

O final de 2007 tem deixado os fãs da Xbox 360 em estado de histeria pura. Não é vulgar aparecer num tão curto espaço de tempo, tantos jogos com tanta qualidade como têm aparecido e tudo apenas para uma só consola, a Xbox 360. Depois de Halo 3, a Microsoft fez-nos chegar mais uma pérola chamada Mass Effect. Durante vários dias, a Xbox Portugal viveu intensamente os dias no interior de um espantoso universo, cheio de histórias, muitas intrigas e imensas aventuras. Hoje, ao mesmo tempo que todos os grandes portais, estamos preparados para vos dar a nossa opinião.

A Bioware é sobejamente conhecida pelas suas criações no mundo dos videojogos. Dela saíram várias obras-primas, como por exemplo, Baldur's Gate, Jade Empire e Star Wars: Knights of the Old Republic. Em 2005, durante o evento X05, a editora surpreendeu o mundo ao anunciar uma trilogia. Três jogos que estariam unidos entre si e que seriam lançados num determinado período de tempo. Desde esse anúncio que a indústria dos videojogos assistiu a várias mudanças, sobretudo no que diz respeito à aquisição de empresas por outras empresas.
E é no decorrer de 2007, a pouco tempo do jogo sair para o mercado, que a Electronic Arts anunciou a aquisição total da Bioware. É pois neste clima de incerteza sobre o futuro rumo da trilogia, que Mass Effect é lançado hoje em todo o mundo. O jogo da Bioware é lançado num período de ouro para a Xbox 360, os jogadores andam confusos com tantos jogos e a maioria exibe uma qualidade que não é normal de se ver nos videojogos.
Depois de Halo 3, The Orange Box, Project Gotham Racing 4, Call of Duty 4: Modern Warfare, temos para além desta pérola, jogos como Assassin's Creed, Need for Speed ProStreet, tudo títulos que têm garantido uma nota superior a 9. É neste período que Mass Effect nos chega às mãos, uma pérola prestes a ser desvendada.
Ao longo da última semana, fiquei encarregado de vestir a pele do comandante Shepard. Não estamos perante de um género vulgar, Mass Effect é puramente um sci-fi Action Role-Playing Game, um género pouco visto em videojogos. Os primeiros passos do jogo ocupam-nos com a personalização da nossa personagem, podemos mudar praticamente tudo e torná-la apenas só nossa. Temos também de criar a sua história e façam-na com cuidado porque afecta a visão que os NPC's têm da personagem. O principio é de deslumbramento, o interior da nave que nos acolhe, a zona de controlo da mesma cheia de luz das consolas que são manejadas pelos controladores, dá-nos a impressão que estamos a entrar num filme inspirado na série Star Trek.
De facto, o USS Normandy deslumbra qualquer jogador, possui pormenores deliciosos e é de futuro a nossa nave, aquela que nos levará aos confins de Mass Effect. Logo que estivermos preparados ficamos expostos ao nosso primeiro combate real. O sistema de combate é bastante eficaz mas alguns jogadores vão necessitar de algum tempo para se ambientarem ao sistema de foco e comandos. O lançamento de granadas é dividido em dois passos, pressiona-se uma vez o botão “back” para mandar a granada e uma segunda vez para activá-la.
O botão “Start” abre-nos o menu do jogo, Equipamento, Jornal, Equipa, Mapa, Save, Load, Opções e Codex são as escolhas possiveis. No início apenas temos direito a dois companheiros como escolha possivel, mas ao longo do jogo vamos desbloquear novas personagens jogáveis. Mass Effect não é nem nunca foi imaginado como um shooter, ou seja, não estamos perante um exclusivo jogo de acção, mas sim de um sci-fi role-playing game que tem também momentos de acção.
Por isso mesmo os comandos não foram pensados apenas para agradar os jogadores que gostam de shooters, mas sim para agradar a todos os jogadores que adoram a complexidade de géneros que o título da Bioware oferece. E podemos comprovar este facto com o pormenor da evolução das armas e protecções que equipam cada uma das personagens. A equipa é constituída por três personagens, uma das quais tem que ser obrigatoriamente o comandante Shepard.
O rumo do jogo está ligado à escolha das duas personagens adiccionais, cada uma delas dá-nos diversas opções de jogo que é preciso ponderar muito bem. O mesmo podemos dizer no que diz respeito às armas que vamos usar e quais as que queremos evoluir mais depressa. Depende do poder de fogo, do poder de disparo / reacção, tudo pode influenciar os combates. Os side-quests por outro lado, são na verdade o coração do jogo, onde vamos encontrar a acção e aventuras, e onde podemos elevar o nosso estatuto de forma a actualizarmos cada uma das nossas personagens.
Ao longo dos planetas, encontramos determinados NPC's que desejam pedir-nos um favor em troca de favores. Cabe a nós decidir se aceitamos a missão e qual a via que iremos seguir. Todas as nossas decisões afectam a nossa evolução e consequentemente o rumo da história. É essencial efectuar as actualizações ao equipamento e às nossas personagens, para que todos consigam enfrentar os novos inimigos com todo o poder disponível. Este é um dos muitos pormenores que fazem deste jogo um fantástico role-playing game.
Também convém verificar o jornal, porque é lá que vamos encontrar as tarefas activas com todo o tipo de informação necessária para as terminarmos. Ao andarmos pela Citadel, verificamos que de tempos a tempos existe um “loading” que abre uma nova área. São alguns segundos de paragem, essenciais para colocar no ecrã novas texturas. O exterior de Noveria impressionou-me imenso, as fortes tempestades de neve quase nos puxam da nossa cadeira para o interior do jogo. As perigosas minas de Feros transportam-nos para um mundo verdejante no exterior e tenebroso no seu interior, um contraste deveras interessante de se viver.
No geral o grafismo impessiona qualquer jogador, mas não chega ao patamar de um Halo 3 ou de um Gears of War. Contudo, satisfaz o jogador mais exigente e que gosta de um bom enredo. Ora é aqui que se encontra um dos trunfos de Mass Effect, possui um enredo muito envolvente, cheio de intrigas que por sua vez nos levam a mais histórias e sub-histórias. O facto da nossa personagem poder seguir mais do que uma via no jogo, ajuda a aprofundar-nos no guião criado pelos contadores da Bioware. A juntar ao enredo, temos uma enorme quantidade de NPC's, e cada um deles tem o seu historial que pode ou não afectar o destino de Mass Effect.
Outro trunfo do título da Bioware são os efeitos sonoros muito bem conseguidos. Seja a água a cair ou o barulho das armas e dos nossos próprios passos, tudo foi preparado com mestria para garantir-nos a melhor experiência multimédia do ano. Em termos de longevidade, temos pelo menos à nossa frente vinte horas de jogo, mas vinte horas se quisermos completar todos os achievements.
Mass Effect é um excelente role-playing game, suportado por um intenso enredo, revestido com um grafismo único que vai agradar uns e desgostar outros, blindado pelo prestígio de uma das melhores produtoras de jogos do mundo. Se gostam de jogos intensos e têm ainda capacidade de receber mais um com uma deliciosa qualidade, então acabaram de ler a análise da vossa próxima aquisição.
9/10 - Recomendado