

Fiquei um bocado desapontado com o Silent Hill 4: The Room, tinha tudo para ser mais um excelente capitulo na saga, excepto a jogabilidade, que estava cheia de elementos estúpidos e desnecessários como um caixote para guardar objectos, um sistema de combate “ferrugento” e inimigos fantasmagóricos mais irritantes do que assustadores
A partir do momento em que terminei o Silent Hill 4, eu rezei para que a Team Silent criasse um novo Silent Hill que fizesse justiça à série, mas a minha esperança foi morrendo lentamente quando soube que o próximo jogo da série não seria desenvolvido pela Team Silent mas sim pela Climax (a companhia responsável pelo excelente Sudeki para a Xbox).
Pois bem, dizem que a esperança é a ultima a morrer e foi o que me aconteceu com Silent Hill: Origins (Silent Hill Zero no Japão).

Silent Hill: Origins, a prequela do primeiro jogo da série conta-nos a história de Travis Grady, um motorista solitário que parte numa viagem para realizar uma entrega perto de Silent Hill, mas quando se aproxima da cidade para apanhar um atalho, uma figura misteriosa se coloca no meio da estrada forçando este a travar a sua carrinha da forma mais brusca possível não sabendo que estava prestes a entrar na experiência mais aterrorizante do sua vida.
O sistema de combate e a jogabilidade em geral voltam para as raízes que tornou a série Silent Hill tão popular, acrescentando o facto de que agora todas as armas (excepto as armas de fogo) que usamos correm o risco de serem quebradas se forem sobre-usadas, felizmente, o jogador pode optar por usar os punhos de Travis para um combate corpo a corpo eficiente caso não existam melhores alternativas.
O essencial da série regressa neste jogo, cansaço ao correr, nevoeiro, rádio com estática, inventário ilimitado, efeito de estática no ecrã e é claro a imersividade e experiência aterrorizante que encheu de paixão o coração dos amantes de filmes de terror.

A dificuldade do jogo em geral é moderada, mas a enfase em poupar manutenções é essencial se quisermos chegar longe, porque o jogo oferece situações que são bastante desafiantes, bons exemplos são a capacidade dos inimigos fazerem respawn pelas ruas da cidade depois de morrerem e a escassez de medicamentos. Alguns puzzles do jogo puxam pela cabeça, e outros não, mas são divertidos e únicos.
Como novidade na série, nós podemos interagir com vários espelhos que vão surgindo ao longo do jogo e que nos transportam para a dimensão alternativa e negra da cidade, estas situações remetem-nos para a busca de objectos chave indispensáveis para progredir no jogo.
Outras novidades incluídas são os QTE (Quick Time Events) que requerem tanto button mashing como bom timing para escaparmos dos monstros que nos agarram.

Creio que Silent Hill: Origins sofre um bocado na detecção de colisão, por vezes, nós entramos num QTE ao atacarmos um monstro de frente com uma arma corpo a corpo de longo alcance, mesmo sabendo que nos encontramos a uma distância não propicia para que decorra um QTE.
Eu esperava mais dos visuais, os personagens e os cenários não estão tão bem detalhados como nos jogos anteriores da série (excepto o primeiro claro), mas isso não quer dizer que os gráficos sejam maus, aliás, os gráficos estão muito bons para um jogo de PSP mas podiam ter sido mais trabalhados.
A componente sonora é como sempre uma das melhores partes de qualquer jogo da saga. Composta pelo produtor e compositor japonês da série Akira Yamaoka, a banda sonora assenta que nem uma luva aos ambientes escuros, solitários e claustrofóbicos do jogo, e os efeitos sonoros continuam a entregar aquele factor de medo e realismo que tem popularizado a série na sua capacidade de infligir uma verdadeira experiência aterrorizante, e o tema principal do jogo é simplesmente um dos melhores.

O jogo está cheio de extras (armas, acessórios e fatos alternativos). Existem também desafios no mesmo género dos achievements que se podem encontrar nos jogos de Xbox 360 que, quando completados, desbloqueiam os fatos que se podem usar na próxima vez que repetirmos o jogo desde o inicio, com isso mais os três finais diferentes que são possíveis obter, temos um jogo com um grande replay value.
Silent Hill: Origins não foi perca de esperança nenhuma, mas sim um jogo muito bom e embora não chegue aos calcanhares em termos de grafismo e longevidade (o jogo termina-se bem em 7-8 horas), ele é o exemplo definitivo do que o Silent Hill 4 deveria ter sido, e apesar de umas pequenas falha aqui e ali, o que temos aqui é terror portátil da melhor forma possível e um titulo digno de pertencer à saga Silent Hill. A Climax fez um bom trabalho, e espero que novo produtor da série William Oertel consiga levar a equipa a fazer algo ainda melhor com Silent Hill V.
8/10 -- Recomendado
"Climax (a companhia responsável pelo excelente Sudeki para a Xbox)."
Há uns dias atrás referiram o blinx como um dos piores jogos dos early dais da Xbox... bem, eu achei um título com defeitos mas algo intressante e inovador... agora este Sudeki está provavelmente no meu Top dos piores títulos que já joguei na consola, e eu que evitei mediocridade com muito esforço. Só se safou por ser um género em falta, senão levava a coroa do pior de sempre.
Starfox: Blinx, apesar de genérico e sem grande personalidade própria, supera Sudeki no absoluto. Uma desilusão.
Pedro Francisco: Como é possível utilizar um "mas sim", um "e embora" e um "e apesar" numa só frase? Mesmo ao início, segundo parágrafo, usas dois "mas". Fiquei tonto com todas as voltas que deste numa só afirmação (risos).
Acho que o parágrafo sobre a detecção de colisão é redundante.
"Composta pelo produtor e compositor japonês da série Akira Yamaoka," - aqui falta uma vírgula antes do nome, senão implicas que Akira Yamaoka é uma série, não um compositor e produtor?
De resto um texto leve e bem estruturado. Obrigado, continua a escrever!