

Chegou 2008, e decidi abrir o ano novo com uma atracção velha -- Power-Up, a coluna editorial da ENE3, está de volta. Um espaço regular dedicado aos jogos e à cultura de videojogos, sem pseudo-intelectualismos (esperemos!) nem elitismos. Porque escrever sobre jogos deve ser um tributo à diversão que eles nos proporcionam, e não uma tese sobre uma arte que ainda não se definiu como tal.
Para abrir o ano, neste novo Power-Up vou fazer um apanhado do estado das quatro plataformas caseiras, em quatro artigos, e falar do que gostava de ver mudado em cada uma delas, em 2008.
Comecemos, então, pela consola da Microsoft.
A consola da Microsoft entra muito forte em 2008. 2007 foi um ano de grandes lançamentos exclusivos, a maioria deles muito bem recebidos por critica e publico. E a grande maioria dos títulos multi-plataformas tiveram as suas melhores versões lançadas nas Xbox 360. A interface da consola também recebeu melhorias significativas, e os conteúdos online disponibilizados, tanto gratuitos como a pagantes, foram muitos e diversos. De facto, a qualidade do serviço online mantêm-se insuperável.
O grande problema agora é que vai ser difícil igualar este sucesso. A Microsoft não tem muita coisa anunciada para 2008, e não se sabe se por uma questão de segredo, ou de escassez de projectos. A coisa fica ainda mais negra quando a Bizarre Creations (Project Gotham Racing) e a Bioware (Mass Effect), produtoras de grandes exclusivos Xbox, foram absorvidas pela Activision Blizzard e pela Electronic Arts, companhias que certamente preferem ver os seus jogos lançados no maior número de plataformas possível. A independência da Bungie é uma grande machadada numa Microsoft Game Studios enfraquecida; certo que provavelmente a Bungie continuará a lançar exclusivos Xbox, mas a sua maior franchise parece ter sido parada por tempo indefinido -- spin-offs ou não.
No outono de 2007 a Microsoft lançou Halo, incontestavelmente o zénite do seu catálogo. A tarefa de o igualar ou superar em 2008 deve ser um pesadelo para os seus estúdios internos.
Neste ano, o que a Microsoft tem que fazer é não baixar os braços, e continuar a investida. Não se deixar descansar sobre os louros de 2007. É essencial apresentar projectos que excitem os jogadores, expandir os Microsoft Game Studios através da aquisição de equipas talentosas com ideias inovadoras. É importante que consigam variar a sua oferta para além de shooters na primeira / terceira pessoa e simuladores automóveis -- os géneros que dominam o line-up da Xbox 360, não obstante existirem alguns (bons!) representantes de outros géneros. Sobretudo a Microsoft tem que tornar o Live! gratuito. Os utilizadores de PS3 jogam online de graça. Os jogadores de PC, idem. Até os jogadores da Wii o estão a fazer cada vez mais. Não interessa se o serviço da Microsoft é melhor, se tem mais funcionalidade, se tem mais opções -- um jogador que compra um jogo deve ter o direito a jogá-lo online sem mais encargos, salvo o caso de jogos que requerem manutenção e actualização constantes, como um MMORPG. E o pior é que a maioria dos jogos Xbox 360 nem sequer usa servidores dedicados, pelo que a mensalidade não faz sentido -- basicamente estamos a pagar pelo privilégio de ter uma lista de amigos comum a todos os jogos. Útil, mas não vale 60-70 euros por ano. Microsoft, quebra esta barreira -- o dinheiro é facilmente recuperável através de publicidade e venda de conteúdos, que sem duvida vão aumentar com o aumento exponencial de utilizadores de Live.
O facto de Steam no PC fazer quase o mesmo de graça, e o serviço PSNetwork na PS3 se aproximar a passos largos, fazem com que seja cada vez mais difícil justificar a taxa a pagar pelo Live.
Mais concretamente em Portugal, o desafio é ainda maior. A Sony continua a liderar incontestavelmente no nosso país, por mérito de excelente marketing e um grande investimento nas localizações para português. A Microsoft Portugal tem tudo para estar à altura do desafio; tornar os seus produtos mais visíveis e acessíveis ao grande publico é a chave para continuar a sua investida no nosso mercado.
