
Uncharted: Drake’s Fortune pede muito ao sentido de exploração, aventura e acção e por isso nada melhor que um tesouro perdido (o El Dorado) algures numa ilha da américa do sul (pela alusão aos espanhóis), para atirar o jogador de encontro a uma montanha russa de acontecimentos que se precipitam através de abordagens diversas dentro do espaço temporal de um dia.
Citando o navegador britânico Sir Francis Drake: Qualquer grande busca tem de ter um início, mas o acto de continuar até ao fim, até essa busca ser totalmente concluída, é o que proporciona a verdadeira glória.
Então, o que vos espera em Uncharted é uma aventura de plataformas e acção na terceira pessoa, seguindo a cadência cinematográfica de certos blockbusters do cinema americano como Indiana Jones, e que principia quando a nossa personagem, o jovem ágil e fisicamente em forma Nathan (Nate) Drake, descendente de Francis Drake, acaba de abrir um túmulo (supostamente do navegador almirante) a bordo de um navio. Do interior do sarcófago recupera um preciso diário que contém pistas e indicações para encontrar a cidade de El Dorado, que como se verá mais à frente não é uma cidade perdida numa ilha do atlântico, próxima da américa do sul, mas um tesouro de proporções verdadeiramente colossais.
Com Nate segue a bela jornalista Elena Fisher, de câmara em punho, patrocinadora da expedição e desejosa por fazer um documentário exclusivo sobre um dos mais valiosos pecúlios por descobrir. Pouco depois dos instantes iniciais uma terceira personagem junta-se ao casal. Ele é Victor Sullivan, aparentemente um amigo de Nate, que aos comandos de um hidroavião recolhe e transporta o grupo em direcção à ilha sugerida no diário.
Embora tenhamos três personagens que se juntam para o mesmo objectivo e em grande parte do jogo sigam ao lado de Nate, só em raros momentos uma das personagens secundárias é controlável. Basicamente Elena e Sullivan limitam-se a dar cobertura de fogo nos combates, o que até é vantajoso, mas é curioso que eles nunca sejam abatidos pelos inimigos (algo estranho), conservam-se.
A equipa de produção optou assim por colocar Nate no centro do jogo e tanto Elena como Sullivan estão lá, notoriamente, para apoiar, acrescentar diálogos e proporcionar momentos de corte cinematográfico durante as cenas animadas. Há, porém, breves ocasiões em que controlámos Elena, como sucede quando ela segue com Nate na moto de água, embora a mecânica pudesse estar melhor. Ou seja, controlamos a moto de água a partir de Nate, subindo o rio, mas para abater os inimigos que estão a disparar das margens é preciso parar a mota e fazer mira com Elena. Não é o sistema perfeito e até dificulta a progressão, mas cumpre.
Uncharted é um jogo de notórias influências, colhendo fórmulas já trabalhadas como Tomb Raider, Resident Evil 4, Gears of War, para, depois de adaptadas, assentarem num ambiente específico, de exploração e caça ao tesouro.
O jogo tem os seus momentos e segue rotinas, sequencias formatadas, actos que invariavelmente vão acontecer, numa abordagem que também se revela repetitiva, deixando no entanto a ideia que poderia ter desenvolvido e funcionado exclusivamente para um género ou estilo, para surpreender ainda mais o jogador. Uncharted funciona do seguinte modo: começam uma fase de exploração, observam o cenário, descobrem o segredo para se desenvencilharem e avançam para uma área onde muda o câmbio e à vossa espera estará um grupo considerável de inimigos que terão de aniquilar para seguirem em frente.
Findo o combate, a música empolgante sossega e voltámos à fase de exploração e observação, e assim sucessivamente. Porém, os momentos de exploração dificilmente tocam a dimensão dos puzzles e dificuldade dos primeiros Tomb Raider (principalmente o primeiro). Depois de aprenderem a dominar os movimentos da personagem, especialmente a forma como salta, trepa às paredes, se agarra em ladeiras e sobe por lianas, serão capazes de farejar e descobrir o que há para resolver em cada área mais apertada. Enquanto que em Tomb Raider era complicado descobrir uma saída e era maior a margem de erro como acontecia nos saltos (tantas vezes mal calculados, em direcção ao abismo) em Uncharted a exploração é mais simples, mecânica e rotineira pelo que raramente o cenário está concebido de forma a tornar-se problemático, sem vias alternativas para fracassar e não sair dali tão depressa. Mesmo na dificuldade programada para normal a passagem por certas áreas faz-se com uma perna às costas, por isso há tanta gente a acabar o jogo em pouco mais de cinco horas.
