
Benvindos à nova rubrica semanal da eNe3 – Relatividade: os videojogos noutro olhar – criada por mim, Carla Berjano (Miss Galvin).

Esta nova rubrica semanal procura mostrar o mundo dos videojogos num outro ponto de vista: o de uma girl gamer no caminho de se tornar hardcore gamer.
Antes de mais, gostaria de explicar a escolha da palavra Relatividade: não se trata de uma referência da teoria de Einstein, mas sim a uma ilustração de M. C. Escher, Relativity (1953). E porquê esta imagem? Além de ser uma das minhas imagens favoritas, lembra-me também da ideia de diversividade num mundo, como somos tão diferentes e tão iguais.
Portanto, nesta primeira edição, gostaria de me apresentar e de explicar como cheguei até este nível.
Chamo-me Carla, estudo Línguas Modernas na FLUL, vivo em Lisboa e tenho 22 anos - aliás, comemorarei o meu 23º aniversário no próximo dia 30. E gosto de videojogos.
Desde muito cedo me interessei pelos mundos virtuais. Pareciam-me estimulantes, interessantes. E cresci a gostar de explorar e contar histórias. O único problema? Eu era uma menina. Numa família modesta, na altura a sobreviver com a reforma do meu pai, antigo funcionário da Carris.
O grande início foi quando o meu único irmão, mais velho que eu 15 anos, comprou um computador. Ele estudava História de Arte na FLUL e eu estava prestes a sair da escola primária, ainda com 9 anos. A nova atracção não tinha drive de CD’s, corria o Windows 3.1, e, para ter acesso ao sistema operativo ainda tínhamos que ir ao MS-DOS!
A magia começou quando me habituei a observar o meu irmão a jogar Civilization.
Exactamente, o primeiro de todos, mais pixelizado que alguma coisa, mas para mim era simplesmente genial. O meu irmão explicava tudo e, passado algum tempo, deixava-me jogar. Infelizmente a estratégia nunca foi o meu forte.
O Templo dos Jogos começava as suas emissões na SIC e o meu entusiasmo era notável. A minha mãe continuava a negar qualquer hipótese de me adquirir uma MegaDrive e não tinha qualquer tipo de mesada ou semanada. Entretanto o meu irmão casou e saiu de casa. Nada de computador, nada. Nem arcadas. Apenas podia observar os meus colegas da escola básica a jogar GameGear e GameBoy e, com alguma sorte, experimentar um pouco.
O jogo que mais me marcou, antes de 1998, foi Resident Evil. Os vídeos censurados que passavam na televisão eram o suficiente para chamar a minha atenção. Na altura, os filmes de terror começavam a atrair-me, e a TVI passava dois episódios de Ficheiros Secretos todas as 6ªs feiras.
1998 foi a data mais importante para mim, pois foi o ano em que fui presenteada com um computador, pelo meu aniversário. Fiz questão para que o meu primeiro jogo fosse – exactamente, acertaram – Resident Evil. Muitos mais jogos se seguiram, numa tentativa de compensar todos aqueles anos de observação e fascínio.

E assim continuei. Mais tarde comecei a ler a Player, comprei a minha primeira consola (uma PSOne), seguida pela PS2. Por vezes ainda sinto saudades da época pré-PS2, quando a DreamCast estava na berra, assim como a Nintendo64.
Os anos passaram, e deixei de ser uma garota. Entrei na Universidade, e novos mundos foram revelados. Foi então que me apercebi do enorme problema que tinha nas mãos: apesar de todo o meu amor e fascínio pelos videojogos, cada vez mais era difícil acompanhar. Não tinha cabeça para tudo. Queria tudo e queria nada. Pensei em desistir.
Até ao ano de 2007.
Muito se passou na minha vida pessoal. Depois de todas as frustrações, encontrei o meu caminho. E descobri que estava a terminar uma fase da minha vida e prestes a entrar noutra mais importante. Tinha de redescobrir-me, voltar a ser verdadeira. Ir às origens, para compreender os meus desejos.
E decidi voltar. Com aproximação do final da minha licenciatura, decidi finalmente seguir o ramo de Tradução. Comecei portanto a enumerar todas as possibilidades de carreira. E, num dia, num workshop que frequentei numa conferência de Tradução de Audiovisual, o destino sorriu-me: localização de videojogos. Eu podia fazer aquilo, o que iria realizar o meu sonho de pertencer à industria.
Mesmo que o sonho falhe, estarei sempre aqui disposta a receber os videojogos. A descobrir, mais uma vez, um novo mundo.
Até para a semana!
Uma história não muito diferente da minha ou da de muitos outros interessados pelos videojogos em Portugal. Templo dos jogos, essa mítica referência... naquela altura de pouco discernimento!
Não te custou entrar na faculdade e encontrar um mundo de grande aversão aos jogos de vídeo, Miss Galvin? Eu achei ridículo que no meio de toda aquela emancipação cultural dos meus colegas, embriagados de leitura, teatro, cinema e música, não existia qualquer espaço para debater cultura video lúdica.
"Chase the Clouds of Destiny. Chase them until you can't chase them no more!"
Lol obrigada pela correcção. Na verdade, o meu irmão (que se chama Mário) comprou o PC em 1994/1995, lembro-me do Windows 3.1 mas já não me lembrava se no Windows 95 também era preciso digitar "win" no DOS.
Obrigada por todos os comentários, espero estar à altura de conseguir uma boa rubrica. :)
Excelente rubrica, muito bem redigida e interessante.
Parabéns, não foi sequer boring em termos de história da vida pessoal.
:) espero o mesmo nível para a próxima parte.
Obrigado Jorge, esse erro foi corrigido.
Espera, espera... deixa só colocar-me em transe psíquica... Miss galvin,
Por acaso, o teu irmão é o ... Jorge Berjano, ZING!
Muito bom o artigo. Parabens.
Só um acerto: o teu primeiro PC (ou melhor, o do teu irmão) não tinha o Windows 95, mas sim o Windows 3.1 (o PC do teu irmão foi comprado em 1993/1994 e aí não havia Win95). Além que que era no Windows 3.1 que tinhas de digitas "Win" para entrar no Windows. ;)
Gostei bastante do artigo e serve para uma entrada ba-DASS.
Coincidências das coincidências, o Resident Evil original para PC, foi o primeiro jogo que comprei logo após ter um PC/Win meu, juntamente com o famoso controlador MS Sidewinder.
Quem não se lembra desta Intro Cheesy que fica para os anais de AWESOME da história dos videojogos?
http://videos.sapo.pt/1jYRG6WyzZB2R5ZGB18R
Boa Boa ^^ Bom artigo e uma boa visão.
Maybe mudares o nome do artigo para Girl Gamer XD
Em relação à tradução, sabes que também estou a estudar tradução, temos de falar sobre isso.
É uma boa história pessoal =) acho sempre interessante saber como é que as pessoas se começaram a interessar por jogos e como é que esse interesse se desenvolveu até atingir um grande peso na vida pessoal e até profissional.
Boa sorte!