
Há cerca de dois anos e meio, eram notícia os milhões de cabeças que explodiam, sangrando de admiração, de contentamento, de raiva, de excitação pelo lançamento de Resident Evil 4 para a Gamecube. O jogo recebia notas altíssimas, em toda a parte, não havia ninguém no seu perfeito juízo que não ficasse petrificado pelo jogo. Resident Evil 4 foi um marco na história dos videojogos ponto final, e até não sou eu a considerá-lo, a famosa e conceituada revista Edge, colocou Resident Evil 4 no seu top 10 dos melhores jogos de sempre. Depois de Resident Evil 4, o mundo ficou diferente, considera-se que estamos na era pós-Los Ganados (os “zombies” do jogo), tendo já inúmeros jogos pedido emprestado o conceito inovador da câmara de jogo, colocada sobre o ombro da personagem principal, por exemplo estou-me a lembrar do blockbuster do ano passado, Gears of War, e da promessa da Sony para este período natalício, Uncharted: Drake's Fortune, ficando uma referencia no mundo dos videojogos.
E não foram só as cabeças dos jogadores que rolaram, a própria cabeça de Shinji Mikami rolou, e fez soar os alarmes dos mais aficionados fãs Nintendo. Provavelmente não estão recordados, mas este homem, proferiu uma celebre frase do tipo “Este jogo é exclusivo Gamecube, se sair noutra consola, eu próprio cortarei a minha cabeça” (bem não foi bem assim a frase, mas andará lá perto).
Frase atrevida, audaciosa por certo, já que a Capcom tratou de ligar para a funerária mais próxima, e para os serviços de limpeza da câmara municipal, não fosse a linda carpete ficar manchada. Por outras palavras, passado sensivelmente um ano, depois de ter sido lançada a versão Gamecube, e de esta ter vendido mais de um milhão de cópias, a Capcom anunciou a versão para outra consola, com uma maior cota de mercado, estou a falar como é óbvio da Playstation 2. A versão, diga-se de passagem, foi muito bem concebida, levando ao limite o hardware da PS2, e como bónus os possuidores da consola ainda receberam uma missão extra composta por 5 episódios, onde a protagonista é Ada Wong, levando o jogador a descobrir pedaços da historia, que ficaram por explicar, e também receberam mais um fato extra, e uma nova arma. Isto é, já não bastava Resident Evil 4, ter dos melhores extras alguma vez feitos, que é o modo de jogo Mercenaries, ainda levam com mais modos de jogo, mais uns mimos para completar o ramalhete. Os possuidores da PS2 ficaram mesmo com a barriga cheia, e a coisa não era para menos, pois foram vendidas cerca de 2 milhões de cópias.
Mas a matança da Capcom ainda não estava completa, sem antes lançar a versão PC, digo matança não só para Shinji Mikami, mas também para os jogadores que compraram a versão PC, dado que estava ainda mais fraca graficamente que a versão PS2, e apresentava bastantes bugs. Passado uns meses os bombeiros da Capcom conseguiram travar os danos e salvar a situação, lançando um patch que corrigiu todos os erros, e colocou alguma honra e dignidade na versão PC.
Esta é a história de um dos melhores jogos da geração passada, mas ainda ia dar mais que falar, nesta nova geração. A Capcom voltou a tocar à porta de Shinji Mikami, anunciando uma outra versão, mas antes que ele cometesse mais um combo suicída, a Capcom apressou-se a anunciar que seria para uma consola Nintendo, para a Wii.
A versão Wii destaca-se das demais, em primeiro lugar, por levar com o tratamento gráfico da versão Gamecube, que era a melhor versão, graficamente para consola; em segundo lugar ser completamente em 480p e widescreen, não contendo as famosas barras negras da versão Gamecube; em terceiro lugar, por ter todos os extras da versão PS2, ou seja os possuidores da Wii poderão, após completarem o jogo, levar com mais umas horas de diversão em Separate Ways, o extra em que a personagem principal é Ada Wong; e por fim em quarto e em exclusivo, dar completo uso às novas funcionalidades do comando Wii, proporcionando aos jogadores uma sensação refrescante de novidade, dando uma nova chama ao jogo. Estou-me a referir, como é óbvio, a quem já jogou as outras versões de Resident Evil 4, pois para quem ainda não jogou a sensação será de louvar aos céus.