Por outro lado não abundam os sempre estimulantes puzzles e jogos de memorização, como sejam mexer em estátuas, afastar objectos (à lá Zelda) e os poucos que aparecem não oferecem grande desafio. Porém, onde o jogo ganha força, se separa de tantos e se mostra em todo o esplendor é na abordagem e representação da ilha (o ambiente de jogo) e no grafismo escolhido.
Os cenários são de uma beleza indescritível, atingidos por uma luz tão real que proporciona fantásticos contrastes e cores muito vivas. Nesse aspecto é difícil pedir mais. É de um verdadeiro espanto a caracterização da selva e a forma como as folhas se movem ao vento ou então à passagem de Drake. A concepção e arquitectura dos cenários está praticamente intocável, com grandes edifícios vetustos esmagados pela impiedosa natureza, sentindo o peso dos anos, em ruínas. Podem contar com grutas e sumptuosas escavações subterrâneas. Mas a possibilidade de circular e apalpar um ambiente tão polido, vivo, e com personagens detalhadas é de um passo gratificante.
A sequência dos combates, intercalados com exploração, representa um outro tanto do jogo. Inimigos espalham-se pelo cenário, escondem-se atrás de abrigos e, quando podem, por estarem em grande número, cercam a nossa personagem, complicando as possibilidades para causar reviravolta. O sistema de combate com armas de fogo é bastante similar a Resident Evil 4 e Gears of War, neste último caso pela possibilidade de ganhar cobertura através de esconderijos, evitando a chuva de balas adversária. Funciona bem e dá um carácter estratégico interessante e divertido sendo quase sempre necessário jogar à defesa nestas situações porque os adversários movem-se e mudam de abrigo quando as coisas se complicam para eles. O combate corpo-a-corpo, tipo melee, é um interessante complemento para garantir algum avanço e superioridade, mas deve ser usado com moderação e apenas para os casos em que os atiradores estejam abatidos. Contudo, o confronto directo não é um esquema muito aprofundado, nem se aproxima das técnicas exigidas para jogos dedicados.
À disposição de Nate existem pistolas, muitas munições perdidas em combate pelos adversários, metralhadoras, caçadeiras, granadas e até uma espingarda de longo alcance com óculo, o que garante formas enviesadas e menos repetitivas para derrotar até à última cabeça as legiões de inimigos. De resto não vão aqui encontrar bosses, como sucede em muitos jogos da Capcom que não abdica de confrontos especiais no fim de cada nível. O que podem é notar em alternativa um incremento de adversários e mais artilharia dispersa pelo cenário quando sentem que um capítulo do jogo está prestes a findar. Mas a cadência e ritmo da batalha são equilibrados, com muitas explosões pelo meio.
A utilização das virtudes do Sixaxis fica muito abaixo do esperado, embora seja útil lá para o final quando existe necessidade de sacudir inimigos que se atiram literalmente ao corpo de Nate. Fora isso pouco mais há de digno das capacidades do Sixaxis senão manter Nate estável quando atravessa um tronco sobre locais ermos. Esperava-se mais.
Outro traço distintivo de Uncharted é a ausência de informação no ecrã, exceptuando a indicação da arma utilizada e o número de munições restantes. O indicador de vida é assegurado pela transição das cores para cinzento e um rosto mais severo e de esforço evidenciado por Nate.
Podem contar também com uma série de quick time events bem espalhados pelo jogo, em momentos ocasionais e precisamente para vos apanharem de surpresa, sem insistências desnecessárias, servindo e muito bem para aquilo que deve ser o princípio subjacente: um teste à vossa atenção e reflexos.
Não há dúvidas que Uncharted, depois de reunidos todos os condimentos, revela-se um grande jogo, do melhor para a PS3 até agora. Um bom jogo, muito cinematográfico, apelativo, pejado de momentos de alto valor gráfico e propondo um desafio bastante recompensador. Articula muito bem as fases de exploração, aventura e combate, mas fica aquém das influências que recebeu por nunca ser capaz de mostrar mais, de nos surpreender verdadeiramente.
