
Este artigo foi originalmente escrito para o Mundo Universitário da primeira semana de Março. Fica aqui uma versão expandida, de acordo com o espaço ilimitado de que dispomos como publicação online.
21 de Abril de 2007 foi uma data especial para os amantes de videojogos em Lisboa e arredores. Foi quando abriu uma loja muito especial, no Bairro Alto -- a W GameStore. Mais do que uma comum loja especializada em videojogos, a W depressa se tornou um ponto de encontro para os fãs.
André, o dono, é jogador de longa data, e fez tudo para que a W fosse um espaço cultural e de diversão em que os jogadores se sentissem, realmente, em casa.
Os torneios W foram sempre um sucesso, forjando o tipo de amizades que resultam de uma competição saudável e divertida.
Sempre que entrávamos na loja, era impossível não sentir um conforto especial no fundo da alma: as pessoas que ali estavam, a jogar videojogos, a ver videojogos, a falar videojogos -- eram o nosso povo, a nossa gente. Há alturas em que estamos num espaço rodeado de pessoas que partilham os mesmos interesses, em que sentimos um género de irmandade inerente. A W Gamestore era um desses sítios.
Ao longo dos meses, muitos foram os torneios que se realizaram na W, desde dos jogos mais recentes, até aos clássicos. Incansável, André utilizou os seus conhecimentos e contactos para assegurar que alguns dos jogos mais aguardados eram apresentados e experimentados na loja antes do lançamento ao publico. O expoente máximo disso terá sido talvez o mais recente (e ultimo) evento do género, a estreia nacional de Super Smash Brothers Brawl, o tão aguardado jogo de luta para a Wii.
Na W, os fãs juntaram-se para jogar Metroid Prime 3 antes do seu lançamento. Que outra loja lhe possibilitará algo assim no futuro?
Apesar do espaço limitado, um dos cantos da loja foi dedicado à história dos videojogos, com um pequeno museu que reunia consolas históricas, algumas muito conhecidas, outras, autênticas raridades. Mais uma vez a loja demarcava-se do comum estabelecimento: era um espaço de conhecimento, de aprendizagem, um lugar onde se podia falar e conhecer mais acerca de videojogos. Mas nunca esquecendo que a loja era um espaço comercial -- a W prestava serviços únicos: assinatura de revistas; facilitação de compras online a quem não possuía cartão de crédito; aluguer do espaço de demonstração a grupos de amigos que quisessem jogar, online ou offline.
Modelo de clareza e organização, a loja destacava-se do aspecto atafulhado e confuso de tantas outras.
Exemplo de organização aliada à estética, o pequeno espaço da loja era perfeitamente utilizado, os expositores nunca constrangendo o utilizador, nunca deixando produtos por mostrar. Era fácil encontrar o que se queria, dava prazer andar pela loja e olhar para os expositores e para os jogos neles expostos. Até aí transparecia que, para os donos, o que ali se fazia era mais do que um trabalho, era uma paixão.
André e Maria, os donos desta loja inesquecível.
Infelizmente, esta história tem um final triste. A paixão não foi capaz de fazer frente ás grandes superfícies comerciais, e, a 23 de Fevereiro de 2008, quase a fazer um ano de existência, a W teve o seu ultimo evento, e fechou as portas, devido a prejuízos incomportáveis. E a responsabilidade, acaba por ser nossa, dos jogadores, que tão pouco damos o nosso apoio a estas lojas, só para poupar um par de euros nas promoções das grandes superfícies. A W já não pode ser salva, mas fica a lição para o futuro. Entretanto, todos podemos recordar (ou descobrir) os bons momentos deste ano que passou, através desta montagem feita pelo nosso editor de vídeos, Pedro Dionísio:
Caro Rui, o amigo deve estar a falar de outra loja, porque na W os malucos como o amigo chama, compravam jogos para ajudar o André a mantê-la. Os malucos, como o amigo continua a chamar, organizavam eventos na W para chamar mais gente. O André não me deixa mentir, eu comprei vários jogos na W, coloquei muitos jogos na loja para vender e dava uma percentagem ao André e sempre que possivel apresentava na W novos jogos.
O problema da W é o problema geral das pequenas lojas, ou seja, são as grandes superfícies, são as acessíveis lojas online inglesas que vendem jogos 30% - 40% mais barato que em Portugal e são pessoas como o amigo Rui que "Falam, falam, falam, mas nunca compraram nada na W".
É REALMENTE UMA TRISTEZA ENORME ,VER FECHAR LOJAS ESPECIALIZADAS DE VIDEOJOGOS,PRINCIPALMENTE QUANDO Á FRENTE DELAS ESTÁ ALGUÉM COM PAIXÃO PELA ÁREA NUNCA DEVERIAM FECHAR PORTAS.UMA LOJA DESTE GÉNERO,Á PARTIDA REUNIRIA TODAS AS CONDIÇÕES PARA DAR RESULTADO,MAS DEVE TER ACONTECIDO A VELHA HISTÓRIA DO EGOISMO(OS CLIENTES VÃO LÁ FALAR ,EXPERIMENTAR,ACONSELHAREM-SE,ETC.)E DEPOIS VÃO COMPRAR OS JOGOS ÁS GRANDES SUPERFIÇIES. SE ME PERMITE UM CONSELHO ,SE VOLTAR A TENTAR COBRE BILHETE Á ENTRADA,ESQUEÇA ANDAR A DAR PÃO A MALUCOS!!
Parabéns, amigos, e obrigado por tudo! =D
Fim???? exacto!! e isso que quero ouvir, e espero que nao tenha acabado aqui. A Wgamestore era sem duvida a Grande loja. Criámos uma familia, penso que posso dizer isso. Grandes pessoas conheci por la, o último segundo da loja apos a maratona de Brawl não me soube a despedida. Espero que tenha apenas sido um mau momento e que o sonho não termine por aqui.
Bottles por mais que tenha custado aguentar esta loja, penso que não estás arrependido destes 10 meses que a loja esteve aberta, e tenho pena que nem tenha chegado a fazer 1 ano. Felicidades para o novo membro, e para voces os 2 e que tudo corra bem, porque daqui a uns meses, ou anos espero voltar a ver este grande projecto renascido.