GOD OF WAR: CHAINS OF OLYMPUS - PSP
2 de abril, 2008 10:00 AM por Luis Magalhães
Kratos, o herói trágico da série God of War, já se tornou um ícone dos videojogos. A sua atitude agressiva, condicionamento espartano, e espírito atormentado por um passado que quer a todo o custo esquecer, fazem de Kratos a personagem perfeita para um jogo de acção pura e dura com pretensões cinematográficas. Chains of Olympus promete meter na palma das nossas mãos tudo aquilo que fez a série grande. Será que consegue?
God of War: Chains of Olimpus conta-nos uma das aventuras de Kratos, ao serviço dos Deuses do Olimpo, que se passa antes dos acontecimentos do primeiro jogo. Mas não se pense que é por ser uma prequela que o jogo está com meias-medidas. A abertura não podia ser mais épica, com o exército Persa e o seu monstruoso basilisco a invadir a cidade grega de Attica, e é Kratos a primeira linha de defesa. O jogador é largado logo na acção, e isto só demonstra os méritos do sistema de combate intuitivo -- passados alguns minutos controlamos Kratos tão bem como nos jogos PS2; apenas o usar de ambos os triggers em conjunto com o manipulo para os movimentos de evasão é que requerem mais habituação, mas rapidamente se torna a nossa segunda natureza. E para isso muito ajuda a forma exemplar como o primeiro nível está estruturado, alternando entre confrontos com vários tipos de inimigos, batalhas com bosses, e secções de exploração, de modo a ensinar-nos as nuances mecânicas do jogo sem nunca quebrar a ilusão e nos fazer perceber que estamos a jogar um tutorial.

A cidade de Attica, sob fogo persa, é o pretexto ideal para uma abertura épica com um piscar de olho ao recente êxito cinematográfico, "300".
CoO demarca-se através de uma impecável realização técnica; os cenários representam de forma fantástica o imaginário da mitologia grega. É impossível não se pasmar perante a magnificiência do templo de Helios, ou a escala dos abismos de Tartatus. Os produtores souberam utilizar o 16:9 do ecrã da PSP para o melhor efeito possível, fazendo grandes planos para o combate e depois afastando muito a camera para mostrar a magnitude dos cenários. Também as animações dos inimigos e protagonista são de elevada qualidade, dando ao combate uma espectacularidade e fluidez nunca vista numa consola portátil.
Os chamados quicktime events tem sido alvo de contestação pela critica recentemente, mas God of War sempre provou que, quando bem realizados, podem tornar um bom jogo ainda mais divertido, e CoO não é excepção.
A música, essa não é tão evocativa como a dos anteriores jogos da série, mas nunca é menos do que adequada, e o trabalho de voice-acting mantém a qualidade a que a Sony nos habituou, se bem que por vezes torna-se algo cómico perceber que Kratos parece ter apenas dois tipos de voz: zangado e muito zangado.
Naturalmente, Kratos evolui ao longo do jogo, e as camadas de complexidade adicionadas ao combate tornam-no cada vez mais delicioso. É fácil alternar entre armas, usar os poderes que adquirimos ao longo do jogo, evadir, bloquear, e combinar tudo isto de forma a criar um autêntico bailado marcial. A dificuldade do jogo evolui de maneira a exigir pratica e perícia, mas sem nunca se tornar frustrante. O prazer de dominar o sistema de combate, combinado com um leque variado de inimigos muito bem caracterizados e com os seus próprios padrões, forças e fraquezas, faz com que a acção nunca se torne monótona.
A variedade de inimigos já por si só é um ponto forte, mas o detalhe e fluidez das suas animações é de um nível inesperado numa consola portátil
No entanto,
God of War: Chains of Olympus é um jogo curto -- um jogador experiente levará cerca de 5-6 horas a ver o final. Se isto é bom ou mau, torna-se algo subjectivo; afinal de contas, trata-se de um jogo portátil, que muitos decerto preferem mais curto, e por outro lado, há sempre o argumento de que 5 horas de elevada qualidade e divertimento são bem melhores do que 10 horas com muita palha pelo meio. Seja como for, existem extras e modos de dificuldade avançados para incentivar o jogador a jogar mais vezes, mas não deixa de ser um pouco lamentável que uma aventura com trajes tão épicos finde passadas escassas horas. Ainda assim, não há volta a dar: estamos perante um titulo exemplar que revela opotencial da
PSP, e é sem duvida o melhor jogo de acção -- senão mesmo o melhor jogo, ponto -- disponível para a plataforma. Uma dádiva dos Deuses.
9/10 -- Recomendado