
Podia começar esta epopeia pseudo épica a dizer que a doença que me assola agora me vai transformar num zombie, alistar-me ao derradeiro exército que vagueia o mundo sem destino com a única missão de extinguir um por um todos os seres vivos, sem qualquer réstia de piedade e compaixão.
Destruindo barricadas humanas, as suas últimas trincheiras de esperança, até todos pertencerem à armada invencível.
Mas infelizmente é só uma partida do Sr. Inverno e já estou melhor...
E é desta maneira mórbida que começo e termino a segunda parte deste especial de Halloween, e então? Como foi o vosso Halloween? Muitos doces?
Avançando, desde que comecei este pequeno espaço no ENE3, nunca expressei gostos ou opiniões pessoais, mas hoje sinto-me obrigado a tal coisa, e se têm lido com atenção, então descobriram que vou falar de zombies ou mais conhecidos por mortos vivos.
Esta vai ser uma crónica dedicada aos diversos filmes que conheço e claro, se souberem de mais, por favor, digam-me para poder alimentar esta minha paixão.
Mas porquê filmes de zombies, mestre Blaze?
Boa pergunta meu caro discípulo, bem tudo depende de gostos, claro, enquanto que há gente que prefere ver filmes com vampiros andróginos enquanto estes mordem uma donzela ou um cavalheiro indefeso, condenando-o a uma penitência imortal, estes têm plena consciência que estão “vivos” e até ao fim da sua existência terão de pagar por todas as vidas roubadas para se manterem vivos.
Um zombie por si só, não assusta e é um bocado patético ser rotulado como marco de terror, mas o que torna estes seres assustadores são as suas acções comutas, o seu pensamento único. Estar presente numa infestação, estar rodeado por estas aventesmas faz nos lamentar não ter guardado a última bala para nós próprios. Ver a destruição causada, o pânico, a claustrofobia, não ter por onde fugir, é isto que torna os filmes de mortos vivos famosos pelo que são, e o génio desta fórmula deve-se claro a George A. Romero.
E é por ele que vamos começar: Night of the Living Dead foi o primeiro a ser feito em 1968 tendo depois um remake em 1990 já a cores e com outro elenco, desta vez mais explicito e com mais cenas de horror gráfico. Mas perdendo talvez a magia misteriosa do chocolate, isto porque o sangue usado no primeiro filme a preto e branco era todo chocolate! Que zombies mais docinhos, não? Neste filme, temos um grupo de pessoas que se conhecem por acaso e lutam pela sua vida enquanto se barricam numa casa de campo até ao fim das suas vidas ou das dos mortos vivos. Quem vencerá?
De seguida temos Dawn of the Dead em 1978 que por sua vez também recebeu um remake em 2004. Um grupo de pessoas escapa para um centro comercial, um óptimo sitio para se passear a um domingo, mas o inferno de lugar durante uma infestação de zombies. E foi daqui que nasceu Dead Rising.
Day of the Dead em 1985 conta com um remake a sair muito em breve, se já não saiu. O planeta encontra-se em lei marcial, pequenas facções sobrevivem em bunkers, está na hora de sair e terminar a luta…
O último filme feito até agora, Land of the Dead, conta com um planeta já controlado pelos mortos vivos e temos alguns humanos que tentam viver a qualquer custo, Fiddlers Green é o último bastião da resistência humana… Além dos zombies, alguns humanos combatem a tirania dos ricos que os obrigam a viver em favelas deploráveis.
Em filmagem encontra-se Diary of the Dead que acompanha um grupo de estudantes de cinema que filmam o outbreak sem terem consciência do perigo real. O filme passa-se ao mesmo tempo que Night of the Living Dead.
Romero ainda escreveu um guião para um filme de Resident Evil, mas a Capcom recusou e passou a bola a Paul Anderson, vá se lá saber porquê…
Mas Romero teve a sua chance e fez um anúncio televisivo para Resident Evil 2 que poderão ver em baixo:
A trilogia Evil Dead que mistura uma comédia mórbida com a “realidade” constante do perigo que se passa à volta de Ash e da sua mãe demoníaca.
Inspirado nestes filmes, temos a genialidade vinda de Itália de Lúcio Fulsi com os seus filmes de mortos vivos, todos chamados Zombi 1 que é sempre confundido com Dawn of the Dead, Zombi 2 e Zombi 3.
Ainda na Europa, 28 Days Later e 28 Weeks Later conta a história de uma Londres apocalíptica. A maioria dos cidadãos sofre de um vírus resultando de uma mutação do vírus da raiva e um grupo de sobreviventes tenta escapar, aterrando na sua sequela, onde agora Londres reergue-se das cinzas e do sangue vertido.
Continuando a viagem pela Europa, temos por último uma curta metragem portuguesa, I’ll See You in My Dreams, uma curta metragem com um baixo orçamento que de facto está genial! Conta a história de uma pequena aldeia e da sua relação com o mundo infernal que são os zombies. Conta com a banda sonora feita pelos grandes Moonspell.
Num tom mais cómico têm ainda Shaun of the Dead que é uma verdadeira paródia ao mundo de Romero com uma pitada de gore criada por Edgar Wright. Nele participa Simon Pegg e Nick Frost, ambos da britcom Spaced. Romero adorou tanto este filme que os convidou a participar em Land of the Dead como cameos.
Podia ainda falar dos filmes de Resident Evil, mas toda a gente já os conhece e para dizer a verdade nem merecem assim muita menção, porque apesar dos jogos serem geniais e terem dado o inicio a um movimento de pé rastejante e de luzes em meio tom capaz de eriçar o pêlo do mais corajoso, os filmes são uma anedota pegada onde temos uma heroína injectada com esteroides e que ao estilo do celebre Chuck Norris enfrenta os diversos zombies.
Tenho ainda mais coisas a falar sobre Zombies, de como eles são…