
Vamos ter de admitir que Halo é um jogo que transcende a barreira dos jogos, tendo-se tornado num símbolo da cultura pop, move multidões e os números comprovam isso mesmo: 1,7 milhões de pré-encomendas, um recorde, e mais de 170 milhões de dólares gerados só no primeiro dia nos Estados Unidos da América que é outro máximo. Halo 3 conseguiu bater o recorde de Harry Potter e de Spider Man 3 que antes do dia 25 de Setembro eram os líderes no que toca ao lucro gerado no primeiro dia no campo do entretenimento.
Mas será que o hype estrondoso gerado em volta de Halo 3 é merecido?
Bom, a resposta é, claramente, não. Mas também, digam lá, que jogo podia fazer justiça ao hype que geraram em volta de Halo 3? Nenhum. É uma verdadeira loucura. Mas também não é qualquer jogo/filme/livro que consegue criar um hype tão grande, tem de ser especial, e Halo é uma franchise que é muito especial e que conseguiu chamar à atenção o mercado mainstream.
Mas deixemo-nos de números e hype´s e vamos ao que interessa.
Halo 3 é mesmo o final da história de Halo. Desta vez nós acabamos mesmo a batalha contra os Covenant. Devo dizer, que quem nunca jogou os outros dois Halo’s não vai achar mesmo piada nenhuma à história. Mas para quem jogou os outros jogos, principalmente o Halo: Combat Evolved, temos coisas que vão fazer a delícia de qualquer fã. Pode-se dizer mesmo que Halo 3 é um jogo feito para os fãs, pois só os seguidores da série é que vão realmente gostar do enredo do jogo.
Falando no departamento gráfico do jogo, este não apresenta gráficos do outro mundo, é aliás um jogo bastante modesto. Por isso não esperem ver gráficos tão bons ou melhores que os de Gears of War, por exemplo. Mas o motor de jogo de Halo 3 tem surpresas bastante agradáveis: temos níveis mesmo muito vastos, a escala de Halo 3 é enormíssima; vamos participar em batalhas épicas com vários Covenant a atacarem ao mesmo tempo e com uma Inteligência Artificial bastante competente; temos explosões, efeitos de fumo, fogo e poeira lindos! Existem mesmo muitos detalhes espectaculares. A água também está cinco estrelas. Mas o forte de Halo 3 em termos gráficos é mesmo o motor de iluminação, que é simplesmente o que de melhor se fez até hoje.
Infelizmente, existem texturas em certos locais que são de baixa resolução e que estragam um pouco o jogo visualmente. Penso no entanto que se pode dizer que Halo 3 é um jogo muito bonito, a arte do jogo é fenomenal e a arquitectura das estruturas alienígenas são magníficas. Mas Halo alcançou o estatuto que tem hoje não só pelos gráficos, mas sobretudo pela jogabilidade, que neste terceiro capítulo está ainda mais refinada.
Eu, muito sinceramente, acho que em Halo 3, a Bungie decidiu implementar todas as ideias que, no tempo da primeira Xbox, não puderam ser implementadas devido a limitações de Hardware ou tempo de desenvolvimento. Parece que os sonhos mais loucos da Bungie se tornaram realidade. Assim, temos mais dois tipos de granadas, vários veículos novos e o aperfeiçoamento de outros, muitas armas novas e equipamento diverso que ao toque do botão X pode mudar completamente a forma como abordamos as batalhas.
O jogo está mais balanceado também. A Inteligência Artificial é competente, os inimigos nos níveis de dificuldade mais elevados são implacáveis, usam e abusam das granadas, aliás muitas das vezes ouvimos os Brutes a aliciarem os Grunt’s para atirarem granadas e de repente vemos uma chuva de granadas plasma na nossa direcção, estes momentos valem mesmo ouro. Mas existem outras alturas onde a estupidez impera. Por exemplo, escolham sempre conduzir os veículos, pois a I.A. não é competente o suficiente para ser o vosso motorista, também a Flood, por vezes, tem grande falta de inteligência. Existem momentos onde atacam todos à molhada e ao mesmo tempo, noutras alturas ficam parados à espera de serem chacinados.
