

Depois de 3 jogos cujo pano de fundo era a Segunda Guerra Mundial, a Infinity Ward decidiu inovar, decorrendo Call of Duty 4: Modern Warfare na primeira década do século XXI. Sendo assim, interpretamos um agente da SAS (Special Air Service - unidade militar britânica) e um marine norte-americano, combatendo em campos de batalha tão distintos como o Médio Oriente ou a Rússia, com a finalidade de impedir várias explosões nucleares, ajudados pelos vossos compatriotas, como nos anteriores títulos da saga.
Podemos contar com uma série de inovações, como por exemplo a capacidade de determinadas munições conseguirem perfurar obstáculos (paredes, portas, etc), sendo naturalmente as de maior calibre as mais eficazes, pelo que, ao contrário dos anteriores jogos, temos de escolher bem o nosso esconderijo. Além disto, foram introduzidos cães, que são hostis e bastante rápidos, portanto temos de nos acautelar, porque se formos mordidos duas vezes morremos.
Por outro lado, a inteligência artificial está muito boa. Há resmas de inimigos e são inteligentes, nunca encarando nenhum combate à kamikaze, aproveitando muito bem a cobertura e obrigando-vos a dar a cara, atirando granadas. Os nossos companheiros não lhes ficam a dever nada, sendo igualmente racionais e prudentes, não sendo raras as vezes, especialmente na dificuldade mais elevada, como é óbvio, que nos salvam a vida.
Como consequência da alteração do cenário de guerra, podemos contar com uma série de ajudas e novas tecnologias, como é o caso dos óculos de visão nocturna, as miras laser das metralhadoras e helicópteros como apoio aéreo.
Outra alteração verificada é a forma como podemos abordar o jogo, ou seja, enquanto que nos anteriores 3 capítulos estávamos confinados a seguir um dado caminho, em Modern Warfare existem vários, podendo o jogador entrar a matar - com os subsequentes riscos -, ou então jogar de forma mais cuidada, atirando uma granada de fumo e matando rapidamente, com poucas consequências nefastas.
Infelizmente um ponto negativo de Call of Duty 4 é a longevidade. Em 6 horas terminam o modo a solo, o que é manifestamente pouco para um jogo desta qualidade, portanto é aconselhável jogarem num nível de dificuldade mais elevado.
Quando terminarem o jogo desbloqueiam não só uma missão secreta (num avião, embora seja curtíssima), como o modo Arcade, no qual jogam o jogo normal, mas com o vosso sucesso a ser quantificado pela atribuição de pontos, dependendo da forma como matam, tempo que demoram a completar dada missão e número de mortes.
Ao contrário de outros jogos, como Halo 3, não está presente em Modern Warfare um modo cooperativo, o que é um desperdício dos muitos predicados deste título, já que há missões, como é o caso da primeira, em que temos de capturar um artefacto tecnológico inimigo dum navio, que dariam muito gozo se jogadas com um amigo.
Em relação ao online, muito bom. Pode não rivalizar com o de Halo 3, mas não fica longe. O cardápio de mapas e modos de jogo é bastante satisfatório: 16 mapas e 13 modos de jogo. Desde o mítico Free-for-All, ou seja, todos contra todos, até ao Team Deathmatch, no qual, como o nome indica, duas equipas combatem uma contra a outra, ganhando a que tiver o maior número de mortes no final, passando pelo Search and Destroy, em que uma equipa tenta defender uma bomba, enquanto a outra tenta destruí-la.
De acordo com a nossa prestação em cada batalha, somos presenteados com pontos e, portanto, classes. Quando chegamos a um determinado ranking podemos personalizar o nosso soldado. Desbloqueamos os acessórios pelo cumprimento de determinados objectivos, e alguns deles valem bem a pena.
Existe uma curiosidade a respeito do multijogador online, já verificada na beta disponibilizada há uns meses atrás (podem ver as impressões da eNe3 aqui): os perks. Características especiais de cada soldado, podemos escolher até 3 perks, cujos benefícios são, por exemplo, a melhoria do poder das munições, invisibilidade aos radares inimigos e redução dos danos corporais.
Por fim, ainda respeitante ao multijogador, sem morrermos, se matarmos 3 inimigos podemos ver o seu paradeiro no radar; se matarmos 5, é-nos disponibilizado um ataque aéreo (bombardeamento); se 7, podemos requisitar um helicóptero para eliminar qualquer hostil. Útil, não?
