
É inevitável começar pela Playstation, a premiada consola da Sony. Uma marca enraizada por todo o mundo que ao longo de duas gerações de consolas dominou de forma incontestável o mercado. Desde 1995 a cultivar uma imagem difundida por diversos quadrantes e que mesmo hoje, quando a Sony passa por dificuldades com a PSP e PS3, acaba por colher alguns dividendos resultantes dessa anterior postura de sucesso.
E se é verdade que numa boa medida foi a própria Sony que potenciou o arranque frouxo das suas consolas, especialmente a PS3, não é menos verdade que a concorrência está mais atrevida e lutou bastante para criar vias alternativas de sucesso; fórmulas específicas que permitem agora disputar o pináculo das vendas, deixando a PS3, de momento, bem atrás.
A Microsoft teve o arrojo de lançar a sucessora da Xbox praticamente um ano antes das rivais. Pôde assim assegurar uma fase de transição (vital) com muitos jogos semi next-gen nas cartadas iniciais e, de forma calculada, antecipou a chegada de uma fornada de jogos mais adequados às potencialidades da consola que se foram vertendo desde 2006 até ao presente momento. E ainda estão outras pedras de toque para sair como Mass Efect, Lost Odyssey e outros.
Mas quem escondeu bem o jogo foi a Epic. Há praticamente um ano comunidades de foristas agonizavam pela chegada de Gears of War. As imagens difundidas praticamente hora a hora não deixavam margem para dúvidas. Cliff Bleszinski e restante comandita estavam a finalizar um exclusivo para a 360 que seria – a olho nú – o primeiro grande next-gen. E eu digo que a Epic escondeu bem o jogo porque não houve demonstração para ninguém. Nem antes nem depois do jogo sair. Quem queria aceder àquele potente visual tinha de o comprar. Ou o jogo ou o jogo e a consola (só mais tarde vieram os bundles Gears of War). E foi daquelas receitas de sucesso formadas com grande consenso, lançando em pouco tempo a Xbox 360 para uma segunda volta marcada por mais exclusivos de boa qualidade. O sucesso de Gears foi de tal modo incontestável que se prolongou até ao Natal e bem para além dele. Mistura de acção na perspectiva de uma terceira pessoa, combinada com elementos reminiscentes de RE4 (a câmara por cima do ombro), a forma gráfica (direcção artística empurrada pelo potente Unreal Engine) do jogo combinando a possibilidade de superar a campanha principal em modo de cooperação até dois jogadores. Em suma, um conjunto de elementos bem sucedidos que catapultaram um episódio exclusivo para a realização de uma trilogia.
Em pouco tempo, e com este pulo, a Xbox 360 dava mostras de um rumo mais sustentado e apoiado em novas franchises. Mais jogos novos e exclusivos representam uma escolha segura e estável enquanto que a concorrência (PS3 e Wii) se esvazia parcialmente em promessas e novas formas de chegar aos não consumidores de jogos de vídeo. Enquanto isso a Microsoft solidificou a aposta no mercado japonês com o anuncio de jogos como Blue Dragon, Lost Odyssey e Eternal Sonata. É uma mudança que acrescenta outro valor, especialmente por este cabaz de jogos significar muito para os consumidores ocidentais que regra geral apreciam RPG’s old school e de combates por turnos. Mas a aproximação a companhias japonesas de topo não se fica somente pelo criador de séries como Dragon Ball ou Final Fantasy. As maiores surpresas vêm da Capcom que anuncia dois grandes jogos exclusivos como Dead Rising e Lost Planet. O apoio de uma das mais creditadas empresas do Japão é um aliciante para a Microsoft. Apoio esse que chegou ao ponto de garantir uma versão do francamente esperado Devil May Cry 4, acabando com a exclusividade PS3. E com ele segue Resident Evil 5, série que transita pela primeira vez para uma consola da Microsoft.
Um ano de avanço perante a concorrência permitiu amadurecer a nova consola, ganhar visibilidade e espaço num mercado ainda dominado pela PS2 e passar a mensagem de garantias através de exclusivos sólidos que qualquer fervoroso jogador não quer deixar escapar, já sem contar com a prata da casa como Halo, PGR e Forza, autênticos blockbusters dos quais se esperavam continuações mais avançadas, adaptadas ao formato next-gen. Porém, ainda que estes últimos sejam sequelas para quem usufruiu até ao limite a anterior Xbox a verdade é que não deixam de ser excelentes cartões de visita para muitos jogadores que na geração anterior optaram pela Playstation 2 como principal centro de entretenimento caseiro.
