

Estes últimos dois meses deixaram-me de rastos, tal a quantidade de jogos com qualidade que desfilaram diante das minhas mãos. Mas o ano de 2007 não se fez apenas com jogos, tivémos ao longo do ano vários acontecimentos importantes, em Portugal e no estrangeiro que mudaram a indústria dos videjogos a nível nacional e internacional.
Ao longo deste texto, vou analisar convosco o ano de 2007, um dos melhores anos para esta indústria.
O ano começa com uma invulgar luta entre as duas mais improváveis consolas de videojogos, a Nintendo Wii e a Xbox 360. A consola da Microsoft entrou o ano como vencedora, mas em 2007 a menina da Nintendo acelerou e nunca mais parou. Do outro lado tínhamos uma super-consola que por causa de inúmeros problemas de produção aliado a um preço excessivo e ausência de jogos continuava a lutar. Falamos da PlayStation 3, uma excelente consola que permanecia (e ainda permanece) no terceiro lugar. Nas portáteis, a Nintendo continuava a dar porrada na Sony, com a pequena Nintendo DS a sair das lojas como se fossem pãezinhos quentes. O PC teve um ano bom mas só no final é que deu nas vistas com a saída de umas pérolas, mas continua como uma plataforma em constante mutação, que obriga os jogadores a actualizarem-se várias vezes por ano, situação que começa a ficar impensável com a actual posição económica mundial.
No que diz respeito aos jogos e continuando com o PC, os jogadores receberam este ano quatro pérolas: The Witcher, Unreal Tournament 3, Crysis e The Orange Box e alguns jogos com excelente qualidade, e nos quais eu destaco: Call of Duty 4: Modern Warfare e Gears of War. Outra novidade de relevância foram as novas placas gráficas concebidas para o DirectX 10 que vieram dar uma nova vida aos jogos. E finalmente o Steam, esse sistema que ninguém dava nada no início da sua vida e que hoje possui uma fila de espera para entrar no sistema, maior que as nossas filas para entregar o IRS. Fiável, excelente ferramenta de comunicação entre as produtoras e os jogadores, deixam a Valve e o seu menino numa posição de grande destaque nos próximos anos.
Mas a guerra dos jogos em 2007 foi tudo menos igual para todas as consolas. A PlayStation 3 lutou para conseguir jogos com qualidade que ajudassem nas suas vendas. A Nintendo Wii por seu lado lutava para encontrar o target dos seus jogos e a Xbox 360 passeou o ano inteiro, exibindo o mais possivel os seus exclusivos e as obras-primas que recebeu em 2007.
Apenas no final do ano é que a consola da Sony mostrou um pouco do seu poder com Uncharted: Drake's Fortune, Assassin's Creed, Call of Duty 4: Modern Warfare e Ratchet & Clank Future: Tools of Destruction. Se juntarmos o aparecimento da versão 40GB e respectiva descida de preço, ficamos com uma renovada consola que entrou finalmente na luta para o primeiro lugar. A consola também sofreu várias actualizações, mas a grande alteração vai ocorrer com o lançamento do Home em 2008. Na minha opinião, 2007 pode ter sido um mau ano para os jogadores no que diz respeito aos jogos, mas excelente para as produtoras que aprenderam com os seus erros e o resultado começa já no início de 2008 com um Burnout Paradise na PlayStation 3, mostrando ao mundo como se desenvolve um jogo que usa e abusa de todas as potencialidades da consola do blu-ray.
![]()
A Nintendo Wii não recebeu muitos jogos que ficassem na nossa retina, mas teve um final de ano fulminante com o lançamento de Super Mario Galaxy, Metroid Prime 3: Corruption e Super Paper Mario. De destacar o brilhante Resident Evil 4 Wii Edition que mostrou ao mundo a grande potencialidade da Wii para os jogos de acção / aventura. A Nintendo tem que definir com urgência qual o target da sua consola. Dizer que a Wii é para toda a familia pode estar a enganar-se a si própria e a enganar os consumidores. As vendas globais mostram que a Wii tem targets definidos. Primeiro os mais jovens e em segundo os mais adultos, e também nos permite ver que apesar de receber alguns títulos para hardcore gamers, não é uma consola preparada para eles.
![]()
Finalmente temos uma Xbox 360, intitulada como a raínha dos jogos em 2007 com Halo 3, The Orange Box, Forza MotorSport 2, Project Gotham 4, Call of Duty 4: Modern Warfare, Assassin's Creed, FIFA 08, Skate, BioShock, Mass Effect, TimeShift, Medal of Honor: Airborne e a lista continuava por muitas linhas. Foi também o ano da melhor actualização do Live que abriu finalmente as “Friend List” e ainda o ano do Live Arcade com o lançamento de excelentes jogos como por exemplo, Sensible World of Soccer, Every Extend Extra Extreme (E4), Boom Boom Rocket e Arkadian Warriors.
![]()
Nas portáteis, a Nintendo DS acelerou e não existe concorrência que a consiga alcançar e a PSP emagreceu e luta agora para conseguir convencer as produtoras a desenvolverem jogos adequados às suas potencialidades.
No que diz respeito à indústria de videojogos, tenho que destacar a compra da Pandemic e Bioware pela Electronic Arts, a fusão / compra da Activision com a Vivendi Universal e a saída do universo Microsoft da Bungie pouco tempo depois de ter oferecido à editora o maior sucesso da indústria, Halo 3. O caso do editor despedido do Gamespot também merece o meu destaque porque veio alterar profundamente a confiança que os leitores têm agora com as revistas / portais de videojogos.
2007 foi também o ano do descalabro da série Pro Evolution Soccer com o lançamento de um título que nunca devia ter sido lançado (pelo menos enquanto não estivesse completamente desenvolvido) e o reaparecimento da série FIFA e do inovador modo Be a Pro.
