
Recentemente entrevistado pela CVG, Suda Gochi dá a sua opinião sobre as condicionantes no desenvolvimento de No More Heroes e a sua visão da actual situação na indústria de videojogos ou o porquê de apreciar a sua relação com a Nintendo.
Mais uma vez se ressalva que o que encontram na entrada expandida não é mais que uma tradução da entrevista que podem encontrar aqui. E espreitem também para mais detalhes acerca da controvérsia das "versões" de No More Heroes, que são diferentes na Europa/Japão e Estados Unidos e o porquê do criador preferir a versão que chegará à Europa.
CVG: A maioria dos possuidores de uma Wii é bastante diferente da maioria dos jogadores encontrados noutras consolas. Qual a sua reacção a este facto?
Suda 51: Na verdade, fiquei bastante surpreendido com a essa realidade, pois antes de estar a fazer este jogo, não esperava que a Wii fosse uma consola apontada apenas aos não-jogadores. Esperava mais jogos para jogadores "hardcore". A realidade é diferente da que eu esperava.CVG: Isso preocupa-o?
Suda 51: Não, porque faço jogos para jogadores "hardcore". As pessoas que jogam os jogos casuais também se vão fartar deles e progressivamente virar-se-ão para jogos a sério. Pensava que quando No More Heroes fosse lançado esses jogadores causais quisessem tentar um jogo "hardcore".
CVG: Fica mais barato desenvolver um jogo na Wii que na Xbox 360 ou Playstatton 3. Este factor influenciou a plataforma escolhida para No More Heroes?
Suda 51: No More Heroes tem como alvo jogadores no mundo todo, não apenas no Japão, portanto tinhamos um orçamento respeitável. Não tão alto como alguns títulos Playstation 3 ou Xbox 360, mas em comparação com outros títulos Wii, o orçamento é mais alto.
CVG: No More Heroes foi bem recebido pela critica no Japão, mas infelizmente não vendeu tanto como você poderia esperar. Encara isso como um reflexo da situação antual no Japão?
Suda 51: Apesar das vendas não serem tão altas como eu esperava, outros títulos para a Wii também não estão a vender muito. Apenas os títulos da Nintendo estão a ter sucesso. E isto é verdade tanto no Japão como fora dele.
O feedback que temos recebido dos jogadores tem sido muito positivo, por isso espero que mais tarde as pessoas venham a ouvir falar do jogo e que o vão comprar. Portanto é isso mesmo que eu espero, que os jogadores discutam o jogo e que isso leve mais pessoas a comprá-lo no futuro.
CVG: No More Heroes utiliza as capacidades únicas da Wii de uma forma muito subtil. Esteve tentado a utilizar controlos baseados em movimento para todas as acções no jogo, tal como tem sido o caso noutros jogos?
Suda 51: Na verdade, enquanto estava a desenvolver este jogo, nunca experimentei outros jogos para a consola, pois não queria ser influenciado pelas suas decisões de game design. Estava convencido que no inicio da vida da consola, todas as companhias se focariam em utilizar os comandos por detecção de movimentos a toda a hora.
Mas eu sabia que as pessoas se fartariam dos controlos. Penso que o mais importante é manter as coisas simples e apenas utilizar os controlos para algo especial.
CVG: Porque considera que existem poucos jogos violentos "baseados em batalhas" na Wii?
Suda 51: Não sei. Considero que a Nintendo está contente com os meus jogos, mesmo, olhando para trás, com Killer 7 na Gamecube, e penso que são respeitosos com a forma como eu desenvolvo algo que contém violência.
Existe uma versão de Killer 7 para a Playstation 2, mas na verdade essa versão tem algumas sequências violentas restringidas, portanto a qualidade das versões é diferente.
E é pori isso que eu estou feliz por fazer jogos para a Nintendo, porque eles têm respeito pelo tipo de jogos que eu gosto de fazer.
CVG: Existem duas versões de No More Heroes, uma para os Estados Unidos e outra para a Europa/Japão, com a principal diferença a ser o conteúdo violento, que está mais presente na versão Norte-Americana. Qual a causa e qual das versões encara como mais fiel à sua visão do jogo?
Suda 51: Desde o inicio da produção do jogo que estávamos a fazer duas versões do título. Uma para o Japão e outra para a América. Portanto na verdade não existiram limitações. Não tivemos de alterar a versão japonesa, este era o plano desde o inicio.
O jogo é do género de acção, portanto a velocidade e o timing são muito importantes. Quando joguei a versão Japonesa, cheguei à conclusão que quando mato inimigos e as moedas saem a jorros o timing é superior. É mais rápido e o timing funciona melhor, portanto prefiro essa versão.
CVG: Considera que o nível de violência presente na versão americana é uma parte necessária do jogo?
Suda 51: Não considero que seja realmente necessário que a violência esteja presente. Quando estive a acertar os ultimos pormenores do jogo utilizei a versão Japonesa, e achei-a melhor por ter um timing, velocidade e acção melhores. Joga-se melhor.
Suda Goichi, muito obrigado pelo seu tempo.