
Duas da tarde no Mariott Metropolitan Hotel; a razão: um evento para apresentar os jogos que a Activision lançará até ao Natal, em Portugal através da sua distribuidora, a EcoFilmes.
Vindos a correr e com parco almoço, directamente da apresentação de Project Gotham Racing 4, na sede da Microsoft, a equipa ENE3 deu entrada no luxuoso hotel e fomos prontamente encaminhados para uma das salas, decorada a propósito para o evento, com altos cartazes dos lançamentos mais importantes da Activision. Call of Duty 4 e Guitar Hero 3 tinham destaque, mas Tony Hawk's Proving Ground e Spider-Man: Friend or Foe também estavam bem evidentes.
Num dos extremos da sala, stands com consolas Xbox 360 tinham os três últimos em forma jogável, mas nada se via da obra da Infinity Ward. No outro extremo, estavam cadeiras montadas em jeito de plateia, em frente a uma quadra de televisores LCD que funcionavam como um único ecrã. Depois de uns largos minutos para experimentarem os jogos em exposição, foi pedido aos jornalistas que se sentassem; iria começar a apresentação.
Dita apresentação decorreu inteiramente em inglês, largamente pela voz do simpático Emerging Markets Business Support Manager da Activision Europe, Wilfrid Vinmer (que simpaticamente concordou em escrever-nos o seu nome; nós nunca acertaríamos), e consistiu em mostrar um trailer de cada jogo, seguido da apresentação powerpoint com a informação correspondente. O catálogo da Activision é sem duvida sólido, com jogos para todas as idades e disposições; pecará apenas por não incluir um único titulo original -- todos os jogos são sequelas ou licenças de filmes/bandas desenhadas. Infelizmente nenhum dos vídeos é propriamente novo, estando todos disponíveis na Internet há largos meses. A apresentação terminou em grande, com Vinmer a demonstrar um nível jogável de Call of Duty 4, o mesmo que tinha sido jogado em Los Angeles, na E3. Podem ver todas as informações e as nossas impressões na segunda parte deste especial.
Depois de uma breve pausa para bolos e café, chegou a altura de uma sessão de perguntas e respostas com Jean Claude Ghinozzi, vice-presidente da Activision Europe, de quem retiramos algumas respostas interessantes, ainda que a maioria tenham sido as típicas respostas de alguém altamente treinado em marketing.
A primeira pergunta coube à ENE3; conhecendo já o destino da série PGR (fica na Microsoft), e ansiosos por saber o de uma das nossas séries favoritas, Geometry Wars, perguntamos a Ghinozzi quais franshises da produtora Bizzare Creations a sua aquisição tenha englobado. A resposta foi simples: nenhuma. A aquisição da equipa engloba apenas o talento, e a tecnologia. Mais tarde, quando questionado acerca do numero exacto da avolumada soma paga pelo estúdio, Ghinozzi diz apenas: "Talent costs.".
Outra pergunta pertinente, feita pelos colegas da PTgamers, foi relativa à supra-citada falta de inovação e produtos originais no catálogo da Activision. Ghinozzi não dá desculpas; desenvolver IP original custa muito dinheiro, é muito arriscado, e mesmo quando bem sucedido, não paga dividendos tão grandes. Entre sequelas de produtos para os jogadores mais hardcore, e licenças de filmes ou banda-desenhada para uma audiência mais casual, a Activision encontrou uma base sólida para fazer lucro, e não pretende arredar pé dai; no entanto concede que a Bizzare Creations seria uma boa linha de partida para um novo IP. Suspeito que de corridas automobilísticas.
Em relação ao facto de parte do seu catálogo ser apontado aos mais jovens -- e, parafraseando o diário lisboeta Meia-Hora, 75% dos jovens entre os 12 e os 17 anos joga videojogos -- e à forma como os media encararam os hábitos de jogo da juventude como pouco salutares, Ghinozzi foca três pontos essenciais: o facto da Activision produzir "clean games", jogos limpos, sem sangue ou gore; que as crianças são os jogadores do futuro, e como tal um importante mercado; e finalmente, que deve haver uma educação dos pais por parte das companhias e suas distribuidoras, de forma a que eles reconheçam que jogos são apropriados ou não para os seus filhos.
Findou assim uma tarde sem grandes revelações, de onde a grande conclusão a tirar é que a Activision entre neste final de ano com um catálogo de jogos invejávelmente sólido. Leiam as nossas impressões nas próximas páginas.
Evento Activision: Os Jogos (primeira parte)
Evento Activision: Os Jogos (segunda parte)