
Terceira e última parte deste conto enternecedor. Scrooge foi confrontado pela sua vida passada e agora carrega o fardo da mesma.
Verdades foram ditas e Scrooge está de rastos.
Para terminar, passem a ler a última parte.
O relógio de Scrooge mostrava o número 360, mas isso era impossível! Como era capaz um relógio de marcar as 360? Três horas e sessenta minutos são quatro horas...
"360 bits é quanto marca a chamada Next Gen...percebes? Acabámos de entrar nela ao estilo de um reveillon, com pompa e circunstância e com direito a fogo de artifício! Mas será que foi algo notório? Sim, estamos mais reais e mais bonitos de se ver, mas e o resto?" A voz vinha do corredor e aproximava-se lentamente até que transpôs a porta para o escritório de Scrooge.
"Mas és igual a mim! Que bruxaria é esta?" Scrooge estava como cal, nunca esteve em tamanha situação, à sua frente prostrava-se um igual, um gémeo, um clone...mas ele não tinha irmãos. "Chama-me como quiseres, Giant Enemy Crab, Wii, não te rias ou RROD, sou conhecido por qualquer coisa, sou o futuro! Sou o real, o rápido...sou sempre o mesmo por culpa tua! OLHA PARA MIM! As pessoas babam-se a olhar para mim, mas não compram porque sou muito caro, porque avario com facilidade ou porque sou algo demasiado infantil. Mas o verdadeiro motivo é que sou sempre a mesma coisa que era desde há anos! Nem é preciso chamar o espírito dos videojogos do presente para confirmar, aliás, isto tudo é oxímoro. Enfim...Vais fazer uma viagem comigo, com o espírito do futuro hoje."
O seu computador começou a arrancar, o seu som de turbina enchia a fábrica toda e entupia os seus velhos ouvidos, automaticamente o computador iniciou sessão e dirigiu-se à internet e o website do youtube abriu-se começando a exibir um vídeo algo turvo onde se podia distinguir uma fábrica ao fundo, já decadente e esquecida por todos e pelo pai tempo. Ali podia-se ler "Encerrado" e os vidros estavam partidos. Possivelmente o seu recheio roubado. Ao lado, ao pé dos enormes contentores de lixo uma carcaça mexia-se lentamente ao sabor do vento, roupas rasgadas e falar sujo faziam indicar mais um vagabundo a sujar a cidade. Nevava como hoje e no jornal que cobria o pobre podia-se ler 25 de Dezembro, era Natal e não se via nada pela cidade, teriam esquecido o Natal ou este teria esquecido a cidade?
"Scrooge, as pessoas esqueceram o Natal por causa de ti, as pessoas deixaram de comprar os teus jogos, deixaram de jogar e de se divertirem, passaram a procurar divertimento barato noutros lugares, tão barato que o Natal rendeu-se ao seu ditado de ser quando o homem quisesse, esta data tornou-se efémera." Lamentava o clone de Scrooge.
"Sendo assim, não há feriado, todos trabalham! Adoro isto! E aquele sujo? Porque não o tiram dali?" retorquiu ironicamente Scrooge. "Olha melhor, não te lembra alguém?" disse o outro.
Um grito abafado fugiu da boca do Scrooge real, deixando-se cair na poltrona.
"Morreste ao frio e ninguém ligou, nem um enterro tiveste...estás contente?"
"Meu Deus, impossível...porquê? Serei assim tão horrível ao ponto das pessoas se esqueceram de mim? Dei-lhes jogos, diversão, tecnologia de mão beijada..." Uma lágrima fugidia caiu-lhe em cima de um papel riscado, "Isto era um plano de um novo jogo, um empregado meu propôs isto vai fazer um mês...Será?" Dizia, ao pegar no papel choroso.
"Bingo, as pessoas fartaram-se de sequelas e repetitividade...querem algo novo, tenta dar-lhes isso, vais a tempo de mudar."
Mudar, esta palavra ecoou pelo recinto todo, cada vez mais alto, até que um estrondo acorda de novo Scrooge. Era já de manhã e o fogo de artifício era largado, era Natal!
"Natal? É Natal? Tenho de fazer algo." Scrooge correu para o seu caixote de lixo e despejou-o, toneladas de papeis com novas ideias caíram no seu colo. "Prendas! Jogos novos, aqui vão vocês, fora o velho e dentro com o novo, meu velho!" Explodiu-se em gargalhadas enquanto introduzia os novos dados no computador. Assim que as férias terminassem, novos jogos seriam anunciados, finda esta aventura informática a mensagem "Feliz Natal" pisca no seu monitor, no seu relógio e no seu Game Boy, "Feliz Natal para vocês e para ti pai..."
Scrooge sai de casa e por entre pequenos e graúdos, grita desejos de boas festas a todos. Sempre sorridente parte em direcção ao cemitério onde está seu pai. Ainda com o Game Boy na mão, a neve parara.
"Um óptimo Natal cheio de presentes originais e uma excelente passagem de ano" por mim Blaze, e pelo Scrooge.