
Para o episódio de hoje ser bem sucedido preciso que usem a vossa imaginação.
Imaginem-se à entrada de um cemitério, é de noite e sopra um leve vento que de quando a quando vos acaricia o cabelo, como se alguém vos convidasse a entrar para uma noite inesquecível.
O portão encontra-se entreaberto e com o vento, os dois bailam uma valsa solene por aqueles que lá descansam sobre lençóis de pedra. Vocês estão parados, e em movimentos pendulares hesitam entrar, temem pela vossa vida e no exacto momento que decidem ir embora ouvem no ar...
“Bem vindos…”
Qualquer sinal de côr desapareceu do vosso corpo, brancos como cal é a côr que vos predomina, congelados no tempo ouvem aquela voz vinda do nada...
Como uma rabanada de vento, esta frase passa a correr por vocês, qual espectro de assombração de um Poe.
“Bem vindos a mais uma edição do Jogos & Joguinhos, esta é a primeira de duas edições especiais de Halloween ou dia das bruxas, vai ser uma edição repartida em duas partes porque hoje é o último fim de semana antes do fatídico dia em que os mortos se levantam para festejar.
Mas ainda faltam cinco dias até ao dia 31 e como forma de comemorar vou-vos mostrar cinco jogos de eriçar o pêlo. Seria cliché falar de Resident Evils ou Silent Hills, pois isso seria demasiado fácil, vão fazer uma viagem no tempo, onde os jogos já são putrefactos, mas que causam mais arrepios que qualquer arranhão sobre uma ardósia.. Gritem pela vossa mãe, escondam-se nas muralhas de cobertores, acendem as lanternas, pois esta noite vocês são todos meus…”
Vocês não vêm de onde vem a voz, não está lá ninguém, o céu breu cor de luto é trespassado brevemente pela lua que lidera o caminho por entre as campas. As fotos fixadas em vocês, olham-vos com pena, vocês caminham o corredor da morte.
“As campas ou jogos que vos vou mostrar não estão em ordem nenhuma específica, do menos assustador para o mais assustador ou algo assim do género, vou-vos apenas relembrar pérolas do passado que vocês terão que respeitar, irei apenas resumir a sua historia da vida, se querem saber mais, entrem na sua morada eterna…” Ecoa de novo a voz vinda de ninguém, do fundo do cemitério.
“Chegámos à primeira campa, 5 Days a Stranger, um jogo freeware de mistério/terror distribuído gratuitamente na Internet, conta-nos a história de um grupo de pessoas que ficaram fechadas cinco dias numa mansão, pânico, claustrofobia e sangue é a ementa do dia na casa vigiada não pelo Big Brother, mas pelo…Este jogo conta com mais três sequelas que vêm aumentar o terror, 7 Days a Sceptic, Trilbys Notes e 6 Days a Sacrifice” Continuam a avançar pelo cemitério abandonado, deixando para trás uma campa vazia, ao lado dela jazia um urso de peluche, já rasgado pelo tempo.

“Alone in the Dark, é o pesadelo de qualquer criança, ficar sozinha em casa, frágil à mercê de alguém com más intenções. Este conto Lovecraftiano prenderá qualquer um ao ecrã, não falo das novas iterações em 3D, mas sim do purista retro, não se deixem levar pelos gráficos, aproximem-se da velha mansão, a luz está acesa, batem à porta, perguntem peço…” Acabam de passar por uma cripta, a escuridão brilha lá dentro e vocês espreitam apenas para ouvir um choro de uma criança que pára assim que as vossas mãos tocam no vidro…
Continuam a andar, vacilam várias vezes, e eis que algo vos prende por trás com força e sentem o bafo quente de alguém na vossa face, sentem o frio do aço a acariciar-vos a garganta e de repente tudo cessa, viram-se para trás e ninguém está lá, apenas um xaile preso nas garras de uma campa.
“Jack the Ripper, o maior rival de Sherlock Holmes, recorrendo à vossa intuição e perspicácia, esta campa levar-vos-á a uma Londres podre e corrupta, onde o sangue pinta as paredes da cidade e as mulheres da vida fazem de Londres uma nova Sodoma e Gomorra. Isto é mais que um jogo, é a caça do gato, pelo rato…”
Vocês continuam a caminhar e deixam para trás o xaile solitário que acaba por esvoaçar em direcção ao vosso estômago, pegam nele ao mesmo tempo que o arremessam à Lua, levam a mão à camisola para limpar a cinza que este trazia, cheira a cachimbo…
“I Have No Mouth And I Must Scream, devem estar a pensar no mesmo, querem gritar bem alto e fugir daqui? Não se preocupem, está quase, mais um pouco. Apresento-vos a próxima campa, um jogo que mais que um jogo é um choque de realidade que nos coloca na pele de um cirurgião no auge da Segunda Grande Guerra, simplesmente não há maneira de ganhar, apenas poderão escolher a maneira de morrer…”
A campa à vossa frente está raspada no local onde supostamente estaria o nome, a campa ao contrário das outras está decadente, esquecida, escondida de si mesmo num acto de vergonha. Nem o criador aceitou esta pobre criatura que vê a sua campa vandalizada pelo tempo e pela vergonha, que alguém tenha a sua alma e as de quem ele torturou…
“Chegámos ao nosso destino, The Dark Eye, o olho morto que tudo vê, ele é dono deste cemitério e tem te estado a observar. Tens-te portado bem diz ele e ainda não chegou a tua altura, vá, regozija-te! Estás vivo! Ao contrário das personagens deste jogo inspirado num conto de Edgar Allen Poe, cujas vidas se cruzam umas com as outras e com a tua própria vida. Isto não é um jogo dirás tu, socorro gritarás tu, suspirarás tu pela última vez sem ninguém para te ouvir…Assustador? Assustador é a vida…Vai, foge! Aprende a viver! Há mais coisas na vida, vai antes que seja tarde e acabes aqui…”
Na campa está gravado uma órbita que fixa a porta do cemitério agora aberta, é a vossa oportunidade para sair daqui, correm com toda a vossa força e resisitência para a porta, a vossa vida passa-vos pela mente, as cinco campas, os cincos jogos, as cinco pessoas. Quem eram eles? O que fizeram eles? Não, vocês têm de sair do cemitério e contar a alguém, mas quem iria acreditar?
Eu…eu acreditei, nas vossas últimas palavras antes de se juntarem às campas, não sei se é verdade ou mentira, mas quando finalmente decido entrar no cemitério, a coragem foge-me como um cão vadio. Sinto-vos dentro do cemitério, vagueiam com passos tristes e de culpa. Sei que não aguentaram a pressão e num acto de cobardia o vosso dedo actuou como carrasco puxando o gatilho da guilhotina de fogo… Decido não entrar, decido viver e afasto-me dali, adeus…
Até dia 31 pessoal!