

Sequela directa de para a Gamecube, The Legend of Zelda: Phantom Hourglass retira elementos do seu antecessor e, fundamentalmente, de todos os outros The Legend of Zelda (TLoZ) até à data, mas, ao mesmo tempo consegue definir uma identidade muito própria, não só pela decisão de tornar esta aventura completamente controlada pela stylus da Nintendo DS, mas, também, devido à interacção entre personagens e ao seu singular (e subtil) sentido de humor.
A portátil da Nintendo possui várias caracteristicas peculiares, quer se olhe para a stylus e ecrã táctil ou para o microfone embutido, as possibilidades são variadas e não foram poucas as ocasiões em que estes elementos foram, desnecessariamente, utilizados para prejuizo de um jogo. Dito isto, em Phantom Hourglass, Link, o personagem principal, é controlado pela stylus na integra, aliás, todas as interacções com o jogo são feitas através da caneta, servindo os botões da consola apenas como atalhos para algumas acções.
E, verdade seja dita, este sistema é extremamente eficiente, preservando a noção de que todo o jogo foi desenhado com este método de controlo em mente.
Assim, combater um inimigo reduz-se, na maioria das vezes, a carregar com a stylus no local onde ele está e esperar que Link o destrua por iniciativa própria; apesar do seu leque de movimentos ser diverso, são raros os inimigos que obrigam a utilização de tácticas mais elaboradas, algo que contribui para o baixo grau de dificuldade do jogo.
Mas se por um lado o combate ao longo da exploração das masmorras e das ilhas é pachorrento e um pouco aborrecido, as batalhas com os bosses das ditas masmorras são muito variadas e bastante interessantes, levando a alguns dos pontos altos do jogo e do próprio método de controlo.
Obdecendo à norma, os items são obtidos nas masmorras e são cruciais para se avançar nas mesmas, abrindo cada diferente objecto novas possibilidades no que à resolução de puzzles diz respeito. Importa também referir a presença de um templo onde nos é imposto um limite de tempo e que revisitaremos várias vezes (melhorando o nosso tempo utilizando os novos objectos) indo a locais cada vez mais profundos, para desvendar vários segredos. Toda esta progressão está condicionada pelo progresso no jogo, que é deveras linear.

Tal como a sequela de Wind Waker, também este jogo se passa numa Hyrule submersa, pontuada por pequenas ilhas afastadas entre si. O barco utilizado para atravessar estas distâncias é, agora, a motor (em Wind Waker utilizava-se um, muito especial, barco à vela) e a navegação do barco está reduzida a traçar a rota no mapa com o stylus e partir. Durante o caminho é-nos dado o controlo do canhão e somos confrontados com alguns inimigos e obstáculos, algo que incomoda mais do que entretém.
Também a exploração toma contornos diferentes em Phantom Hourglass; agora a grande maioria dos mapas estão automaticamente disponiveis, sendo-nos dada a possibilidade de fazer anotações nos mesmos. Além de ser útil ao longo de todo o jogo, ficando o jogador responsável por anotar as informações que achar pertinentes, esta função dá azo a um dos pontos altos do jogo, em que chegamos a uma ilha não cartografada e somos presenteados com um enigma.
Mas nem tudo é interessante; enquanto que poder escrever no mapa á algo útil e bem implementado, a utilização do microfone é, além de obrigatória, largamente acessória, requerendo, do jogador, acções como soprar (para apagar chamas) ou gritar (para, por exemplo, chamar alguém) para o microfone. Acreditem que ter de parar de jogar porque de momento vos é simplesmente impossivel gritar para a consola a alto e bom som é frustrante. Felizmente estas situações são raras.
O aspecto visual do jogo é reminiscente do cel-shading de Wind Waker, mas em Phantom Hourglass todos os elementos (personagens, objectos, etc.) possuem uma pesada linha de contorno. Apesar de apresentar dos melhores gráficos a três dimensões que a portátil Nintendo já debitou, Phantom Hourglass desenrola-se como um The Legend of Zelda a duas dimensões, sendo mesmo a perspectiva da câmera indicativa disso.

Personagem incontornável, Linebeck, o dono do barco, tem uma personalidade pouco convencional e é com espanto que o vemos a minar a seriedade de alguns diálogos. Analogamente, a displicência geral mostrada por este mesmo personagem (basilar no desenvolvimento da história e que vos acompanha ao longo da mesma) é um reflexo de todo o ambiente do jogo, algo que agradará a uns e desagradará a outros, mas que, independemente das preferências, dá azo a uma personagem bem desenvolvida e enriquece o jogo.
Toda esta experiência é suportada por uma banda sonora agradável, mas que sente a falta de músicas realmente memoráveis, habitual apanágio da saga.
Concluindo, Phantom Hourglass não consegue esquivar-se de ser apenas mais um nesta saga. Em muito devido a ser demasiado fácil e superficial para quem está habituado a estas andanças. Mas encarando o jogo em si e não o seu legado, este é, sem dúvida, um dos melhores títulos a agraciar a Nintendo DS.
9/10 - Recomendado