SOL, a leitura destes comentários é opcional, não obrigatória. Fico agradecido pelos... elogios: "desinteressantes e monótonos". Motivas-me a escrever mais e melhor da próxima vez! (risos)
Estes comentários são de facto espectaculares..... mas podiam fazer um grande favor a todos os outros leitores.. falem por chat ou telemóvel ou qq coisa assim.. deixem de nos chagar com estes testamentos desinteressantes e monótonos....
quanto ao artigo, eu tenho uma conta Gold e apesar de preferir que fosse de graça não me importo nada de pagar 60€ por ano. A qualidade do serviço compensa em muito.
Passando ao lado dos testamentos, há algum número de subscritores da Xbox Live, não os utilizadores do Silver, mas os que usam a pagantes o Online(Gold)?
Certo, interpretei mal então! A tua opinião foi mais do que bem-vinda e obrigado por responderes ao meu comentário. Continuamos o nosso diálogo mais tarde!
Só venho corrigir a tua percepção errónea da minha resposta: eu não levei de forma alguma a mal a tua opinião nem o teu comentário. Nem percebo de que maneira a minha resposta te induziu a pensar isso. Mas quero deixar bem claro que não é de todo o caso. Simplesmente quis exprimir de forma bem clara a minha opinião acerca do assunto.
São apreciados os comentários de todos os leitores, independentemente do seu teor ou opinião, desde que os conteúdos não sejam inflamatórios ou ofensivos.
Não me alongo mais no que diz respeito ao tema que estás a debater, pois como já disse acho que o fórum é o local mais apropriado. Não obstante, obrigado pelos comentários.
Não se trata de uma justificação desesperada. Os jogos providenciam conteúdos suficientes para todas essas análises: sociológicas, psicológicas, artísticas, formais, estéticas, filosóficas, históricas, semânticas, etc. Se damos tanta atenção aos jogos, qual é a razão? Qual a origem do seu fascínio? Quem os cria e porque razão? Estas são algumas das questões que se podem colocar inicialmente como ponto de partida para a descoberta deste fabuloso mundo. A própria indústria cresceu imenso em apenas (cerca de) quarenta anos de existência e não há como o negar. Se esta se tornou uma rede complexa que compreende milhões de jogadores, milhares de criadores e uma infinidade de mensagens, porque não interpretá-las (e) das mais variadas perspectivas? Elas próprias imploram pela sua compreensão.
Acredito que os videojogos tenham grande potencial e que vão evoluir a um nível superior, mas para quê fixar os nossos horizontes apenas no futuro se já dispomos de tantas produções capazes de atestar que este não é um meio desprezível? Não se trata de insegurança: trata-se de uma série de jogadores que cresceram intelectualmente e que começam a aperceber-se da enorme dimensão criativa e comunicativa dos videojogos - com os quais cresceram. Eu próprio tenho sido autor de algumas dessas dissertações e sou um jogador convicto assim como um assíduo leitor de alguns geniais exercícios que têm sido publicados.
Claro que condeno, igualmente, os exageros - porque os há. Há quem force demasiado a ideia de que os jogos já são uma arte quando na verdade os próprios criadores ainda não chegaram a um consenso. Reforço: eu próprio não tenho a certeza de que são Arte mas essa é uma discussão estéril e inconsequente. No plano do concreto, podemos dizer que já passou o tempo de interpretar os jogos de vídeo como um objecto oco e desprovido de sentido, um brinquedo para preencher os tempos livres. Quem não vê a sua complexidade, lamento dizê-lo, é quem não os compreende verdadeiramente. Até essa dimensão lúdica de que falas, o "divertimento" pode ser sujeito às mais diversas interpretações: sim, os jogos podem estar sujeitos às mais variadas discussões teóricas como esta que agora alimentamos. O videojogo não é de forma alguma um monstro pragmático e ininteligível. Todos estes textos, como o que agora escrevo, mais não são do que a partilha de uma série de ideias a seu respeito.
Vou procurar essa forma alternativa de comentar os textos, desde já agradeço pela sugestão. Só comentei a introdução porque o resto do artigo não me entusiasmou muito. Vi que levaste o meu comentário um pouco a mal pela forma como respondeste mas não escrevi nada com más intenções e se desejares não volto a comentar os teus artigos no futuro, Luís. Obrigado!
Eu não podia discordar mais da tua opinião. Acredito vivamente na complexidade e potencial do meio, e acredito também que o meio esteja a caminho de ser aceite como uma arte no futuro.
