[IMPORTAçãO] JEANNE D'ARC - PSP
9 de setembro, 2007 04:01 PM por Sérgio Henriques
Certamente a heroína francesa nunca se deparou com um orc ou empunhou uma poderosa bracelete que lhe concedesse especiais poderes, mas ninguém contestará que ela de facto nasceu em Domrémy, realmente foi ferida no cerco de Orléans ou o papel do Duque da Burgundia no desenrolar da sua história.
Todos estes pontos são, liberdades artísticas à parte, correctamente retratados no jogo, aproveitando várias oportunidades para, sem nunca desvirtuar a viagem de Jeanne, introduzir elementos que apenas ocorrem na história escrita pela Level-5 (conhecidos principalmente por Dark Cloud 1 e 2, Rogue Galaxy e Dragon Quest: Journey of the Cursed King).
E é este falso apoiar em eventos históricos que confere a Jeanne D’Arc uma narrativa sólida e aprazível, indo ao encontro de uma jogabilidade digna dos mesmos adjectivos.
Jeanne D’Arc , como rpg estratégico, fica confinado às restrições de um género pouco dado à inovação. Beneficia, ainda assim, do bom trabalho da Level-5 que, apostando nalgumas nuances que o distinguem dos restantes, conseguiu tornar o título uma experiência interessante, mesmo para aqueles que já estão habituados a estas andanças.
A mais óbvia diferença reside na forma como as personagens utilizam habilidades (doravante skills), exceptuando a básica função de ataque, os personagens não possuem nenhuma skill própria, sendo a sua aparência, a arma de eleição e a forma como os seus atributos evoluem os únicos factores que os distinguem.
Estando as personagens munidas de um crescente número de “skill slots”, é-nos dada a possibilidade de equipar qualquer magia ou skill de suporte em qualquer personagem, exceptuando habilidades especificas a determinadas arma.
Este tipo de flexibilidade permite adaptar os nossos personagens para a batalha que se avizinha (as
skills podem ser retiradas e equipadas sem qualquer restrição, imediatamente antes da batalha), adicionando uma componente muito táctica à preparação da batalha. Componente reforçada pela existência de três afinidades, que fazem com que o personagem que equipe a afinidade x possua vantagem sobre um com a afinidade y e desvantagem sob um da afinidade z, as quais podem ser atribuídas aos personagens equipando as
skill stones apropriadas. Regra geral, os inimigos em cada batalha apresentam afinidades variadas, tornando-se importante escolher cuidadosamente as afinidades e reflectir se vale ou não a pena gastar um
slot para outra
skill com a afinidade.
Menos preponderantes, quer as
Burning Auras, quer as
Unified Guards, devidamente explicadas no próprio jogo, incentivam o trabalho em equipa e são uma interessante adição (que toma crescente importância com o avançar do jogo).
A variedade na topografia dos mapas, aliada à multiplicidade de objectivos (que vão desde o simples "elimina todos os inimigos" a mais complexas rotas de escapatória) requerem um conjunto de táctica e preparação.
Com uma curva de dificuldade apropriada, ir simplesmente de objectivo em objectivo pode não chegar. Felizmente, muitos dos mapas já ultrapassados tornam-se zonas de combate livre, onde é possível treinar. A estes juntam-se vários opcionais, onde os desafios podem, até, ser superiores aos do próximo objectivo mas que trazem recompensas váli

das, desde equipamento de qualidade a mais
skill stones.
Skill stones que nunca existem em demasia, pois, tal como já é hábito nos trabalhos da
Level-5, um sistema de obtenção de
skills novas a partir das antigas está presente; executado por um interveniente inesperado, a junção de
skills permite obter habilidades poderosas atempadamente, o que, apesar de acessório, é sempre útil.
A maioria dos diálogos no jogo são escritos, estando as vozes reservadas para alguns pedaços da história retratados em
anime. Apesar de o anime estar muito bem executado, as suas aparições são escassas e fugazes, acabando principalmente por realçar o quão insípidas (e silenciosas) são as cutscenes e diálogos suportadas pelo motor de jogo.
Motor de jogo que retrata todos os personagens e inimigos duma forma deformada e desproporcional, o chamado estilo
chibi, ainda assim é capaz de debitar belos efeitos e animações (com realce para algumas das habilidades finais), não evitando, ainda assim, loadings que por vezes se tornam notórios.
Contrastando com o copioso silêncio dos diálogos, as viagens no mapa e as batalhas são acompanhadas por música que varia entre o apropriado e o agradável, mas que peca (bastante) pela repetição.
Apesar de lesado por algumas decisões questionáveis, Jeanne D’Arc é jogo válido para mais de trinta e cinco horas; conseguindo a Level-5, sem fugir à base do género em demasia, criar um título inovador. Nem o aproximar do lançamento (pela primeira vez em terras europeias) de Final Fantasy Tactics vem questionar a relevância de Jeanne D’Arc no leque de títulos PSP.
Obrigatório para qualquer fã de rpgs tácticos, o seu sistema de tutoriais é muito amigo do principiante, tornando-se assim uma óptima aposta para quem sinta vontade de experimentar este género.
8/
10 Recomendado