
Hoje em dia, mais do que nunca está na moda pintar um alvo nas “costas” dos videojogos. Os videojogos incentivam à violência, os videojogos não educam e são uma perda de tempo.
Ao bom estilo da inquisição espanhola, o videojogo é queimado em praça pública quando algo fora do normal acontece numa sociedade de “formigas obreiras”.
Mas, hoje vamos conhecer Ben Duskins. Ben lutou durante quatro anos contra à leucemia e como qualquer pessoa que luta contra esta e outras maleitas cancerígenas tem de passar por quimioterapia, um horror para quem sofre de cancro.
Para aguentarem uns agarram-se à religião, outros a estupefacientes, enquanto que muitos sofrem em silêncio, mas Ben diz que durante esses quatro longos anos aguentou-se muito graças aos videojogos.
Mas que efeitos medicinais têm estas máquinas? Podem perguntar. O nosso cérebro é deveras engraçado, ora estamos num minuto a contorcermo-nos de dor ou estamos focados numa Nintendo DS a jogar como se não houvesse amanhã.
Não sou médico, nem tenho estudos para tal, mas falo por experiência própria que quando nos concentramos em algo, o resto do nosso cérebro desliga-se de coisas superficiais, perdemos noções de dor, quente/frio e por vezes do tempo.
Graças a esta resistência sobre-humana, a fundação Make-a-Wish interveio e perguntou a Ben o que ele mais queria e este respondeu singelamente que queria fazer um videojogo.
"Acho que seria muito fixe, podermos matar as células do cancro não só com medicamentos, mas com espadas e tudo o resto.”, disse Ben a um repórter da CBS.
Foi então que Eric Johnston entrou em cena, Eric é um engenheiro de software da LucasArts e conta no seu currículo jogos como Star Wars: Episode I Racer e Star Wars: Rebel Assault.
Dito e feito, Ben e Eric puseram as mãos à obra e criaram um jogo onde entramos dentro do corpo humano e destruímos células cancerígenas enquanto combatemos com efeitos secundários.
Com este jogo, os doentes puderam se aproximar do trabalho dos médicos que todos os dias travam estas batalhas, escondidos num laboratório, onde em vez de espadas, usam microscópios onde o derradeiro inimigo é o tempo.
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“Víamos crianças a gritar e a chorar de dores, mas quando tinham os jogos na mão, esqueciam-se de tudo, algumas ainda se arrepiavam quando as injectávamos, mas estavam demasiado concentradas no jogo. Portanto é seguro dizer que a hora da injecção não era tão má como antes” diz a médica Lynnda Dahlquist ao referir-se à quimioterapia.
De facto é fenomenal o que os jogos conseguem fazer, porque uma cura não é só à base de medicamentos.
Mas ainda no mundo da medicina, os videojogos não só servem para suportar a dor, mas sim para a reabilitação, como é o caso da Wii. Graças à evolução da tecnologia dos videojogos, a Nintendo não podia estar orgulhosa de ter feito nascer a Wii, pois esta sua consola está a fazer bastante sucesso em vários hospitais norte-americanos.
Bart Scott, um jogador dos Baltimore Ravens, passa a maior parte do seu tempo livre junto com crianças paraplégicas e com elas passa uma tarde inteira a jogar, afirmando que até chega a perder às vezes.
É enternecedor como estas crianças por momentos esquecem os seus problemas por uma oportunidade de voltarem a jogar baseball, golfe, bowling, etc. Faltam iniciativas destas e mais uma vez por experiência própria, crianças e graúdos poderiam sair a ganhar daqui, porque uma pessoa não recupera só com medicamentos. Alguém, algures num hospital ou preso a uma cama, daria tudo por voltar a montar a cavalo, voar pelos céus, empunhar uma espada e defrontar um exército num enorme campo verde e no fim do dia ainda poder salvar a princesa.
Tão rotineiro para nós, um salva vidas para muitos…
Se estão interessados no jogo do Ben, podem fazer o download dele aqui.
Um muito obrigado pela leitura e um bem haja deste vosso amigo, André, salvo também pelos videojogos...