Para celebrar este Natal, decidi reler o clássico deste senhor e tal como ele mudar algo, talvez não mude o Natal, nem as vossas mentes, mas ao menos são cinco minutos bem gastos.
Como é claro, não irei transcrever a história completa, mas sim uma breve síntese dividida em três partes.
Estão então convidados para seguir para a entrada expandida e ler ou reler esta breve adaptação minha para os tempos e temas mais modernos.
O dia era 24 de Dezembro e a contagem decrescente começara ao raiar do dia, os segundos passados lembravam as múltiplas pegadas deixadas na calçada nevada da cidade, a música de hinos natalícios começou cedo também, qual chilrrear dos pássaros. E era assim que mais um dia de Inverno começava, feliz para muitos, triste para outros e insuportável para Scrooge.
Scrooge odiava o Natal e todo o seu saco emocional, a neve, o espirito, as pessoas e prendas! Dar prendas, cambada de interesseiros pensava ele! Para Scrooge, hoje era um dia de trabalho normalissímo e o que fazia Scrooge?
Este era um magnata dono de uma poderosa companhia de videojogos, dedicava-se a esta vida já à largos anos, desde o 8bit até às novas gerações; fornadas de jogos saiam das máquinas a ritmos alucinantes substituindo a bela da pastelaria natalicia, ali ninguém estava autorizado a falar do Natal ou a decorar o espaço de trabalho. "TRABALHO E DISCIPLINA", era o que dizia o único azevinho na entrada da área de produção.
A tensão de cortar à faca durou desde hora de expediente até a campainha tocar e todos começarem a sair.
"Feliz Natal! Boas festas! E muitos presentes!" desejavam já todos, fora da área de perigo, fora dos olhares de Scrooge, mas não dos ouvidos...
"Aqueles imbecis! Natal? De que serve festejar o Natal sendo pobre?! Devia-os correr daqui para fora..." resmungou o chefe aborrecido enquanto assinava papeis e via os planos para outra sequela de um jogo. De quando a quando fugia mais um insulto enquanto que a caneta deste rasurava ideias, sugestões de títulos ou de projectos originais para novos jogos.
A noite já ia alta quando o seu último olho fechou, Scrooge deu autorização a si mesmo para descansar um pouco, "Uma prenda para ti meu velho..." pensou mesmo antes de adormecer.
A sua mente viajava como um comboio a alta velocidade, jogos e mais jogos, passava-os como quem muda de nível, italianos de bigode, personagens cujo cabelo desafia a lei da gravidade falavam dos seus problemas enquanto que ouriços corriam à sua volta. Tudo isto sem qualquer produto alucinógénico, talvez tenha sido a tinta da caneta, o cheiro da borracha queimada, ou a centena de código informático que passava no seu computador até que tudo ficou escuro e uma voz ouviu-se ao longe despertando Scrooge.
"Acorda! Seu vendido, acorda!" Disse um vulto pixelizado no canto da sala. "Quem és tu e o que fazes aqui no meu escrotório? Seguranças!" disse o recém acordado, um pouco assustado.
"Não adianta, levanta-te daí e vamos dar uma voltinha ao passado. Ao teu passado e ao passado dos videojogos."
E dito isto, tudo à sua volta ficou distorcido e num redemoinho Scrooge deu por si num cenário não muito diferente, a mesma fábrica, neve, mas algo estava diferente, estava tudo decorado...
Azevinhos, bolas da cor do arco iris e música, uma musica silenciosa enchia o ar, como um hino em uníssono todos murmoravam cantigas de Natal enquanto trabalhavam, um homem forte e espadaúdo supervisionava as dezenas de trabalhadores de então, enquanto estes empacotavam as últimas remessas de videojogos prestes a sair para o mercado, era o seu pai e ao lado estava o pequeno Scrooge com os seus pequenos olhos vidrados num pequeno ecrã de um Game Boy, enquanto mordia a lingua os seus dedos moviam-se á velocidade da luz para conseguir mais uma vida e terminar o jogo.
"Papa, papa! Consegui passar o Super Mario! Agora já posso começar o Sonic que me deste, só temos de montar a Mega Drive. Jogas comigo depois?"
"Claro, mas o Sonic não dá para dois, mas jogamos outra coisa" ensinava este mais qualquer coisa ao petiz que parecia ter esquecido o pai e já andava perdido no meio das caixas do prestes a ser lançado Super Mario World.
"Eu fui assim...como era capaz de ser assim tão feliz? Que tem de feliz isto? Videojogos...é apenas mais uma fonte de dinheiro! Eu faço e as pessoas compram! E durmo bem à noite..."
Suspirava ferozmente o velho Scrooge. "Cala-te! Olha para ti agora e compara! Tinhas felicidade para dar e vender, o teu pai adorava-te e tinha grandes planos para ti, além de produtores, vocês eram jogadores...triste fado teve o teu pai...morreu de coração partido." Esta figura desconhecida feita de pixeis dava o seu sermão como se fosse um padre de missa estudada, sabia todos os detalhes de Scrooge e seu pai, sabia demais...
"Pensa rapaz, pensa e vê no que te tornaste, és o meu desgosto..."terminou a figura antes de desaparecer.
"Pai...?" Tarde de mais, Scrooge estava de novo sozinho à sua secretária e ao seu lado estava um Game Boy...