No entanto, a minha opinião é de que tratar o meio de forma sobre-complicada, como algo com uma complexidade que ainda não atingiu, é um erro tão grande ou maior como tratá-lo "levianamente". Tudo deve ser feito em conta, peso e medida, e não creio que faça sentido argumentar filosoficamente acerca de um meio que, apesar de todo o seu progresso, ainda está na sua infância.
Isso é um erro em que muitos fãs caem -- por sentirem, talvez, uma necessidade de justificarem a sua paixão, uma insegurança subconsciente para com o valor daquilo a que dedicam grande parte da sua vida. Quase como que um pai orgulhoso convencido que os rabiscos do seu filhote significam que ele tem jeito para Artes, ou será um grande engenheiro.
Quem está de fora sorri e abana a cabeça, com algum embaraço.
E acredito piamente que é assim que a maioria das pessoas -- pessoas com cultura e capacidade de apreciar arte -- encara as centenas de teses e divagações filosóficas escritas por jogadores inseguros por essa internet fora: com a condescendência dada a alguém que se está a esforçar demais para justificar algo que ainda não é justificável, que lhe atribui qualidades e significados que ainda não foram alcançados.
Para finalizar, digo apenas: os videojogos serão uma arte por mérito próprio, devido à sua evolução e crescimento, e não devido a quão poucos ou muitos textos existam a proclamá-los ou defendê-los como tal.
És, é claro, livre de ter a tua opinião, que eu respeito apesar de não concordar. Agradecia era que, a querer continuar este debate, o fizesses nos nossos fóruns, na secção Opiniões dos Membros, visto que a idéia aqui é comentar o conteúdo do artigo, e não o parágrafo introdutório.
Não podia discordar mais daquilo que dizes no primeiro parágrafo. Se por um lado os jogos de vídeo são uma forma de entretenimento digital, daí ser legítimo falar em "divertimento" como sinónimo do prazer que deles deriva, por outro trata-se de um meio complexo e que não deve ser tratado de forma superficial sob o risco de comprometer a imagem que se transmite deles. Independentemente de os jogos de vídeo se terem afirmado como arte ou não: trata-se de um Meio de Comunicação único, um canal de expressão artística e disso temos centenas de exemplos. Recorda-te que nenhuma outra arte se encontra totalmente definida, sendo que cada artista ou corrente de artistas a redefine no seu próprio tempo - e por isso atinge, ou não, o reconhecimento.
Não nos podemos prender aos decrépitos cânones modernos ou contemporâneos que estabelecem a compreensão do objecto artístico: nenhum deles prevê essa ferramenta ímpar que é o Computador (Sistemas Informáticos), como há cerca de um século atrás toda essa "tratadística" também não compreendia a utilização de uma câmara de fotografar ou filmar e no entanto hoje em dia o Cinema é reconhecido como a "sétima arte".
Não defendo, em todo o caso, que os jogos de vídeo sejam ou que se irão tornar uma Arte no futuro. Tão-somente compreendo que são um meio de criação superior e autónomo cujo valor e potencialidades se podem equiparar às da própria noção de Ars Major. São uma conjugação do que todas as outras artes nos oferecem dentro de um plano virtual moldável e interactivo: exploramos a sua arquitectura ou geografia livremente, reagimos ao seu acompanhamento sonoro, estabelecemos a nossa própria estética, decidimos o desenvolver das narrativas ou até o seu desfecho. É um meio singular que permite a visão de um autor e em simultâneo a percepção livre do seu receptor, daí poder (e dever) ser sujeito a uma análise igualmente profunda e abrangente, seja como uma arte, meio de comunicação ou indústria de entretenimento.
O que vejo aqui, e na generalidade das publicações, é a manifesta simplificação do tema a um nível de conforto no qual o jornalista ou amador sente liberdade para se poder expressar - acto amplamente reprovável e que em muito descredibiliza este excelso meio de comunicação e de veiculação de conteúdos. O facto de termos uma opinião pessoal não impera que tenhamos de ser levianos ao exprimi-la.
Por favor não fraccionem o fenómeno vídeolúdico a temos menores. Respeitem e esforcem-se para aprender aquilo que realmente o define - se tiverem paixão suficiente para isso...!
Obrigado por lerem.
Lá está... O serviço pode ser pago, mas as benesses que obtemos são muito boas e interessantes.
Para além que pagar 60 euros por ano não é nenhuma roubalheira.
Claro que se o serviço fosse de borla era muito melhor, mas por enquanto não me queixo muito.