A história mantém-se intacta: a Leon S. Kennedy, protagonista em Resident Evil 2, agora ao serviço do presidente dos EUA, é incumbida a missão de salvar a sua filha, que foi raptada e levada para uma remota aldeia espanhola. Leon esperava um dia calmo, pois comparado com os acontecimentos em Raccoon City, achava ele, esta missão seria uma brincadeira de criança. Bem cedo iria perceber que não era uma simples missão, e que a pacata aldeia espanhola tinha tudo menos sossego. Em vez de encontrar aldeões simpáticos e afáveis, encontrou uma meia dúzia de palavrões, normalmente seguido por umas machadadas, motos serras, enfim não era bem este o comité de boas vindas que estaria a espera.
Eles não eram simples zombies como nos Resident Evil anteriores, eram organizados, tinham inteligência, tornando mais difícil a missão do jogador. Como disse, o dialecto destes aldeões resume-se a uma dúzia de palavrões castelhanos que são facilmente reconhecidos por nós portugueses, ficando no ouvido, e sem darem conta, ficam infectados por esta praga de má educação, repetindo vezes sem conta as mesmas expressões na vida real (Alhi está, hamos a cerca-lo, mata-lo, no lo descem que se escapem, te voy a hacer em picadinho...).
O santo graal da versão Wii é sem duvida a utilização das funcionalidades do comando, em quase todos os movimentos. A primeiro coisa que nos salta à vista é a constante mira em forma circular, presente no ecrã, que serve como apontador, tornando uma simples matança, num festim de balas, e cartuchos. A sensação é fantástica, e em poucos minutos, conseguimos mandar algumas cabeças pelo ar. A mira é muito mais precisa e os nossos movimentos são muito mais rápidos, graças ao comando, claro está não aconselhado a doentes de Parkinson. Só para vos dar uma ideia de como está perfeita a mira, durante o jogo somos brindados por um side game, uma espécie de tiro ao prato, onde é posta à prova a nossa rapidez nos movimentos, atirando contra bonecos inanimados, e recebendo no fim uns prémios, caso tenhamos bons resultados. O caso é que eu passei este side game muito facilmente, tendo adquirido todos os prémios possíveis, coisa que na versão Gamecube, devido aos movimentos analógicos, que são menos precisos, e principalmente muito mais lentos, eram precisas inúmeras tentativas de forma a conseguir finalizar este side game.
Outra grande nota a salientar é a simplicidade desta versão; apenas com um simples abanão sacamos logo da faca, num movimento muito intuitivo, tornando esta muito mais fácil de utilizar, e principalmente útil, quando as coisas estão negras e os Ganados estão perto demais. Infelizmente tenho também de salientar um ponto menos bom, que foi a não utilização do sensor de movimento do comando para a sniper rifle, ficando encarregue o controlo desta ao analógico. É aqui que se nota a diferença entre os dois controlos, e da pequena revolução do comando Wii.
Apesar de tudo é um port, uma versão de um jogo lançado à dois anos e meio, mas mesmo assim esta é a versão definitiva do jogo, com o pacote completo, a nova opção de controlo, e com o preço bastante apelativo de 34.95 euros, excepto em Portugal, onde está a 49.90 euros. Se é ou não é obrigatório ter este jogo, fica ao critério de cada um, mas na minha opinião, só têm a ganhar se comprarem a versão Wii. Para aqueles que ainda não compraram nenhuma das versões e tem uma Wii em casa, peguem nas chaves do carro e vão a uma loja mais próxima, pois este será sem duvida um dos jogos que perdurará nas vossas memorias.
Nota : 9/10 Recomendado