No capítulo gráfico há que elogiar a Infinity Ward, já que Call of Duty 4 está divinal neste ponto. A framerate muito raramente desce abaixo dos 60 frames por segundo, mas quando acontece, é algo imperceptível, tal a intensidade da acção. Como pináculo deste aspecto destacamos a explosão nuclear no Médio Oriente, por nós vista na primeira fila (na altura situamo-nos num heicóptero norte-americano), absolutamente fenomenal.
No que concerne ao som, novamente um ponto positivo. Coloquem o som no máximo e os vossos vizinhos assustar-se-ão, o que é uma prova da sensação de imersão que proporciona ao jogador. Destaca-se também o trabalho de vozes e música.
Em suma, Call of Duty 4: Modern Warfare surpreende. E muito. Confere um novo pulmão a uma saga que parecia estar a dar as últimas. Ficamos entristecidos pelo facto da campanha a solo ser curtíssima, embora o multijogador seja verdadeiramente fantástico. Irrevogavelmente um dos títulos do ano.
10/10 Recomendado
@ Bruno: E podes ter a certeza que o teu artigo será muito bem vindo. Cá o espero.
SOL: obrigado pelo teu comentário e não, acho que não tens de pedir desculpa quando quiseres dar a tua opinião: será sempre bem vinda!
Creio que chegámos ao ponto em que um mero comentário não basta para me poder expressar plenamente. Talvez, quem saiba, envie um artigo com a minha opinião para o site para que todos possam compreender a minha preocupação?
Obrigado por lerem, mais uma vez.
Bruno, peço desculpa mas o facto de tu não gostares do jogo por razões meramente políticas, não lhe tira o mérito. Eu não tenho opinião sobre o jogo porque ainda não o joguei, mas tu próprio dás razão à atribuição da pontuação máxima quando dizes: "onde o jogador é tão embriagado pela emoção do cenário".
Não é isto que supostamente faz um jogo ser bom?
Parafraseando o bardo, "all's well that ends well".
Obrigado pela compreensão, senhores.
Não levei de forma alguma a peito.
Aprecio comentários como os do Bruno, porque são sinceros e reflectem opiniões formadas com base não nas crenças dos outros, mas no que vê/lê.
Mas não critico isso, eu critico o facto de estarem a discutir gostos ou opiniões.
Eu nunca fui muito fã de FPS, mas nunca joguei este COD, aliás, nenhum mesmo e pelo que vejo parece-me muito bom!
Não lhe estou a dar razão, nem a ti, apenas trata-se de uma questão de gostos e não estamos a discutir o referendo do aborto.
De resto, na boa ^^
Blaze: não achei que fosse uma luta. Até foi bastante produtivo, digo eu! Nem sempre podemos estar de acordo. Então temos de expor, com mais ou menos ênfase, os nossos pontos de vista, contrastantes por sinal.
Como já deves ter reparado, não venho para aqui dar palmadinhas nas costas. Eu próprio odeio que me façam isso quando escrevo: prefiro saber as verdadeiras opiniões dos leitores e tenho a certeza que o Hélder se sente bem por ter alguém a expressar opiniões a partir do texto ou tema que ele publicou - ainda que me parece que ele tenha levado as coisas um pouco a peito. Espero que não!
Internet fight :<
Longe disso.
Como queiras.
Hélder: não se trata de uma teoria, trata-se de um facto conhecido que o exército dos Estados Unidos apoia, produz e promove os jogos de índole militar de forma directa ou indirecta - leitura recomendada: Smartbomb (tit. abrev.), Heather Chaplin & Aaron Ruby, capítulo 7.
E é claro que nunca nenhum jogo de produção Norte-Americana, por essa razão, irá contemplar outra possibilidade que não a de jogarmos com estas forças militares. Não nos iludamos a esse ponto.
Obrigado, Charruas. ;-)
Charruas: para quem jogou jogos durante tantos como eu anos é difícil engolir algumas das flagrantes faltas de originalidade dos dias de hoje. Longe de mim acusar COD 4 de ser algo menos do que um marco histórico na produção de jogos FPS militares de elevadíssima qualidade técnica. Mas as razões pelas quais o jogo perde crédito na minha opinião encontram-se aqui em baixo. Convido-te a dar uma olhadela - desde já, obrigado.
Sim, seria interessante fazermos parte dos "fracos". Podia até no CoD 5 haver a possibilidade de optarmos por 1 dos 2 lados, com as diferenças óbvias a nível tecnológico e de objectivos, caso contrário seria passar de casaco de couro para casaco de malha, mas em termos práticos não seria praticamente o mesmo...?
