
Ao iniciar o jogo e depararmos com a introdução e respectiva banda sonora, percebemos que estamos diante de algo épico. E é assim que começa este World In Conflict, de uma forma épica. Imaginem o nosso planeta como sendo um sítio em que o resultado da Guerra Fria foi o oposto daquilo que conhecemos hoje em dia. O muro de Berlim nunca caiu, a União Soviética nunca se dissolveu, e ainda teve a lata de invadir a superpotência rival, os Estados Unidos. Estes russos não têm mesmo vergonha, ao que parece. E é com esta premissa que iniciamos o nosso jogo, trazido até nós pelos meninos da Massive Entertainment, responsáveis anteriormente pela saga Ground Control.
Posso dizer que este é um dos mais bonitos jogos de estratégia que já tive oportunidade de jogar, com unidades bem detalhadas, cenários grandes e também muito bem detalhados, além dos efeitos especiais excelentes. Se este jogo se baseasse puramente só nos visuais, é de crer que qualquer pessoa, jogador ou não, se apaixonasse pelo jogo. Além disso, é um jogo que não pede um supercomputador para correr em condições.
Em termos de interface, na minha opinião, não podia estar melhor. Todas as opções de que precisamos estão bem acessíveis e ao alcance do nosso cursor, além de existirem os tradicionais atalhos de teclado para facilitar ainda mais a vida ao jogador.
Com isto não quero dizer que o jogo é simples. Não é bem assim. Acima de tudo, este jogo foi feito a pensar na componente multijogador online. É um jogo que se baseia muito em trabalho de equipa. Imaginem algo como Team Fortress ou Enemy Territory, em que cada jogador tem um papel fundamental no trabalho de equipa. Aqui acontece o mesmo. No jogo online, a verdadeira estrela deste jogo, temos alguns pontos que podemos gastar em unidades fora da nossa especialidade. No entanto, somos encorajados, como é óbvio, a gastar os pontos para melhorar as unidades que fazem parte do nosso grupo de especialização. O que se afigura particularmente interessante é a necessidade de manter este equilibrio de unidades, de forma a criar uma equipa equilibrada e coesa entre os seus jogadores, o que não é nada comum num jogo de estratégia. Um jogador que entra a meio de um jogo, por exemplo, terá as informações do jogo que está a decorrer e poderá ver onde melhor se inserir para ajudar a equipa. Esta mecânica faz de World In Conflict uma experiência muito agradável e acima de tudo divertida.
Para melhorar e facilitar a experiência online e o trabalho em equipa, o jogo vem com um sistema de comunicação VOIP (Voice Over IP) que felizmente funciona muito bem, permitindo aos jogadores a comunicação por voz, o que dá muito jeito para conjugar esforços no calor de batalha.
Quanto ao serviço online no qual o jogo corre, chamado Massgate, é muito bom ver que a Massgate passou algum tempo a trabalhar nesse serviço, pois é fácil de usar e apresenta algumas características que ajudam muito ao desenvolvimento de uma comunidade. Para os jogadores mais hardcore, existe por exemplo suporte para clãs, enquanto os jogadores mais casuais podem encontrar alguém do seu nível de experiência através de uma função de matchmaking. Além disso, ainda são disponibilizadas ferramentas para transmitir os jogos, numa espécie de emissão televisiva, para quem quiser assistir e tentar perceber como alguns dos melhores jogadores gerem esforços e que tácticas utilizam. Uma boa oportunidade para aprender alguns novos truques.
No entanto, apesar do grande ênfase na vertente multijogador, a vertente de jogo solitário não foi deixada para segundo plano. A campanha está bem estruturada, com a já referida invasão russa a território americano, mais precisamente em Seattle. A história é apresentada de várias formas, desde cutscenes no motor de jogo, briefings das missões no ecrã de loading e narrados pela estrela de Hollywood Alec Baldwin. Também podemos contar com diálogo durante as missões entre elementos das nossas unidades, com especial foco para algumas personagens que têm mais personalidade e estão lá para nos fazer sentir que nos importamos com elas, um pouco ao estilo da nossa relação com os nossos companheiros na série Brothers In Arms.
A campanha também serve como uma preparação para o jogo multijogador, pois a inteligência artifical do jogo coloca-nos em várias situações onde tenta simular um jogo com vários intervenientes humanos. Enquanto estamos instruídos de completar um objectivo, a IA coloca-se em determinadas posições de forma a que trabalhemos com ela, numa estrutura muito bem conseguida. Sentimos que tudo o que se passa no ecrã, toda a destruição e caos, têm sempre mão nossa, pois o jogo leva-nos sempre para diversas partes do mapa para cumprirmos novos objectivos, enquanto a IA toma controlo das unidades que estavam precisamente a ser controladas por nós.
No fundo este jogo satisfaz os viciados em acção, com todas as suas explosões e efeitos especiais diversos, com a sua jogabilidade rápida, sem ser preciso perder tempo a gerir recursos. É a Guerra no seu melhor, especialmente se jogada no modo multijogador.
Como principal ponto fraco, aponto precisamente o facto de ser demasiadamente virado para o multijogador, notando-se na forma como a IA interage connosco, fazendo-nos uma espécie de introdução ao que virá se jogarmos contra jogadores reais. Por outro lado, a IA inimiga não é das melhores que já se viu num jogo deste tipo. Em algumas circunstâncias poderão apresentar algum desafio, mas nada que um jogador de jogos de estratégia não consiga ultrapassar sem muito trabalho, embora algumas missões possam demorar algum tempo a serem completadas com sucesso.
No aspecto sonoro, de salientar que o que mais se houve são explosões, e que explosões!!! O som está excelente, e se possuem um bom sistema de som, alguém em casa até pode pensar que uma invasão está iminente. A narração de Alec Baldwin durante os briefings também está muito boa, fazendo lembrar um qualquer documentário do Canal de História. Destaque também para a boa prestação dos diversos actores que cederam a voz aos militares que nos vão dando instruções durante as missões.
9/10 - Recomendado