally.
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Algo particularmente gostoso em Sega Rally é a forma como os carros rasgam e
aprofundam os regos, nos pisos. Na neve, a primeira volta permite abrir o manto
branco acumulado, sendo audível o corte do mesmo, pelo deslize, enquanto uma
fina película branca é atirada para o ar e serve de rasto do automóvel.
Para Wilday, as expectativas de um jogo que estava a pôr à prova a criação de um estúdio pago pela Sega a ocidente, no Reino Unido, um baluarte dos jogos automóveis, eram enormíssimas. “Desde as pesquisas que fizemos, até aos consumidores que falámos, as pessoas não jogam pelos mesmos períodos que o faziam antes e jogam de modo diferente”. Acedendo a uma necessidade de tornar os jogos mais acessíveis e com mudanças imediatas, os estudos de mercado indiciavam um potencial êxito do Sega Rally next-gen, com muitos carros em corridas do tipo rally-cross (tudo ao molhe) em cima de pistas deformáveis como terra batida, lama ou neve fofa.
A estratégia da Sega-Sammy, numa ocidentalização cimentada pela aquisição da Sports Interactive e Creative Assembly, passava pela colheita de um acervo de especialistas com currículo projectado na produção de jogos automóveis e não só (Rare, Rockstar North, Codemasters e Climax) que fosse capaz de despertar a imagem da Sega dos dourados tempos da competição automóvel, quando Sega Rally 2 obrigava a picar o ponto nas salas recreativas.
Wilday, impulsionado e motivado com o projecto do novo Sega Rally que tinha em mãos e que lhe alargava as expectativas, já sonhava com um novo Out Run e até mesmo uma evolução do mítico Daytona USA; “never say never”, dizia.
Guy Wilday, respondendo, numa mesa de jornalistas,
durante a apresentação de Sega Rally
Esta visão prafentex, respeitada na obra que se mostrou exemplar a todos os níveis, especialmente numa recuperação de um estilo arcade, saudosista e ganhador (releiam a análise ENE3, entre outras, maioritariamente positivas) não foi suficiente para uma renovação da aposta no ocidente, nos especialistas britânicos da cena automóvel. Há poucas semanas a Sega decidiu encerrar o estúdo. Altos representantes da empresa alegaram que há uma margem de lucro necessária para manter os estúdios em funcionamento, e ao longo do plano de 5 anos de produção, o estúdio nunca assegurou um proveitoso retorno.
Mea culpa nossa, dos jogadores, dos estudos de mercado ou dos tempos, deles, a partida para a produção de um novo produto de software revela sempre uma terrível incerteza e com a chancela das margens de lucro numa indústria mais competitiva que nunca, estreita-se o cerco para algumas alternativas, como esta moderna incisão do Sega Rally. Na reportagem à EDGE, Wilday não foi suficientemente explícito quanto a um novo jogo que estaria a ser definido, nem se seria uma obra a transpirar novidade. Segredo dos deuses.
Enquanto isso, a Codemasters acolheu os mais de quarenta trabalhadores do estúdio Sega Racing, através de uma plataforma de entendimento com a Sega. Cabe agora à companhia britânica que pisca nitidamente os olhos ao mercado americano nas mais recentes produções, motivar neste grupo o selo da originalidade para novas escolhas que o grupo pode arriscar.