Mas tenho de deixar aqui uma nota bastante positiva em relação à Flood, é que desta vez ela está muito mais perigosa, quando não está parada. Por exemplo, se vocês não esventrarem completamente os corpos infectados de Flood, aqueles bichinhos pequenos regeneram esses corpos e acreditem que existem mesmo muitos bichos daqueles. Também está excelente a metamorfose dos corpos mortos em Flood, assim como um novo tipo de inimigo que se pode transformar em turret ou num gigantesco monstro.
O jogo também se tornou um pouco mais fácil. O modo normal é bastante acessível, aliás demasiado acessível, o modo Heroic para mim é o ideal, é difícil, mas não excessivamente, se bem que por vezes existam picos de dificuldade um pouco esquisitos. O modo de dificuldade Legendary é tão lixado como sempre foi, não é qualquer um que passa o jogo em Legendary.
A nível sonoro, contamos com algumas reciclagens das músicas dos outros Halo’s, e a adição de outras novas, recorrendo-se bastante ao piano. É mais uma grande obra orquestral de Martin O’Donnell. De resto, os efeitos sonoros são tão bons como sempre e jogar isto num sistema de som 5.1 é um mimo.
Indo agora para o multiplayer, temos 11 mapas de todos os tipos: Mapas pequenos, mapas grandes, mapas assimétricos, mapas simétricos, mas tudo mapas muito porreiros. O multiplayer está espectacular, existem mesmo muitos modos de jogo com especial destaque para o infection, o que matar mais zombies ganha.
Destaca-se também o co-op a quatro jogadores através do Live e um sistema de pontuações no Single-Player. Temos acesso a muitas opções no multiplayer, podemos fazer muitos modos de jogo, mas a grande novidade é o Forge, um modo onde podemos modificar tudo o que está nos mapas multiplayer. É um editor de mapas espectacular e muito poderoso, pois pela primeira vez podemos modificar os mapas enquanto estamos a jogar. É muito simples de se usar e podemos guardar as nossas criações e partilhá-las com os nossos amigos. A imaginação é o limite com o Forge. Podemos também fazer o download de modificações para a nossa consola, o que torna a experiência Halo 3 Online quase infinita, é um jogo que daqui a 3 ou 4 anos ainda vamos estar todos a jogar.
Vou também dar os meus parabéns à Bungie por ter criado um dos melhores net codes alguma vez feitos. Não necessitamos de uma grande ligação para decorrerem jogos sem lag. Aliás, só para terem uma ideia, estava a jogar com 16 pessoas online e a sacar coisas da net no meu PC e não havia lag. E mesmo que por alguma razão comece a existir lag excessivo, o jogo muda automaticamente de host para outra pessoa que tenha uma ligação melhor. É fantástico mesmo!
Temos também um novo modo Theater onde podemos ver e guardar as nossas partidas online. Agora já todos podem ver o quão bons vocês são a jogar Halo 3. Tirem screens, guardem filmes ou clips e mostrem a todo o mundo. Sinceramente, nunca pensei que fosse gastar tanto tempo a ver filmes das minhas partidas.
Halo 3 tem uma forte aposta na comunidade, podemos partilhar vídeos, screens, fazer modificações a mapas e criar novos modos de jogo. E depois temos o site da Bungie, onde estão listados todos os conteúdos criados pela comunidade de Halo. A Bungie simplesmente conseguiu criar aquilo que pode ser chamado: O Halotube.
Halo 3 é um grande jogo, mesmo um excelente produto que a Bungie criou, é um jogo enormíssimo, existe tanto para fazer, e acima de tudo é divertido, tanto online como offline, tanto jogando sozinho como jogando com amigos. É divertimento em estado puro! É também uma grande evolução no que toca aos jogos online, está a anos-luz do que tudo o que saiu até hoje. Por isso, dou a nota máxima, não vejam a nota como referente só ao Halo 3, mas sim como um tributo à Bungie pela trilogia espectacular que criou, pelo universo de Halo que inspirou tanta gente e por todos os momentos bons que passámos a jogar com o Master Chief.
Nota final 10/10