

Sempre que ouvimos falar de um jogo de estratégia para consolas, torcemos logo o nariz. Mas, desde que a Electronic Arts e a Westwood se juntaram têm feito questão que os seus jogos de estratégia tão populares no PC, também fossem parar às consolas. Command & Conquer 3 é só uma das mais populares séries de jogos de estratégia do mundo. É jogado um pouco por todo o planeta e existe uma comunidade bastante grande e fanática que não se limita apenas a jogar, mas também a criar alguns mods e mapas para que a máquina do vício esteja sempre oleada.
Depois de Lord of the Rings Battle for Middle Earth 2, que apresentou-se na Xbox 360 como o primeiro jogo de estratégia feito com o comando da 360 em mente, Command & Conquer 3 veio refinar um pouco mais o controlo do jogo e os gráficos.
Portanto é mais um capítulo da saga Command & Conquer, a história do jogo é sobre a terceira guerra do tiberium, ou seja, é mais uma desculpa para o C&C3 existir. Mas o modo como nos é contada a história é que é brutal. Através de cut scenes feitas por actores de carne e osso tão famosos como, por exemplo, Michael Ironside, Josh Holloway (Lost), Billy Dee Williams (Star Wars), Jennifer Morrison (Doctor House), entre muitos outros.
Falando dos gráficos, estes são bem superiores aos do LOTR:BME2, desta vez, temos texturas com mais detalhe, temos sombras mais suaves e efeitos de luz muito melhorados. Aliás, o Command & Conquer 3 é, até hoje, o jogo de estratégia mais bonito que já vi numa consola. É incrível ver batalhões de exércitos a lutar entre si e ver toda aquela pirotecnia de efeitos e explosões, sem haver grandes quebras de frame rate.


A nível sonoro não se pode falar muito, temos as vozes das I.A., que nos vão dizendo o que temos de fazer e estão muito boas; temos uma banda sonora orquestral e pouco mais há para dizer neste departamento. Não quer dizer que o jogo tenha um som mau, muito pelo contrário, o jogo tem um bom som, mas não existe ali nada que nos salte ao ouvido, por assim dizer.
Para quem jogou LOTR na Xbox 360 não vai encontrar problemas no C&C3 e vai estar desde o princípio ambientado aos controlos, mas para quem nunca jogou jogos de estratégia na 360, vai ter uma opção que se chama Boot Camp onde pode ambientar-se ao sistema de controlo do jogo.


Depois disso, é hora de saltar para o Single-Player que apesar de ser um Command & Conquer, muitas das missões que joguei, já as tinha feito noutros jogos de Command & Conquer. Não existem missões radicalmente diferentes de tudo o que jogámos até hoje, o que é compreensível, já que neste género não existe assim muito para mudar.
As missões do GDI fazem-se bem, mas têm um pequeno problema que se chama Mamoth Tank. Vocês vão adorar este tanque, porque, fazendo seis meninos destes com os upgrades no máximo, é o mesmo que digitarem um código para passar de nível. No entanto, não existem muitas unidades que façam frente a este tanque, o que torna o jogo por vezes desinteressante.
Passando para o lado dos maus, as missões dos NOD são mais difíceis, mas também muitíssimo mais interessantes que as do GDI, mas nas duas últimas missões é que realmente se começa a ter a sensação que com o comando não se vai lá. Isto, porque apesar dos controlos serem intuitivos e bem pensados, são também mais lentos que um teclado e um rato, e quando nos aparecem níveis onde temos mais do que uma frente de combate, a coisa começa a ficar mesmo muito apertada e difícil. Sabe-se que o jogo é mais lento na versão consola do que no PC, mas, mesmo assim, acho que o nível de dificuldade não é o indicado para usar neste tipo de controlo, o jogo devia, em certas alturas, ser mais fácil ou pelo menos que adaptassem as missões para que não houvesse muitas frentes de combate ao mesmo tempo.
A grande surpresa do jogo é mesmo os Scrin que são uma raça alienígena bastante avançada e que gosta muito de Tiberium. Quando comecei a jogar as missões dos Scrin, gostei bastante da apresentação das cut scenes, desta vez não tínhamos actores, mas tínhamos uma Inteligência Artificial e um Holograma, acompanhados por muitos efeitos especiais, scans à terra e símbolos. Mas, depois, ao fim de quatro missões, chegamos ao fim da campanha dos Scrin… Nem sequer nos dá a hipótese de utilizar, ao máximo, todas as unidades que os Scrin nos oferecem. E, comparando com as dezassete missões que os GDI e os NOD têm, é muito pouco mesmo. Aliás, existem demasiadas missões tanto nos NOD como nos GDI que são só palha, se tivessem tirado essa palha e tivessem feito mais umas missões dos Scrin, tinha sido muito melhor.


Virando-me agora para o multiplayer que é um dos pontos fortes desta saga, posso dizer que o modo de jogo é muito bom, mas também devo dizer que a competição online neste jogo não tolera maçaricos. Parece que a EA não tem uma espécie de sistema onde os jogadores se defrontam com pessoas do mesmo nível. Muitas das vezes, estamos a jogar com profissionais que nos destroem em menos de cinco minutos. Por isso, atenção! Pois, se querem jogar online e ganhar, vão precisar de ter muitas horas de treino e vão ter de ser mesmo muito bons. Por outro lado, também é frequente haver erros de conexão que nos acabam o jogo prematuramente.
Resumindo, é o melhor jogo de estratégia que existe na Xbox 360, os gráficos estão brutais, o som cumpre a sua função e os controlos são bons. Peca por existirem poucas missões do lado dos Scrin e demasiadas missões nas outras duas facções e por não haver um sistema para evitar partidas desiguais no multiplayer. Para os fãs de jogos de estratégia e de consolas, não existe nada melhor.
7/10