QUEM ESCONDEU MARIO GALAXY ?
21 de novembro, 2007 12:15 AM por Vítor Alexandre
A sério, isto mais parece um romance de ficção polícial, uma trama desencadeada por alguém muito poderoso com capacidade de fazer girar o planeta dentro das mãos. E tinha logo de acontecer numa altura do ano em que os grandes jogos caiem como flocos de neve, formando uma camada alta e espessa, não havendo mãos a medir para a qualidade de cada um dos títulos. No frenesim, devem ter ficado de tal modo trocadas que se cansaram de distribuir.
Mario Galaxy foi lançado no mercado europeu no passado dia 16 de Novembro, prevendo-se um lançamento simultâneo em todos os países da Europa. Pelo menos essa foi a data anunciada e assim, nesse mesmo dia, nos principais fóruns ingleses, espanhóis, franceses e italianos, os utilizadores com lábia voraz na ponta dos dedos teclaram as impressões iniciais daquele que parece ser mais um candidato a jogo do ano. Mario Galaxy é definitivamente um dos melhores jogos para a Wii, revelando-se capaz de aproveitar (em sede de exemplo a seguir) a interface revolucionária da consola e ainda acrescentar uma série de novos elementos visuais e de progressão que nem um hardcore gamer consegue deixar passar, por mais persistente que seja o rapto da Princesa Peach - e convenhamos. Quem quer jogar um Mario a sério borrifa-se para a narrativa, porque como sempre, figura apenas como pretexto.
A par disso, há a situação do nosso país, distribuídoras e grandes superfícies.
Há quem se sirva do enquadramento periférico no contexto geográfico e de um plano secundário, de cauda da Europa onde é geralmente relegado Portugal, para justificar situações que revelam as maiores assimetrias dos países que galvanizam a europa e a aproximam do competitivo ritmo americano. Mas então, que dizer dos países Escandinavos?
O distanciamento de Portugal em relação aos grandes países na Europa é também evidente nos videojogos. E a sensibilidade no contacto diário que se tem com esta área lúdica é evidente quando assistimos a reportagens sobre este tema no decurso de telejornais (como o
ENE3 está a dar conta, a respeito do
Mario Galaxy na
SIC). Só agora são introduzidos os jogos em horário nobre e aos poucos fala-se deste tema ao lado da política, economia e desporto. Fora destas portas o cenário continua mais avançado.
Por vezes até damos de caras com situações onde fica a clara impressão que nos nossos eventos somos capazes de igualar o que de melhor se faz na Europa. E nada melhor do que os lançamentos de consolas, como aconteceu com a PS3 no nosso país, havendo filas, consolas amontoadas e prometidas para despachar aos clientes no dia 1 à meia-noite, com direito a contagem decrescente. À cautela ainda enfiei um saco de confetis no bolso do casaco, mas aí já poderia ser demais e ficar mal visto perante olhares sérios. Afinal há que manter um certo equilíbrio.
É evidente e visível que a Sony é quem efectivamente faz mais no nosso país. Preocupa-se com a publicidade, por fazer chegar os jogos a tempo e horas e está bem entrosada com as grandes superfícies que deixam sempre uma margem apreciável de espaço para os produtos da Sony. A Microsoft está a representar melhor a 360, embora com alguns atrasos por vezes, mas quando chegamos à Nintendo, claramente entramos em derrapagem, perdendo precioso tempo para nuestros hermanos, que beneficiando de uma Nintendo Espanha, recebem os jogos a tempo e horas, ficando à venda em tudo o que seja sítio na rede e loja física.
Não sei se já deram conta disso, mas é inacreditável que por cá, desde sexta-feira, ainda não tenham chegado às grandes superfícies que tive conhecimento como Worten, Carrefour, Fnac, Media Markt, Radio Popular e outras (da região norte), cópias de Mario Galaxy para a Wii. Incautos, alguns funcionários nem sabem se isso existe ou que seja. Dejá vú. Mas o pior é passar um fim de semana inteiro sem oferecer, provavelmente, o melhor jogo até à data para a Nintendo Wii. Algumas lojas, mais dedicadas e com outro tipo de contactos já têm o jogo para entrega, mas isso constitui uma percentagem reduzida de retalhistas, quando as grandes superfícies como Fnac, Worten e demais continuam de mãos atadas. O sítio da Fnac nem oferece uma referência para a previsão e chegada do jogo, algo de todo lamentável.
As cópias podem não chegar para todos e concerteza há quotas de mercado que a Concentra - a nossa distribuidora nacional dos produtos Nintendo - tem de aceitar. Não deixa é de evitar um cenário desolador. Permanece este statuts secundário sem atribuir uma satisfação aos simpatizantes dos produtos Nintendo que gostariam de saber algo sobre as novas aventuras de Mario logo na sexta-feira, a tempo de passar estes frios e chuvosos dias de Inverno na companhia de familiares e amigos, à volta da consola.
Mario permanece sequestrado algures, retido, quando é tempo de o ver orbitar a nossas expensas. Neste estado de coisas só mesmo à distância.
Ok já comprei. Consegui encontrar o jogo na FNAC. Havia prai uns 3. Aproveitei e comprei também o Assassin´s Creed versão PS3. Vamos lá ver o que é que vai sair daqui.