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Este tem sido um ano e peras para os titulares da Xbox 360 que vibram e adoram os jogos de automóveis. Primeiro foi Forza 2 que em Maio chegou ao mercado, um balaústre exclusivo Microsoft que vai fazendo as delícias dos jogadores através dos prolongados modos single e multiplayer. Agora, em Outubro, é a vez de acolher a última obra da Bizarre Creations: Project Gotham Racing 4. Isto porque nos últimos dias ficamos a saber que a Microsoft ficou com os direitos da série à Bizarre (agora pertença da Activision) e possivelmente entregará os títulos subsequentes a um estúdio de produção interno. Uma mudança total que já está a causar muitas dúvidas quanto à futura qualidade da série.
Independentemente disso a demonstração de PGR4 já está disponível no marketplace para descarga e logo providencia um acesso às grandes novidades como novos percursos, chuva, neve e as tão badaladas motas de pista que fazem parelha com a classe dos automóveis.
Quanto à demo propriamente dita estamos convencidos que é uma das melhor conseguidas até à data. Mais que deixar testar a estrutura já conhecida na série nos habituais esquemas de corrida como passar certos checkpoints antes do tempo findar, ganhar um one-on-one e atravessar os mecos sem tocar neles, a demo tem um quadro de pontuações mundiais que permite cifrar a nossa posição no meio dos amigos que temos adicionados ao Live. No fundo trata-se de uma versão mini de PGR4 e até medalhas podem ser adquiridas de início, sendo necessária condução de faca nos dentes para rasgar a passagem na dianteira quando o objectivo é atingir a platina. Jogado assim, PGR4 parece ter pernas para voar.
E é precisamente isso que PGR4 devolve: grandes doses de estonteante velocidade e passagens em curva alucinantes, deixando o veículo nos rails até causar faísca. O motor ronca grosseiramente, a engrenagem nas mudanças alarga a adrenalina e se a pista for a do Hotel Lisboa (citadina) em Macau – onde se faz o mítico GP de Macau que consagrou nomes como Senna e Shumacher - no meio de rectas longas, curvas rápidas e ganchos pelo meio, é receita para a satisfação total. No meio disso junte-se o aspecto da chuva que empresta uma condução mais escorregadia, perigosa e até ajuda a formar poças de água que travam a aceleração do carro.
O efeito dos salpicados no vermelho Ferrari é uma subtileza gráfica e forma um quadro visual invulgarmente interessante. Outra novidade em termos de ambiente é a presença da neve. Naquilo que a demonstração nos deixa percorrer, só metade do circuito F1 de Nurburgring está disponível para um gostinho. Mas confesso que a neve me desapontou. Esperava uma condução mais avessa quando as rodas tivessem de picar o gelo e que o elemento não servisse tanto para enfeitar de branco as pistas de corrida. Mesmo a queda de neve também não é nada de especial.
Tirando Nurburgring o resto da demo atravessa Macau, que como ex-colónia portuguesa está pejada de percursos baptizados com nomes de portugueses e outros símbolos nacionais que ainda representam a antiga administração. A nível gráfico tem zonas espantosas como viadutos estreitos, edifícios e zonas verdes adjacentes bem cuidadas. E nisto até há uma certa evolução em relação ao episódio anterior. A fluidez é boa, não há quebras de frame rate e tal como foi apanágio de PGR3, a sensação de profundidade com edifícios vistos ao longe, numa posterior aproximação, fabrica um efeito de corridas citadinas que poucos jogos do género conseguem chegar. Não chega ao visual incólume e imperial do Forza 2, mas PGR4 é um jogo de tendência arcade, divertido e com forte apelo visual.
É mais fácil acelerar e travar tarde e circula-se muitas vezes a fundo num estilo que também faz lembrar os mais recentes Burnout.
Outro grande aspecto novidade é a inclusão das motas de pista como as Hondas CBR que disparam como balas no arranque. Há aqui algumas pormenores interessantes derivados de Motorstorm como o braço levantado para quem vem atrás a perturbar. E como qualquer aspirante às piruetas que Valentino Rossi gosta de fazer depois de ganhar uma corrida, também aqui pode levantar o pneu da frente, e até durante o curvar pode desmontar da mota puxando a perna interior para o lado de fora. É divertido ver isso e será possivelmente uma forma de “picar” quem vem atrás nas corridas multiplayer.
A condução das motas surpreendeu-me pela positiva. Estava à espera de algo artificial e que não fosse capaz de alcançar uma realização bastante credível. Em comparação com Moto GP 07 até está praticamente ao nível e em alguns momentos (nas sacudidelas), como a aceleração à saída de uma curva fechada, chega a reproduzir melhor a sensação. Mas correr numa mota tem os seus riscos, especialmente quando existem carros no meio. A possibilidade de ficar esmagado num muro é enorme e volta tudo à estaca zero. De qualquer modo a introdução das motas é um bom acrescento às possibilidades dos jogo e vem também alargar a longevidade, já que há medalhas para obter com carros e outro segmento de medalhas destinadas à condução das motas.
No mais temos aquilo que PGR nos vem habituando. Música variada durante o jogo, visão do interior com volante e interior à mostra – boa sensação de encapsulamento - tem sempre aquele destaque, embora seja mais difícil conduzir à chuva graças ao deslize acentuado nas curvas.
Claramente daqui fica a impressão que PGR4 é um jogo a comprar para todos os interessados sendo patente que no Xbox Live os grupos de signatários fiéis ao género já começam a organizar corridas multiplayer. Antes da aquisição terá sempre uma demonstração alargada para descarregar do Marketplace, que satisfaz em boa dose e o retém por mais tempo do que é comum neste tipo de demonstração.