
Esta semana vamos tentar exibir esta opinião num outro patamar, exigido há muito por alguns dos leitores que habitualmente me acompanham. Como é que nós, analistas de videojogos, vivemos o dia a dia, no período anual mais louco do ano, o do Natal... entre outros assuntos com relevância.
A semana começou com a chegada do carteiro, é sempre o momento mais empolgante do dia, pois o carteiro significa mais jogos e ao mesmo tempo mais stressante, porque mais jogos é para nós mais trabalho.
Se a pilha de jogos que está à espera de uma profunda vistoria já era grande, esta semana ficou monstruosa. Como sempre há alguns jogos que se destacam de outros, Crysis é um deles, Assassin´s Creed versão PS3 depois da actualização é outro, Ace Combat 6 uma autêntica surpresa para quem gosta do género, Viva Piñata: Party Animals um jogo que eu recomendo vivamente, Call of Duty 4, Rachet and Clank e Lair para a PS3, Guitar Hero III para a Xbox 360, Viva Piñata para PC para engordar o meu Gamerscore e o já tristemente famoso Kane & Lynch, que falarei no final desta prosa.
Comecemos pelo Gamerscore... passei os 21 mil pontos e vou a caminho dos 22 mil e estou situado no top 40 nacional. É uma longa caminhada até ao primeiro lugar nacional e ao top 10 europeu, mas é feita com uma dedicação quase total, só conseguida graças aos apoios da família e da indústria de videojogos portuguesa. É um feito que está fora dos meus planos de me gabar, mas sim de aprender para depois ensinar a outros jogadores. E em 2008 vão ouvir falar de mim por esse Portugal fora, pois as famosas palestras e apresentações de jogos da W Gamestore vão sair do casulo e pular para a estrada e em direcção às vossas casas... ou pelo menos o mais perto possivel.
Outra novidade é a criação de guias sobre os achievements, mas eu deixo já aqui um muito engraçado... a THQ lançou este mês um jogo chamado Avatar: The Burning Earth. Infelizmente o jogo não vai ser lançado em Portugal, isto é, não tenho nenhuma informação contrária, mas está a ser procurado intensamente por muitos jogadores... porquê? Não, não é isso que estão a pensar, este jogo não levou nem vai levar nenhuma nota máxima e arrisca-se a ser triturado pela imprensa especializada porque é tão mau, tão mau, que não vale os 52 euros que custa encomendar na Amazon.uk. Mas então, porque razão é tão procurado? Avatar: The Burning Earth é actualmente o jogo mais incrível para o jogador no menor espaço de tempo, conseguir os mil pontos... mais precisamente 3 minutos de jogo...
... não, não estou maluco, basta começarem o jogo e correrem para o lado esquerdo do ecrã do vosso monitor e de seguida pressionarem constantemente o botão B do vosso gamepad. Isto vai accionar um ataque potente que mata os soldados. O jogo tem apenas 5 achievements e todos dizem respeito a este tipo de ataque... 16, 24, 32, 40, 50, já está... 1000 pontos! Agora, a comunidade lançou um novo desafio, conseguirem os mesmos mil pontos num minuto de jogo, em vez dos três minutos... impossível? Não, não é impossivel.
Falemos agora da PlayStation 3 e para uma agradável surpresa, chama-se Rachet and Clank que é um mimo de se jogar. Excelente localização portuguesa (os meus parabéns à Sony Portugal), muito ritmo, puzzles com imaginação e mesmo com pequenos erros de programação, eu recomendo vivamente a quem goste do género.

Já Lair é um jogo massacrado pela imprensa mas que cai nas minhas graças, desculpem mas eu gosto do conceito do jogo. Outro jogo que anda nas minhas mãos é o Mario Galaxy, que está a criar um hype merecido em Portugal, mas meus amigos (peço perdão aos fãs), não vale a pontuação máxima, isto é, hoje em dia não existe nenhum jogo que mereça a pontuação máxima e um dia hei-de explicar a razão.
Chegamos então ao Kane & Lynch e ao triste despedimento de Jeff Gertsmann, editor do Gamespot. Recebi o jogo no final esta semana, mas já o terminei umas três vezes na consola debugger. Confesso que quando recebi esta versão final metia-a na pilha dos jogos menos urgentes de analisar. É um jogo para uma pontuação 6 ou 7 no máximo, tem demasiado problemas de IA que arrebentam com a alegria de o jogar. O despedimento de Jeff é uma lança afiada na direcção de todos os analistas de videojogos de todo mundo. Porque a partir de agora, já ninguém saberá se o analista foi pressionado para dar a pontuação que deu ou não e todos estamos no mesmo cesto. E vocês perguntam... e Portugal, como é?

