

Quando vi as primeiras imagens de Rocketmen: Axis of Evil, a primeira impressão com que fiquei era de que o jogo seria uma versão medíocre do mítico jogo de arcada Smash TV mas ao jogá-lo, apercebi-me de que tinha voltado a precipitar-me sem necessidade pois o jogo não era mediocre como pensava, se bem que não está longe disso.
Rocketmen: Axis of Evil é um híbrido entre shoot-em-up e RPG baseado no jogo de estratégia Rocketmen da WizKids e é facilmente comparável a jogos como o atrás referido Smash TV, The Chaos Engine e Alien Breed. Antes do jogo começar, este necessita que criemos uma personagem (sexo, raça, cores e nome) para controlar durante todo o jogo, após essa tarefa o jogo finalmente começa.

A mecânica de jogo baseia-se na dos shooters multi-direccionais como Smash TV e Robotron: 2084, ou seja, basicamente o que se faz é disparar contra tudo aquilo que se coloca no nosso caminho para podermos prosseguir sempre em frente. Nós começamos o jogo (ou melhor, apanhamos logo no início do primeiro nível) com uma pistola cuja velocidade de disparo e atribuição de dano é ridícula, mas ela vai-se actualizando á medida que prosseguimos no jogo. A pistola não é felizmente a única arma do jogo, podemos contar com várias armas como uma espingarda, duas metralhadoras laser e um lançador de discos cortantes, o grande problema e uma das falhas mais evidentes deste jogo é que as armas não ficam na nossa posse até ao fim do jogo, quando agarramos numa arma, esta permite-nos disparar tudo o que desejarmos (a munição é ilimitada) durante cerca de 15 segundos, após esse limite, nós voltamos para a inútil pistola de último recurso, o que nós podemos fazer no entanto, é apanhar várias armas secundárias (mísseis e granadas) que se encontram espalhadas por todo o jogo e ficar com elas.
Quando terminamos um nível, são-nos oferecidos equipamentos gratuitos que podemos tanto aceitar como rejeitar, e temos acesso a uma loja onde podemos comprar armaduras, actualizar armas, comprar objectos, comprar armas secundárias e fazer level-up da personagem, tudo isto com o dinheiro, experiência e matéria-prima que recolhemos com o decorrer do jogo.

Se morrermos num nível, nós podemos voltar á vida sacrificando (obrigatoriamente) um determinado número de pontos de experiência, tal como em Final Fantasy IX e World of Warcraft, e mesmo que não nos sobre mais experiência, o jogo continua a ressuscitar o personagem, isto quer dizer que podemos morrer as quantas vezes quisermos sem haver a preocupação de voltar para o inicio do nível como já é tradição de muitos jogos do estilo old-school.
O que acho bastante irritante neste jogo é a falta de liberdade de exploração, por vezes para obter uma medalha de ouro no final de cada nível, nós somos forçados a efectuar certas acções (acções estas que podem ser efectuadas com a ilustre arte do button mashing/bashing) como resgatar prisioneiros e desactivar minas, mas se nos esquecermos de um desses elementos e se o ecrã prosseguir em frente, a única forma de efectuar a tal acção nesse elemento é recomeçando o nível desde o inicio pois não existe nenhuma forma de voltar atrás. A repetitividade do jogo é também agonizante, há certos níveis nos quais perdemos a vontade de continuar a jogar só mesmo porque já damos connosco a fazer a mesma coisa e a lenta velocidade (o jogo é bastante lento a seguir em frente), se bem que o jogo oferece por vezes alguma variedade (há um nível em particular no qual nós lutamos numa placa de transporte aérea, e outros dois onde voamos de jacto num centro vulcânico e numa cidade), mas no fundo, é sempre a mesma história. O jogo não é também muito longo, dura cerca de 3 horas (10 níveis).

A banda sonora do jogo é também muito repetitiva e parece que lhe falta vida, mas o voice-acting do jogo está bom embora me relembre por vezes aqueles desenhos animados espaciais que foram elaborados para o público infantil em geral (Buzz Lightyear of the Star Command).
Quanto aos gráficos, bom, dá para ver que se encontram a par com os de um jogo da Xbox original, o que é compreensível até um certo ponto para um jogo de XBLA, o cell-shading do jogo está muito bom.

Sinceramente, não me resta muito a dizer sobre Rocketmen: Axis of Evil. É um jogo engraçado e não é mau, mas tem muitas falhas que acabam por torná-lo num jogo por vezes incrivelmente aborrecido, aliás, se não fosse pelos elementos RPG do jogo, eu ainda não teria acabado hoje numa só assentada. Acho que melhor pode ser feito neste jogo, e talvez cheguemos a ver isso na já planeada sequela, por enquanto, é melhor gastarem os vosso dinheiro em melhores opções no Live Arcade e deixarem este jogo para quando se encontrarem num dia sem algo em mente para jogar.
6/10