KINGDOM UNDER FIRE: CIRCLE OF DOOM - XBOX 360
15 de março, 2008 02:00 PM por Pedro Francisco
Hoje em dia muitos são os que choram pela morte dos beat-em-all, um género que ficou marcado por títulos como Final Fight e Streets of Rage e que tem sido desde então uma das melhores opções para sessões multi-jogador quer em fosse em festas ou em convenções. Na realidade, o género permanece vivo e tem evoluindo sob a forma de jogos como Devil May Cry, God of War e Dynasty Warriors, sendo Kingdom Under Fire: Circle of Doom talvez não só o mais recente exemplo como também um daqueles que se mostra ser uma experiência agradável.
A premissa de KUF é deveras interessante. Nible, senhor da luz, e Encablossa, senhor das trevas fazem um pacto no qual cada um reinava o mundo com o passar de cada época (cronológica) e moldaria esse mundo ao seu gosto, e quando uma época terminasse, um dos dois senhores substituiria o outro criando assim o balanço entre o poder das trevas e da luz e estabelecendo a paz no mundo. Mas com o passar dos anos, Nible revelava-se insatisfeito perante os abusos, torturas e explorações que Nencablossa aplicava às leais criaturas de Nible, e quando a sua altura chegou, o senhor da luz continuou a governar o mundo após o seu tempo ter terminado, quebrando o pacto e enfurecendo Encablossa. Encablossa enviou as suas legiões negras pelo mundo fora causando o caos, guerra e destruição por todo o continente de Bersia. Foi aquando destes terríveis acontecimentos que os heróis das forças da luz surgiram e participaram na guerra épica, terminando-a com a isolação de Encablossa nas trevas, mas os heróis desapareceram após o grande feito.
No início do jogo nós podemos optar por quatro personagens jogáveis, Kendal, o comandante militar da igreja de Ecclesia (o "tanque" do jogo), Regnier, o comandante da legião da trevas (o segundo "tanque"), Duane, um nobre narcisista (o "gajo equilibrado") e Leinhart, o príncipe meio-vampiro de Vellond (o "ágil mas mais fraco"), à medida que progredimos no jogo podemos desbloquear mais duas personagens, chamadas Curian e Celine.
A mecânica de jogo de
KUF consiste numa mistura entre
hack-n-slash,
beat-em-all e
RPG, o jogo em si até possui elementos semelhantes a jogos como
Baldur's Gate: Dark Aliance, ou seja, podemos apanhar todo o tipo de objectos e dinheiro que os inimigos aniquilados largarem até a um certo limite (falta de espaço no inventário), mas podemos depois vender esses objectos (ou até mesmo destrui-los) ou sintetizá-los de forma a arranjar mais espaço no inventário e a obter versões melhoradas dos objectos que já temos em posse. O combate em si não é nada de novo, dado que se baseia nas mecânicas de um
beat-em-all, e é bastante repetitivo, mas torna-se divertido aniquilar hordas de inimigos de diferentes raças e espécies, especialmente quando sabemos que ao fazê-lo nós estamos a acumular pontos de experiência que podem ser imbuidos nos parâmetros de
HP,
SP (magia e ataques) e
Luck (sorte) uma vez feito o
level-up da personagem. Durante o jogo, nós temos a oportunidade de enviar o nosso personagem (deitando-nos a dormir) para o
Reino dos Sonhos, onde ele poderá aprender novas e variadas habilidades (magias ofensivas e defensivas e ataques especiais) a troco de eliminar um determinado número e espécie de inimigos presentes no jogo. Convém mencionar também os
SP points, estes pontos são essenciais para se usar magia ou ataques, e somos impedidos de usar mais desses até a barra de
SP ficar completamente recuperada (esta vai recuperando gradualmente e a uma velocidade moderada). O jogo pode também ser jogado em modo cooperativo de dois a quatro jogadores, tanto em
offline como por
Xbox LIVE.
Infelizmente, o jogo tem também alguns problemas (para além da repetitividade). Eu gostaria de destacar em primeiro lugar a framerate do jogo que abranda consideravelmente quando se passam demasiadas coisas no ecrã, a falta de um botão de lock-on torna-se também algo frustrante e incomodativo, principalmente quando pretendemos atacar algo em particular sem correr o risco de falhar um ataque ou mais.
O nível gráfico do jogo encontra-se a cima do mediano mas abaixo do muito bom, os gráficos são muitos bonitos e cristalinos mas não se encontram a par de jogos como Mass Effect ou Halo 3, eles encontram-se essencialmente ao mesmo nível dos gráficos de Ninety-Nine Nights só que ligeiramente melhores, claro que existem no entanto certas zonas como a Forest of Embracing que encontra-se lindamente detalhada nas suas três primeiras regiões.
Gostei muito da banda sonora do jogo, causa aquela sensação de
Senhor dos Aneis dentro de nós e algumas das musicas são bastante relaxantes e encaixam-se muito bem com o ambiente que nos rodeia. O
voice-acting, mesmo sendo bom, não se encontra muito bem sincronizado com o movimento dos lábios das personagens (
lip-sync), parecendo um daqueles documentários dos canais da TV onde gravam-se por cima das vozes estrangeiras as portuguesas.
Na minha opinião,
Kingdom Under Fire: CoD é sem dúvida um bom jogo, mas podia ter sido muito melhor se alguns dos seus problemas em combinação com a excessiva repetitividade tivessem sido "limados" antes da finalização do produto. É uma aventura que oferece muita acção e diversão (10-15 horas de jogo), e sem dúvida, uma que deliciará os amantes de
RPG's,
button mashers e
beat-em-all's e uma boa adição para a biblioteca de jogos de qualquer pessoa.
7/10