

Com uma capa que parece um pack que se compra no Toys'r'Us por 5 euros e um nome semelhante a um assortido de frutas, chega-nos desta forma o cabaz com três candidatos a melhor jogo do ano.
No total são cinco jogos. Half-Life 2 com os seus dois episódios, Portal e Team Fortress 2. (E ainda há quem reclame que devia ter mais jogos.)
Começando pela joia da coroa da Valve, Half-Life 2.
Half-Life 2

Para a sequela de HL, a Valve decidiu focar-se na sua experiência única e a narrativa video-jogável ao invés de uma evolução às secções de tiroteio como é habitual em FPS. Ao criar uma série de obstáculos sucessivos (sejam eles puzzles ou perseguições por exemplo) para além de mais vagas de inimigos adicionais, Half-Life 2 tornou-se quase que mais uma aventura em primeira pessoa do que um FPS.
A história, considerada como ela nos é apresentada continua a ser um dos pontos fortes de HL, embora quando acabados ambos os episódios continuemos com mais perguntas que respostas. Basicamente queremos saber mais do universo de HL e o destino final das personagens tão carismáticas. Grande parte disso deve-se ao trabalho da Valve em não só criar personagens com expressões reais mas também um mundo todo ele detalhado e realista que ajuda a imersão do jogador.
Infelizmente para quem tem seguido a série no PC, torna-se já muito visível a formula reutilizada de HL2. Parte da ideia original dos episódios seria lançá-los em menores intervalos de tempo e não esperar quase ano e meio, embora a qualidade mantenha a mesma a estrutura do jogo também. No entanto Episode 2 é mais e melhor que o anterior, tirando a parte inicial que se alonga demasiado (o que num jogo de 7 horas equivale a 20-30 mins).
Escusado será de dizer que o famoso modo comentário está de volta e desta vez não só para Episódio 2 como também para Portal e Team Fortress 2.
Resumindo se gostaram de Half-Life 2 e Episode 1, vão adorar Episode 2 porque é simplesmente mais do mesmo e melhor.
Team Fortress 2

Nove anos, é quanto alguns esperaram por poder jogar este jogo. Tendo isso em conta é normal que as expectativas a Team Fortress 2 fossem elevadas e, ficámos admirados como não desapontou. Se alguma vez existiu um jogo disponível no Steam capaz de fazer mossa a Counter-Strike é este. É de facto uma tarefa quase impossível mas se houve algum título capaz de o fazer é Team Fortress 2.
Semelhante a CS é a estrutura do jogo, de resto existem duas equipas e cada mapa de jogo tem objectivos diferentes.
No entanto a particularidade de TF está no sistema de classes. Existem no total nove e cada uma única em relação às outras. Por exemplo o Demolidor (sem relação a Matt Murdock) é a única personagem com granadas, o Espião consegue disfarçar-se como um inimigo e assim enganar os oponentes etc... Cada classe é uma experiência diferente com as suas vantagens e desvantagens e todos beneficiam da cooperação em equipa.
Uma particularidade neste jogo é o aspecto visual, inspirado tanto em artigos publicitários americanos dos anos 20 como no trabalho da Pixar, a Valve e a sua equipa criaram um aspecto visual único e ao mesmo tempo resolvendo certos problemas sem grandes compromissos. Por exemplo, cada personagem é fácilmente reconhecível num olhar rápido, algo facilmente alcançável neste aspecto visual exagerado e cartonesco.
Os mapas também merecem especial atenção, embora pequenos em dimensão quando comparados a outros títulos, têm vários pontos de entrada e nenhum canto foi deixado ao acaso tendo tudo sido criado para proporcionar a melhor diversão caótica possível. Partidas a 24 jogadores é o caos. Tanto para fãs como iniciados em FPS competitivos online, TF2 é uma das melhores opções do momento.
Portal

Um aspecto que já não se vê muito hoje em dia é humor nos video-jogos, ainda mais triste quando vemos os jogos antigos da Sierra e LucasArts, que estão entre os melhores alguma vez criados, repletos de gargalhadas. Mas algo mudou, parece que jogos para uma faixa etária acima dos 12 anos têm de ser sérios, ou então ter pessoas sérias como protagonistas. Enquanto que o humor parece relegado ao lugar dos jogos para crianças. Mas eis que aparece a Valve com um produto que expira humor por quase todos os poros.
E o seu pináclo está em Portal.
É bem capaz de ser o melhor jogo de todo o pacote, é inovador, hilariante em certos pontos e simplesmente divertido. É verdade que muitos irão reclamar que o modo principal é curto, à volta de 3 a 4 horas na verdade, mas é exactamente por isso que o jogo funciona tão bem. É a duração correcta, nem mais nem menos. Uma série sucessiva de puzzles inteligentes que se resolvem com o uso de portais e aliado a isto está o brilhante argumento. Por incrível que pareça um jogo com uma história de natureza ainda mais minimalista que HL tem também um dos melhores argumentos repleto de humor negro que já vi nestes ultimos anos. E para quem quiser maior dificuldade tem também os desafios de dificuldade acrescida.
Não se deixem enganar pelo facto de Portal não ser um jogo de acção ou a falta de uma história épica com referências biblicas. É um excelente jogo que merece ser mencionado ao lado de outros grandes nomes. Mas acima de tudo é divertimento puro.
Embora demorado o lançamento da Orange Box, o resultado final oferece mais do que o suficiente para compensar o atraso, cinco jogos e cada um mais que justificaria uma edição individual.
Veredicto(s): The Orange Box - 10/10 - Recomendado