Finalmente foi um ano de mudança nas feiras de videojogos, o pico de notícias de Abril / Maio desapareceu com a mudança de data da E3, que por sua vez alterou o seu posicionamento, passando a ser mais virada para a indústria e imprensa especializada. Foi também o ano de explosão da Games Convention que se transformou na nova E3 mas que pode ter sérias consequências no seu futuro, por se localizar num dos países mais ambíguos no que diz respeito aos videojogos. A magia das feiras em Londres desapareceu, a famosa Tokyo Game Show continua demasiado longe e o evento X07 não saíu do papel.
Portugal é um país diferente de todos os outros no que diz respeito aos videojogos. Senão vejamos, é o único país do mundo onde se vende mais PSP que Nintendo DS e mais PlayStation 3 que Nintendo Wii e o único país do mundo onde hoje, um dia depois do Natal, os jogadores conseguem encontrar nas lojas consolas Xbox 360 e Nintendo Wii (nem todas porque a Worten recusa-se a vender ou então tem as consolas bem escondidas).
A Sony nos últimos dez anos realizou um excelente trabalho de marketing, aliado a um excelente relacionamento com as lojas de todo o país, publicidade nas televisões e rádios, acções com diversas figuras públicas nacionais e um excelente trabalho com a imprensa nacional. E não podemos esquecer que a Sony e a Electronic Arts são as únicas empresas a apostarem nas localizações dos seus jogos para a PlayStation 3. Os portugueses que não percebem o inglês têm agora a possibilidade de jogar de igual para igual os seus jogos favoritos. Com este panorama, o sucesso da Sony não podia ser diferente do actual, a empresa apostou no nosso mercado e tem estado a colher os frutos do seu trabalho.
![]()
Tudo seria perfeito se existisse correspondência das outras marcas, a Microsoft e a Nintendo. Esta última ainda mostrou um pouco da sua graça com alguns anúncios televisivos mas não basta, é preciso mais e melhor marketing da Nintendo para convencer os portugueses de que as suas consolas não são apenas consolas para crianças e que nem todos os seus jogos são para crianças. Contudo é preciso dizer que a Nintendo Wii está a vender bem em Portugal, pelo menos melhor que a sua irmã GameCube. Já a Xbox 360 é um caso muito estranho, está praticamente estagnada, não existe publicidade visível que consiga promover a consola e as lojas, editoras e distribuidoras nacionais não têm muita vontade de investir nela. O futuro da consola em Portugal é tudo menos risonho, a não ser que exista uma mudança drástica na atitude da Microsoft Europeia.
O ano de 2007 foi um ano de mudança na imprensa nacional. Com o aparecimento da Hype! que já é considerada a melhor revista de videojogos nacional, o desaparecimento da G4mers e lançamento da MyGames, e o destaque merecido da PTGamers que é lider nacional no online e que demonstrou como é possivel executar um bom e inovador trabalho com uma pequena equipa. Também em 2007 tivémos o aparecimento do Radical.MyGames que gerou a maior contestação por parte da comunidade online e o excelente desempenho do programa do AXN, Insert Coin que demonstra como é possivel fazer um programa “isento" num canal de cinema exclusivo da Sony.
E finalmente o relançamento deste blogue, o ENE3 que em poucos meses conseguiu um lugar de destaque na comunidade portuguesa de jogadores.
O ano de 2008 está quase a bater à porta e será o ano de viragem nas minhas colunas de opinião. As novidades são imensas e vão ao encontro do desejo dos leitores deste blog. Sei que não sou nenhum Brian Crecente, mas tenho plena consciência das minhas capacidades, por isso podem contar com a minha experiência de insider na indústria dos videojogos.
Um excelente ano de 2008 para todos!
Bom resumo é verdade, a parte em que tocas no PES dou-te toda a razão, é uma vergonha este PES2008 e sou sincero acho que a critica especializada foi pouco severa. Pelos fóruns espalhados por esse mundo só vejo é posts e posts a reclamar mas sempre me pareceu que a Konami não quer saber da comunidade para nada, depois apresenta propostas como a que vimos este ano. É sem dúvida a desilusão do ano, e já agora que raio se passa com o UT3? Não vejo pub, não vejo entusiasmo... será que o Team Fortress 2 levou todos os PC gamers? Bem não posso falar muito... visto que brevemente também me vou juntar no online do TF2 PC.
A falta de Pac-Man: CE e Space Giraffe na secção Live Arcade é no mínimo, perturbador! E não se fala na PSNetwork?
Bom resumo. :)
Bom texto, sem dúvida alguma o melhor que já li do Luís Andrade. Creio que ele foi capaz de integrar novos pontos de vista depois daquela discussão toda sobre Portugal ser o país Playstation e isso é louvável. Apenas tenho a dizer que, ao abordar cada consola em separado, nos devíamos cingir aos seus exclusivos e deixar os títulos multi-plataforma para outra secção do texto.
Sim, alguns títulos ficaram para trás... Flow, Gunpey, Space Giraffe, Folklore, etc... o mais estranho foi não haver nem sequer uma menção aos lançamentos de jogos para a PS2, consola que continua a ocupar um espaço significativo no mercado, seja o nacional ou internacional.
A questão do PES08 revela a decadência da Konami: vemos Silent Hill a ser passado a um estúdio Norte-Americano e Akira Yamaoka a gabar os métodos de trabalho dos seus colegas ocidentais; o seu franchise mais rentável a ser desperdiçado num dos piores títulos multi-plataforma de que há memória; Metal Gear 4 na iminência de mais um adiamento por razões pouco claras. Há algo que me preocupa no meio disto tudo.