Estamos todos incluídos nesta desconfiança desagradável, incluindo os portugueses, incluindo eu próprio. É uma situação que me faz demasiada confusão. Há pressões? Claro que há, sempre houve mas nós analistas sempre soubemos lidar com estas pressões. Por exemplo as apresentações, os eventos no estrangeiro, podem ser direccionados como pressão no trabalho dos analistas, são tratados como reis, nada lhes falta e as empresas querem algo em retorno, a divulgação dos seus jogos. É aqui que os analistas têm de ter mais cuidado, apresentar os jogos é um assunto, analisá-los é outro completamente diferente. Infelizmente alguns não conseguem distinguir os dois assuntos, nem dividi-los ou então não conseguem aguentar as pressões das empresas e do próprio patrão. Em Portugal não tenho nenhum conhecimento de tal situação, mas lá fora é algo comum para desgraça desta classe. Felizmente, Jeff soube dizer NÃO.
Esta semana finalmente a Hype! chegou às minhas mãos. Depois de tantos problemas, eis que o DVD consegue ser despachado para as bancas com o número 3. O design gráfico continua a ser a estrela da revista, assim como os artigos de opinião, que começo a ver que não são para todos os leitores, isto é, são escritos num patamar tão superior que o português é capaz de não entender algumas piadas e ironias. Para minha infelicidade a qualidade das análises, da Hype! TV e das previsões começam a decair. Bem sei que o patamar era demasiado alto, mas acreditem, caíram vários lanços da escadaria... cuidado!

A Bgamer também se atrasou e apareceu nas bancas com um novo layout, de forma acompanhar o hype da Hype! O esforço tem que ser aplaudido, é bom para o jornalismo especializado e para os respectivos leitores. Mas falta à Bgamer a força criativa do Tiago Rio e Hugo Pinto. E naturalmente a criatividade escrita quando os redactores da Hype! estão em dia sim. Pedi a dois colegas da ENE3 para lerem as legendas das imagens da análise do Crysis, e nenhum conseguiu ler... quem escolheu aquele tamanho de letra, deve usar uma potente lente ou ter uma visão de lince. Apesar do esforço gráfico, a comida, que é o conteúdo, continua a não evoluir e só quem é cego é que não nota a regressão que tem vindo a afectar a revista e a sua congénere Mconsolas. São o contrário do vinho... este quanto mais velho melhor é, elas quanto mais velhas pior são.
No final da semana decorreu a apresentação do jogo Need for Speed ProStreet da EA no restaurante À Margem em Belém, Lisboa. E decidi ir ao evento, o que não é uma situação vulgar, porque eu tento fugir dos eventos nocturnos. E a EA conseguiu um feito, juntou no mesmo espaço os representantes da Sony, Nintendo e Microsoft e ninguém ficou ferido, nem houve atentados... a nossa colega Carla quase que foi atropelada, mas a noite acabou com os três representantes da ENE3 no MacDonalds do Rossio, completamente esfomeados a devorarem os famosos hamburgers, cheios de vitamina C.

Outra novidade quase a fechar a semana é o PTGamers Unlimited, o novo formato do jornal semanal do portal de videojogos PTGamers. Congratulo-me com a evolução e criatividade desta equipa, que devagarinho vai conquistando espaço á concorrência que parece adormecida. Dá gosto ver este jornal, seria um êxito se substituisse o Radical.Mygames da SIC Radical e não estou a ser irónico mas muito sincero. A arrogância do Rui Parreira é uma defesa que por vezes é mal compreendida (já me aconteceu), mas quando se quebra a barreira e o conhecemos verdadeiramente, atinge o patamar das cinco estrelas. O trabalho dele e da sua equipa merece sem dúvida ser um dos destaques desta semana.
Chegamos assim ao final, tenham um bom fim-de-semana e até para a semana!
Gostei imenso deste artigo. Bem escrito e com linearidade. Muito bem Luís.
Boas!
Sim fui eu que analisei o jogo e escrevi o texto. Foi o segundo 10 que dei na minha vida e dei-o com toda a minha sinceridade e honestidade. Na altura, foi uma inovação, o jogo continua lindo nos dias de hoje e escrevi aquele texto uns 10 minutos depois de ter terminado o Zelda.
Uma questão.
Foste tu o Luís Andrade que escreveu este texto?
http://ez.mygames.pt/gba/rpg/TheLegendofZeldaALinktothePast/Review/336/
Fiquei emocionado na altura pela sinceridade do texto e queria saber se tinhas sido tu a escrevê-lo.
Obrigado!
A julgar pela profundidade reflexiva daquele texto sobre Zelda e daquilo que tenho visto teu por aqui, iria arriscar dizer que já não és propriamente um jovem? Por vezes as tuas palavras parecem-me a de um homem maduro e de extensa cultura video lúdica...
Obrigado pelos excelentes conteúdos - não consigo explicar o tamanho prazer que eu e os meus amigos retirámos deles. Tem sido uma verdadeira loucura nestes últimos dias.
Para a história ficará esse singular artigo do Zelda Link To The Past GBA! Espero que os teus textos continuem neste nível!