ARKADIAN WARRIORS - XBOX 360 - XBLA
5 de fevereiro, 2008 01:48 AM por Vítor Alexandre
Arkadian Warriors chegou em Dezembro último ao
Xbox Live Arcade (
XBLA) pela mão da
Sierra Online, tendo sido desenvolvido pela
Wanako Games que já nos trouxe jogos como
Ford Racing,
Assault Heroes e
3D Ultra Mini Golf.
Arkadian é um jogo de acção a três dimensões (embora o ângulo de câmara favorito se enquadre numa perspectiva isométrica) baseado essencialmente na exploração de permanentes masmorras, cuja componente de
role play, através do equipamento cedido à nossa personagem e evolução de indicadores, marca o ritmo e progressão.
Somos surpreendidos com a animação inicial, límpida, seguindo uma águia sobrevoando uma cidade de cariz medieval, tudo a três dimensões e com muita cor, enquanto uma terceira pessoa narra o que nos leva até tais paragens. A entrada é abissal, sendo fácil abstrair da presença de um jogo para o XBLA.
A premissa de Arkadian Warriors é algo mitológica. Três grandes soldados, com habilidades específicas como arqueiro, guerreiro e mágico, podem usar poderes especiais e despertar, respectivamente, uma Fénix, Leão ou Dragão, competindo-lhes ainda zelar pelo bem estar da população de Arkadia. Porém, um dia, criaturas maléficas invadiram a terra, espalhando a desordem, o caos, sendo por isso imprescindível convocar a melhor defesa possível. Imediatamente, ao dispor da princesa Artemis, três guerreiros prontificam-se para a árdua demanda: combater uma miríade de inimigos e liquidar o terrível Gorgon. Mas leia-se: combater hordas e hordas de inimigos em tempo real (mesmo isso, literalmente), cumprir o objectivo, voltar à cidade, equipar novas armas, melhorar o equipamento de defesa e bora lá para as catacumbas em torno de mais uma investida, enquanto que a nossa personagem melhora a experiência, alargando os índices de ataque, defesa e magia. Infelizmente a narrativa é escassa e dos poucos NPC’s que podemos interagir ou é para comprarmos material de combate (espadas, magias, poções, escudos, armaduras), sempre no mesmo sítio, ou então para tomar conhecimento de outra incisão nas profundezas. Falta interacção, mais dialogo, sentido e percepção do confronto em causa.
Esta simplicidade estende-se também à aquisição de experiência da nossa personagem, operada de forma automática. Vencendo inimigos de vários formatos e ataques a experiência da personagem sai enriquecida, dotando-a de mais capacidade para lançar magias, defender-se e atacar, tendo em punho armas eficientes, adquiridas na cidade. Pode-se bem dizer que este é o cerne do jogo, claramente vocacionado para a acção. Do primeiro ao último nível têm que sobreviver ao longo das masmorras, palmilhando metodicamente todas as áreas se querem ganhar tesouros – cifrões -, obter itens de saúde e magia, absolutamente indispensáveis, e cumprir o objectivo, que nem sempre é concluído pelo recurso ao boss colossal.
Se esta mecânica parece interessante de início e até ficam com a sensação que foram bem empregues os 800 MP que o jogo custa, volvidas 3 ou 4 masmorras completas são assolados por um sentido de repetição incrível que frustra a vossa curiosidade bem afagada inicialmente.
Onde está a diversão? Ponto primeiro: as catacumbas têm sempre a mesma configuração, muito idênticas, demasiado. Por vezes lá mudam as cores, alteram os objectos, mas é sempre a mesma coisa. Ponto segundo: destapam nova área (com a preciosa ajuda do radar que assinala a vermelho os inimigos, deixando no escuro as zonas não percorridas), abordam dezenas de inimigos e upa lá para outra área, e mais outra, do mesmo modo, e mais outra, até acabar. Depois sobem à cidade, equipam o moço, hábil no manejo das espadas ou em magia por exemplo, e voltam outra vez às profundezas, tentando controlar a energia e derrotar criaturas hediondas que até surgem de modo diversificado, requerendo abordagens bem distintas. Ponto terceiro: a interacção é escassíssima nos cenários. Bem que podem destruir muitos elementos que lá estão para ornamento, mas não há puzzles ou afins, senão saltar para uma pedra, abrindo portões de novas áreas. Fora isso não há nada mais a fazer.
Mesmo no que respeita aos golpes efectuados pela personagem, a utilização deles faz-se entre o ataque simples, do tipo
smash just one button, e o uso de magias. Teria sido mais interessante congregar os poderes divididos pelas personagens numa só, alargando as possibilidades pois a partir do momento que fazemos a escolha não mais podemos alterar a opção, a menos que façamos outra
quest com outra personagem. Sobra talvez o efeito mais interessante em combate; o poder que permite ao nosso herói transcender-se, tornar-se num ser poderoso, gigantesco, aniquilando tudo o que estiver ao redor. Um tipo de alter ego, apelo ao íntimo da criatura quando for mesmo necessário. O medidor que a faz extrapolar custa a preencher e só depois de vencidos imensos inimigos volta ao pleno estado.
São muitas missões que estão pela vossa frente, mas o esquema é de tal modo similar, sempre com a mesma abordagem, com fraca interacção nos cenários e pouca ou nenhuma ao nível dos
NPC’s que cada área a descobrir não tem mais nada para contar. Se quiserem podem até passar pelos inimigos a correr, partindo da ponta da masmorra até à outra num ápice, mas sem pontos de experiência não fazem subida de nível e ficam incapazes de derrotar criaturas difíceis ou recuperar objectos pedidos.
Visualmente é um jogo agradável com efeitos de luzes, sombras e cores num plano interessante, mas peca pelo elevado facilitismo e grande sentido de repetição no ambiente. A mecânica do jogo é escassa, embora não redunde como mal empregue, mas que por ficar associada a uma progressão terrivelmente repetitiva vai pelo mesmo canal.
Quanto ao multiplayer, tentei por diversas ocasiões encontrar uma partida on-line para aderir em co-op, mas de todas as vezes o servidor não mostrava jogos existentes.
Arkadian Warriors deixa uma experiência algo frustrante pela incapacidade em proporcionar verdadeiro divertimento, faltando improviso na mecânica de jogo e ambiente. Não é um mau jogo, não é, mas depois da reacção inicial (positiva) não consegue passar daí e tudo permanece incrivelmente idêntico. Com tantas opções no XBLA considerem aplicar o vosso saldo noutros títulos.
5/10 - Mediano