Providenciando uma nova consola que seguiu a evolução natural da geração anterior, a Microsoft serviu-se de uma imagem mais apelativa e num logo baseado no verde e cinzento, predominando maioritariamente o fundo branco que serviu também para pintar as consolas.
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O logo da consola 360 mantém o X como ícone central, mas agora numa perspectiva esférica, tridimensional e rotativa concretizando a ideia da volta completa. O novo grafismo utilizado para promover os produtos e definir a 360 mostra-se com um fino corte e de uma mudança total do negro que a par do verde predominou na Xbox.
Mas, no meio deste conjunto de factores, muito se decide em função do preço, naquilo que cada um terá de gastar do seu bolso para aceder ao último grito da tecnologia afecta ao entretenimento. A Microsoft introduziu algo inovador. Criou dois packs de consolas, deixando como critério distintivo de ambas elementos que se adequam a perfis de jogadores distintos; os jogadores casuais que preferem uma experiência menos revolucionária e algo transitória do passado (a Core pack), e os jogadores hardcore que querem usufruir das principais vantagens da consola, nomeadamente a presença de um disco rígido para descarregar demonstrações, vídeos e outros da internet, um comando sem fios, um headset, um cabo ethernet para ligar a consola ao serviço Microsoft Live e o não menos fundamental cabo de ligação ao televisor de alta definição. O primeiro conjunto tinha o preço inicial de 319 euros.
O segundo pack, mais guarnecido e com uma série de expansões vitais para construir uma experiência absoluta custava sensivelmente 420 euros. Atendendo à grande mais valia do conjunto completo, superando cumulativamente em termos de poupança o que seria necessário para encher o pack básico, a dúvida que sobrava era a da adequação do momento da compra e sobretudo se seria um risco relativamente seguro apostar numa consola 360, quando os sites e blogues noticiosos davam conta que a PS3 seria um aparelho de lazer essencial na viragem de geração, especialmente pelo leitor Blu-Ray que logo à partida introduz um novo formato capaz de alargar a dimensão dos jogos para o interior do disco.
Porém, e a par, num situacionismo de acontecimentos, Gears of War permaneceu como jogo essencial na viragem e progresso da 360. Ainda que o PGR3 fosse extremamente vistoso no lançamento em 2005, os jogos subsequentes até à saída de Gears não convenceram totalmente muitos jogadores a darem o salto, o tal Jump In.
No meu caso senti-me durante muito tempo na expectativa de deixar fluir o mercado ou então aguardar por um momento mais adequado, obrigatório para dar o impulso quanto às novas consolas. E isso aconteceu no dia em que soube através do fórum Insertcoin que a Media Markt de Braga estava a realizar uma autêntica promoção de consolas Xbox 360, vendendo o Premium Pack a 299 euros. No fundo tratava-se de menos 100 euros, vinte contos na moeda antiga e logo de um dia para o outro. Um simples anuncio bastou para me meter em contacto com a Media Markt e confirmar a promoção. E assim, faz hoje precisamente um ano, pelas 15 horas, que viajei no meu carro até Braga, à Media Markt, para trazer a minha primeira consola da nova geração (acho que ainda faz algum sentido usar o termo next-gen). A escolha estava feita, era tempo de abrir a pesada caixa branca, inspeccionar o interior, desembrulhar a consola, componentes e encetar a contagem decrescente para Gears of War e Lost Planet, jogos determinantes na escolha. É evidente que tinha curiosidade pelo Halo, Forza, PGR e outras novidades, mas lembro-me que o Gears estava na linha da frente, mesmo prestes a rebentar e com a promoção tão perto não tive outra alternativa senão fazer a tal viagem.
Esta é assim a primeira parte que compõe um especial Xbox 360 e que se desenvolverá ao longo de possivelmente mais duas partes. É também um especial baseado numa vertente pessoal, sem contudo descurar o que de relevante e importante acrescentou a nova consola da Microsoft num mercado praticamente dominado pelos sistemas Playstation. Nunca tive a Xbox e, na altura, a aquisição da 360 fez-me debruçar sobre uma parte do mercado que até aí não conheci com poder efectivo. Com a 360 chegaram também as ligações à internet da nova geração, os jogos, os formatos paralelos, o mercado, enfim um conjunto de factores, nos quais há sempre pontos a melhorar, e sobre os quais versarei nas futuras partes deste especial.
Fiquem de seguida com um divertido comercial Xbox 360.