Faltou alguma ambição à equipa de produção para relegar mais além a fasquia. E deixou ainda alguma sede de mais aventura, pois acaba-se em pouco tempo. Num ritmo lento e pausado levei quase onze horas a concluir a obra. É pouco. Bem sei que deixei para trás algumas relíquias, tesouros e objectivos de combate por desbloquear, num claro convite a uma segunda vaga (e também uma nota para a vinda rápida do Home), mas é possível acabá-lo cedo, e sem outras opções como a componente on-line, corremos o risco de em pouco tempo relegarmos para a prateleira um produto que nos foi caro. Sublinhe-se por fim o esforço para garantir uma localização adequada. No nosso caso os diálogos em português são um valor acrescentado.
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Uncharted é assim um dos jogos a não perder neste Natal, uma grande aventura e, fundamentalmente, deixou em aberto e com espaço para crescimento uma nova franchise. Mas da próxima a Naughty Dog pode e deve fazer mais. Será então nessa busca que alcançará a verdadeira glória.
8/10 - Recomendado
oi a todos q joga o uncharted.eu gostei muito do jogo mas tem 3 dias q ñ consigo passar da fase das estatuas ja faltei desparafusar elas mas ñ consigo passar d jeito nenhum, mim ajude por favor!um abraço a todos amigos q jogam.
ola a todos! sera que alguem me podedar uma dica sobre como rodar as estatuas no jogo uncharted
Ola a todos.. eu nao consigo passar uma fase em que o Nate e a Elena descobrem que afinal o Sullivan nao esta morto (isto passa-se na biblioteca), depois tem que se rodar as estatuas (premindo o triangulo e rodando com o manipulo), e eu, por mais q tente nao consigo passar esse nivel.. podem-me me dizer como se faz?
mandem uma mensagem para o mail: gui_afonso_n@hotmail.com
ficarei muito grato!
Então Bravo, não vês que é mais bonito colocar o nome original, que o pelo qual todos conhecemos em português, "Em busca da esmeralda perdida", e a sua sequela "A Jóia do Nilo".
Este Uncharted não esconde nenhum dos clichés, até nessa capa mas apenas mais "moderno", herói destemido e jovem em busca de tesouros uncharted e com um jovem heroína(Kathleen Turner) que se junta a aventura sem grandes alternativas, até a caçadeira é reminiscente.
Por acaso, vêm ai a 3º sequela... "a lá" Harrison Ford/Indy.
Bruno - Creio que ainda não vi esse filme com o Michael Douglas, ou se vi não estarei a recordar agora. Obrigado pelo apontamento e sempre é mais um a juntar à lista das influências cinematográficas. ;)
Jorge - O 4 players está a descansar um pouco depois do final da 2ª série. No final do ano ou para 2008 deverá começar a terceira temporada. Daremos conta aqui.
Exclente análise. Além de ter dado gozo ao l~e-la, conseguíste transmitir tudo o que havia para ser contado acerca do jogo.
Em relação ao jogo, é bom, com excelente grafismo, mas tenho pena de terem enveredado por um caminho de mais acção e menos exploração e resolução de puzzles. Cometerem os erros que a série Tomb Raider estava a cometer (e em certa forma, se tirarmos o TRA, continua a cometer) que foi o de abandonarem um espírito mais solitário de exploração e de espanto perante o ambiente/natureza onde jogamos, e terem ido para um jogo de accão onde #de vez em quando" lá se lembram de colocar alguma exploração e puzzles.
Mas se virmos um jogo como um jogo de acção com vários toques de aventura, temos aqui provavelmente o melhor jogo da PS3 deste ano (talvez perca esse título para o R&C (no GameSpot não vai perder de certeza...))
PS: para quando um próximo 4 players podcast? O último já foi há bastante tempo...
O jogo fez-me lembrar o filme Romancing the Stone por ser passado na selva e pelo elemento de romance desde cedo anunciado. Muito agradável.
Gostei muito da tua crítica e mostraste mais uma vez que se pode escrever de forma simples, clara e concisa, mantendo um nível elevado na abordagem e sem ceder ao "facilitismo". Que mais se pode pedir?
Parabéns!
oi a todos q joga o uncharted.eu gostei muito do jogo mas tem 3 dias q ñ consigo passar da fase das estatuas ja faltei desparafusar elas mas ñ consigo passar d jeito nenhum, mim ajude por favor!um abraço a todos amigos q jogam.