
Um primeiro olhar sobre Brave Story: New Traveler permite-nos tirar várias ilações. O conhecimento de que o jogo se trata de uma história secundária baseada no mundo de um popular livro convertido em anime vem apenas reforçar as opiniões geradas.
Partilhando com a manga o mundo e o espaço temporal (a certo ponto da viagem o nosso caminho cruza-se com o de Wataru), o jogo dá-nos um singelo objectivo (que é partilhado por todos os Travelers que visitam Vision), coleccionar cinco gemas, para assim conseguir que o seu mais pretendido desejo, o qual inicialmente lhes abre a porta para este mundo, seja concedido.

Esta gestão dos BP é algo mais interessante e ponderado que a inicio possa parecer, pois a sua recuperação ocorre numa taxa proporcional ao dano causado, o que permite um uso liberal das skills em todas as batalhas.
Um aspecto interessante, mas que se vai tornando pouco presente com o avançar do jogo é a função “Extra Attack”, se um personagem atacar um inimigo próximo da morte e lhe causar suficiente dano extra, ser-lhe-à concedido um ataque extra nesse mesmo turno, contra um alvo aleatório.
Quando juntamos este competente sistema de combate e a natureza mais ligeira da história (são raras as cutscenes e os diálogos são, regra geral, curtos) aos tempos de loading (que são do melhor que já se viu na psp) ficamos com uma fórmula atractiva e compatível com pequenos surtos de utilização, pois é preciso não esquecer que este é um jogo portátil.
Os gráficos são bonitos e bem trabalhados, com vários pormenores interessantes. Existe também uma variedade nos ambientes retratados e nas animações existentes que em muito enriquece toda a experiência. As sombras são um excelente exemplo do que esperar deste jogo neste campo.


Sendo um trabalho da Game Republic (Genji e Folklore) esta é uma clara excepção à regra, uma muito bem sucedida adaptação de uma história proveniente de outro meio de entretenimento; é também preciso dar devido crédito à XSeed Games, que além de tomar a decisão de traduzir este jogo e de o lançar no mercado americano, apresenta uma tradução de excelente qualidade (dando algumas sidequests azo a diálogos realmente cómicos, em adição à boa articulação dos diálogos em geral) e a possibilidade de escolher entre as vozes Japonesas e Americanas (escolha que se repercute durante as batalhas nos vários grunhidos, gritos e conversa entre personagens durante as Unity Skills, e também durante algumas sequências da história que têm suporte de voz total, vulgo cutscenes).
Já a música acaba por ser de qualidade variada, existindo de facto algumas boas músicas, mas que por vezes não parecem apropriadas para as circunstâncias que as desencadeiam e, tal como a história, vão ficando melhores para o final, quando até a música que toca durante a batalha muda; ao menos os efeitos de som mantêm a sua qualidade de forma constante.
Existem três defeitos a apontar ao trabalho da Game Republic; para começar, o controlo da personagem, que apenas pode ser feito em oito direcções (as oferecidas pelo D-Pad); apesar de esta característica ser disfarçada pela utilização do analógico, é algo que ocasionalmente gera frustrações desnecessárias e poderia ter sido facilmente implementado. O sistema para gravar é também incómodo, apenas é possível gravar em save points em pontos específicos (e, felizmente, normalmente críticos) ou nas estalagens, sendo de todo impossível gravar no mapa mundo. O terceiro, é o reduzido grau de dificuldade dos desafios oferecidos, tirando inimigos específicos e algumas sidequests que se podem tornar complicadas, o jogo poucos obstáculos oferece à progressão do jogador.

A progressão é feita de uma forma linear, rapidamente viajar no Mapa mundo se torna algo trivial, sendo as várias masmorras e cavernas os locais responsáveis pela maioria do tempo perdido neste jogo.
É neste aspecto que o jogo brilha, pois estes locais são grandes, amplos, variados e polvilhados de inúmeros baús com tesouros. Não existem quaisquer tipo de mapas para estes segmentos (sendo que alguns apresentam uma topologia bastante complexa) e a única pista que nos é dada é a habilidade "Treasure Sensor" que nos indica quantos tesouros por abrir ainda existem no local.
Claro que para muitos esta característica, juntamente com a alta taxa de encontros aleatórios, será um grande defeito, e é aqui que se torna importante traçar uma linha.
Este jogo em nada irá alterar a vossa percepção daquilo que é um jRPG; se não gostam do género, então este dificilmente será o jogo que vos fará passar a gostar.
Mas para aqueles que sabem ao que vêm, esta é uma boa escolha e continuaria a sê-lo mesmo que a inexistência de outros títulos originais PSP do mesmo calibre (dentro do género) não fosse verdade.
7/10