

É isso mesmo, um pirata com ar jovial e um... Alguém faz ideia do que se trata? Eu vou arriscar macaco propulsionado a hélice. Os titulares Zack e Wiki são um par interessante, o primeiro é um aspirante a pirata (que é como quem diz aventureiro que procura tesouros) e o segundo comporta-se como o seu inseparável amigo. E apesar de estas duas - como todas as outras no jogo- personagens serem bastante unidimensionais, e a história nunca oferecer mais do que aquilo que logo à partida já sabemos que nos espera, é fácil sentirmos apego ao jogo. Isto ajuda-nos a encarar com mais tranquilidade a quantidade de mortes e a frustração que vamos sofrer.
Frustração positiva, diga-se. Daquela que nunca nos faz sentir abusados ou simplesmente enganados. Se morrermos, o mais certo é não termos ponderado as consequências das nossas acções; e resolver um nível por inteiro é uma sensação que agrada, principalmente nos níveis finais.
Convém então explicar o cerne de Zack & Wiki: Quest for Barbaros' Treasure. Apesar de ter sido publicitado como uma aventura point & click, que tanto sucesso granjeavam em tempos idos (pelo menos, essa era a ideia que eu tinha), na verdade, Zack & Wiki: Quest for Barbaros' Treasure é um jogo de puzzles glorificado e rodeado de elementos que munem a resolução dos quebra-cabeças de sentido e propósito. E se isto vos soa mal, convém relembrar o ponto que referi à pouco. Este é um jogo exigente, cuja recompensa é a pura gratificação pessoal; não é a história limitada (mas fundamentalmente agradável) que vos vai impulsionar, nem mesmo a promessa de conteúdo por desbloquear (que vem às catadupas e é um regalo para fãs mais acérrimos da Capcom, mas que na prática pouco mais é que um repositório de imagens, informação e músicas) mas sim aquele sentimento que nos invade quando, após uns raciocínios enleados e algumas mortes exclamamos de surpresa e satisfação.
A jogabilidade é simples, utilizando o Wii Remote como dispositivo apontador podemos observar e interagir com o que nos rodeia. Esta interacção vai buscar as capacidades do Wii Remote, sendo muitas vezes necessário um manuseamento adequado (e análogo da acção que Zack está a executar) para obtermos o resultado pretendido. Dando um exemplo muito básico, se queremos baixar uma alavanca apontamos para esta, carregamos no "A", vemos a mão de Zack apoiar-se nesta e puxamos o Wii Remote como se de uma alavanca se tratasse. Para ajudar à variedade, qualquer "elemento" vivo pode ser transformando em objecto ou retornado à sua forma normal as vezes que acharmos necessário (utilizando Wiki como sino, não perguntem), o que permite muita flexibilidade no design dos puzzles, que são realmente diversificados.
Para além da história e das personagens, é de referir o humor dissimulado nos diálogos, muito apropriado ao estilo gráfico do jogo, que para além de ser cel-shading, utiliza a luz e as sombras de uma forma muito eficiente, sempre com cores vibrantes e cenários interessantes. Nada de muito impressionante, mas que apela ao olhar. Não tão apelativas são as "vozes" dos personagens, que não existem, sendo substituídas por algumas interjeições no inicio de frases, que variam entre coisas realmente apropriadas e os - irritantes - gemidos de Rose.
Despojado de músicas memoráveis, o som ambiente é apropriado e cumpre a sua função, certamente o campo em que a falta de orçamento dá mais de si. Não querendo com isto dizer que o jogo dê essa noção, aliás, a situação é a oposta, com uma mais que respeitável duração na "campanha" principal e muitos tesouros secretos e afins para descobrir depois de terminada a história. Como a "duração" do jogo depende, muito, de cada um, menciono apenas que podem esperar cerca de duas dezenas de níveis, espalhados por vários cenários diferentes.
No final, Zack & Wiki: Quest for Barbaros' Treasure serve a quem esta descrição agrade ou a quem procure um jogo diferente do habitual, pejado de boas ideias e que reaproveita conceitos de uma forma inovadora. É, sinceramente, melhor do que eu esperava.
8/10 - Recomendado
O jogo parece-me ser espectacular. A ver se faço uma vaquinha para comprá-lo.