

Em 1997 vários JRPG foram eclipsados pelo mamute da antiga Square-Soft, Final Fantasy 7, mas mesmo assim vários títulos conseguiram surpreender e assegurar os seus próprios admiradores. Entre eles encontra-se Wild Arms.
Passados dez anos e quatro títulos pelo meio, eis que aparece o que mais se aproxima de superar o título original: Wild Arms 5 ou Vth Vanguard para os mais puristas./p>
Seguir a tradição não tem nada de mal, principalmente quando é de boa qualidade. Wild Arms 5 é um título tradicional da série que aproveita para melhorar alguns aspectos de títulos anteriores.
Entre os vários melhoramentos encontra-se o sistema de batalha apresentado no quarto título, o sistema HEX. O combate consiste num campo preenchido por uma série de hexágonos, cada um com características diferentes tais como um aumento de poder de ataques elementares de fogo, condições adversas como envenenamento, entre outras. Graças a isto as batalhas tornam-se mais rápidas que o típico JRPG e igualmente estratégicas. Mas só até um certo ponto visto que a inteligência artificial nem sempre aproveita todas as possibilidades deste sistema.
A personalização das personagens é um aspecto de pouca nota, para além do habitual armamento com o qual nos podermos apetrechar contamos com crachás que contêm habilidades especiais. Existem também seis Mediums com os quais temos acesso a mais habilidades exclusivas como magia, denominadas aqui por comandos Originais. A aprendizagem destas habilidades no entanto é uma aprendizagem provisória, que consiste em trocar pontos de vida pelo seu uso mais cedo. Mas este sistema torna-se inútil visto a troca não justificar a perda dos pontos de vida por algo que se obtêm automaticamente quando chegado ao nível requerido.
É estranha esta simplicidade quando o terceiro título tinha uma vasta personalização disponível ao jogador.
Igualmente tradicional é a história com o seu estilo mistura de Velho Oeste com Anime.
A história cuida mais uma vez sobre um planeta chamado Filgaia cuja biosfera se encontra em detioração razão pela qual o jogo é inspirado nos velhos tempos do Velho Oeste, Faroeste ou Western se preferirem. Nesse mundo vive um rapaz chamado Dean Stark, a personagem principal, que com a sua amiga de infância Rebecca encontram uma rapariga de longos cabelos prateados, amnésica, chamada Avril. Lembrando-se apenas das palavras “Johnny Appleseed” eles partem em busca do seu significado. Nada de muito original mas funciona.
Se o trio inicial vos parecer muito semelhante ao de Skies of Arcadia, não é de admirar, mas as semelhanças acabam logo aí. A história de cada personagem é interessante e embora talvez consigam perceber alguns segredos muito antes da sua revelação não vão perder o interesse nas personagens. De facto estarão mais interessados no que acontecerá às personagens do que perceber os segredos por detrás de Avril. Isto é devido à incrível qualidade de escrita que faz maravilhas ao argumento. A localização não é trabalho fácil e a XSeed, distribuidora e tradutora para a língua Inglesa, esmerou-se.
Embora nem tudo seja um mar de rosas, um aspecto praticamente inerente ao género é a simplificação de temas mais complexos. Visto que a faixa etária alvo destes jogos se destina a adolescentes dos doze anos para cima, WA5 não é excepção. Desde questões polémicas como a desigualdade social e a interacção entre ambas até ao prazer no sofrimento alheio, estão presentes na história principal. Mas é escusado esperar algo de mais para além de uma simples resolução tipicamente juvenil.
Embora tenha elogiado e muito a qualidade de escrita ela não salva estas situações da história principal, mas também não nos impede de jogar, sendo facilmente postas de parte.
A temática anime presente na história também se encontra bem presente nos gráficos. As personagens principais estão com um aspecto muito definido e limpo embora longe do alcançado em Dragon Quest 8. O resto pode de facto não ser o jogo mais bonito que alguma vez viram mas não é feio. Longe disso, o seu aspecto limpo e bem definido é ajudado pela suave fluidez dos 60 frames por segundo. Infelizmente a área geral do mapa do mundo é outra conversa, tendo um filtro que lhe confere uma certa bacidez e nota-se a falta da fluidez presente no resto do jogo. Sem esquecer as ínumeras barreiras invisiveis em locais que não fazem sentido nenhum.

Continuando a boa tradição, a música também é o que se espera de um título da série. Sempre com uma boa qualidade as músicas adequam-se à situação e claro sempre com uma temática muito Velho Oeste.
A componente sonora de maior louvor no entanto são as vozes. A XSeed fez um excelente trabalho e é impressionante a prestação dos actores. É, no entanto, normal fartar-se da frequência com que Dean repete as várias linhas quando realiza uma simples acção como saltar, mas para isso é que existe a opção de escolha da frequência com que queremos ouvi-las.
Voltando a bater na mesma tecla, (quase tantas vezes quanto uma certa metáfora é usada e abusada no decorrer do jogo) WA5 é um JRPG tradicional. Assemelha-se muito aos títulos pré-PS2 e o segundo melhor da série. Não é “mais um em muitos”. É um título recomendado para os amantes do género.
Nota : 8/10 Recomendado