Provavelmente a parte dos norte-americanos a tua teoria aplica-se, mas confesso que, no meu caso, é-me completamente indiferente jogar enquanto britânico, russo, etc, mas reafirmo: são opiniões.
(Como já me apercebi que por vezes sou mal interpretado neste género de espaços, quero que fiques a saber que não estou a comentar directamente a tua apreciação textual do jogo e/ou pontos de vista.)
Talvez seja esse o meu problema, o factor FPS. Também não gostei pessoalmente de Bioshock mas porque se tratava de um mundo ficcional, consegui conviver plenamente com o jogo e recomendo-o todas as semanas a dezenas de clientes cujos gostos recaem sobre o género FPS.
Já COD 4 me parece o expoente máximo de uma campanha de sensibilização militar/política sub-reptícia, onde o jogador é tão embriagado pela emoção do cenário de guerra e pelo fascínio do uso das armas que se esquece de que está a compactuar numa determinada visão política. São os GI Joes contra os velhos inimigos da grande nação: terroristas do Médio Oriente e da Mãe Rússia, os alvos do costume... os vilões previsíveis. As ameaças que alimentam o astronómico orçamento militar dos E.U.A. e asseguram o poder de dezenas de altas patentes e chefes de estado.
Sem lugar para diplomacia, somos o braço direito da morte e recebemos pontos extra por matar os maus, vulgo iraquianos e russos, sem questionar, sequer, a raison d'être do conflito que ajudamos a (pro)mover. Podem apresentá-lo como um jogo, mas na verdade trata-se de uma forma de estender a área de influência do exército americano e de difundir visões políticas vigentes de uma forma tão eficaz que até o próprio jogadores irão negá-lo. Há que admitir que aquela gente sabe fazer as coisas. Fazem-no há anos e das mais diversificadas formas. Call of Duty 4, como tantos outros, não é um jogo inocente.
Porque não um jogo onde se possam controlar soldados iraquianos despojados das suas famílias por via das armas Norte-Americanas, usando da mesma qualidade técnica que este? Que visão impopular que isso seria…! Gostaria de ver, então, o que a crítica teria para dizer. Arrisco dizer que tal projecto não seria, sequer, possível, um ponto crítico e demonstrativo de que, afinal, pode não haver real liberdade criativa no mundo dos videojogos.
@Bruno Figueiredo:
Sim provavelmente deves andar afastado dos padrões de hoje em dia. Pois este jogo está espectacular, acho muito dificil quem goste de jogos não achar nada de especial neste Call of Duty 4. Deves ter ficado preso nos anos 90. Pareces aqueles velhos do antigamente é que era.
Boa review lenric, não lhe dava 10 porque é muito curto, mas dava-lhe um 9.
Bem, o conceito "opinião", bem como os seus subjacentes, não existe nem é tão subjectivo à toa, como deduzo que seja do teu conhecimento.
Falando especificamente de FPS, a meu ver Call of Duty 4 suplanta qualquer um feito até hoje nos últimos 2/3 anos, exceptuando Bioshock, tal como considero Halo 3 um jogo banal; resgatando uma "frase feita": são opiniões.
Por último, não é possível editar comentários.
Perdão, baseia.
Como posso editar um comentário após o POST?
Obrigado!
Um facto infeliz: já na Gamehead desta semana no GameTrailers, Geoff Keighley, ao perguntar a Jack Thompson se ele via a o potencial dos jogos de vídeo, mencionou Call of Duty 4 como um jogo poderoso e artisticamente desenvolvido. Decerto que Keighley poderia ter mencionado qualquer outro jogo, mas recorrendo a um exemplo de recente memória, foi buscar Call of Duty 4 como jogo de referência para aquilo que de melhor se faz no mundo dos videojogos.
É nestas alturas em que eu me sinto completamente deslocado do resto da comunidade dos jogos de vídeo, depois de ler especialistas e amadores a laurear COD 4 como um jogo de topo da tabela em aspectos suficientes para merecer as melhores pontuações. Porque é que eu não consigo ver nenhuma dessas qualidades no jogo?
Já desisti, porém. Devo andar completamente afastado dos conceitos em que um videojogo se basiea.
Concordo com o Bruno sobre a visão políica do jogo. Sempre ouvi falar muito bem do COD e sempre quis jogá-lo. Mas ao ver o momento político que aborda o COD 4, preferi baixar o COD 2 por se tratar de um momento político deluta mais correto.
Em suma: Na minha opinião acho muito melhor lutar contra assassinos nazistas do que numa guerra de apenas interesses politicos e economicos estão em jogo (petroleo). è mais humano na minha opinião lutar na Alemanha.
Abraço a todos.